Merkel: Acordo com SPD permite “governo estável”

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Angela Merkel (CDU), Martin Schulz (SPD) e Horst Seehofer (CSU, partido aliado da CDU na Baviera) em conferência de imprensa, esta quarta-feira em Berlim
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Em conferência de imprensa, a chanceler alemã congratulou-se esta quarta-feira com o acordo para a grande coligação alcançado entre a CDU e os social-democratas. Angela Merkel admitiu no entanto que a distribuição de ministérios entre as forças partidárias não foi tarefa fácil e que nem todos os conservadores “vão ficar contentes” com o destino dado à pasta das Finanças.

Com a passagem da pasta das Finanças para os social-democratas, o Governo liderado por Angela Merkel fez uma das cedências mais inesperadas ao parceiro de coligação e, num volte-face, entregou um dos Ministérios mais importantes do Governo para as mãos do parceiro de coligação.

Olaf Scholz, do SPD, deverá ser o substituto de Wolfgang Schauble num posto nevrálgico para o executivo alemão. 

“Tenho de admitir que a questão da distribuição dos ministérios não foi fácil”, disse a chanceler alemã durante uma conferência de imprensa realizada esta tarde, poucas horas depois do fim das negociações, que ditaram o acordo para a formação de um governo de coligação.

No entanto, apesar das concessões, Merkel mostrou-se convicta que o acordo firmado esta quarta-feira permite a formação de uma boa solução governativa.

“Estou convencida de que este pacto de coligação (…) serve de base ao Governo estável de que o nosso país precisa e que muitos no mundo esperam de nós”, afirmou a chanceler, citada pela agência France-Presse.  

Angela Merkel reconhece que as negociações com o SPD, iniciadas em janeiro, foram “difíceis” mas que “valeram a pena”. Admite também que nem todos os apoiantes e militantes da CDU vão ficar “contentes” com a decisão de entregar a pasta das Finanças aos social-democratas.
"Mudança de rumo" na Europa
Ao seu lado, na mesma conferência de imprensa, o líder do SPD – e segundo a imprensa alemã, o próximo ministro dos Negócios Estrangeiros do novo Governo, outro dos super-ministérios cedidos ao parceiro de coligação – congratulou-se com o acordo alcançado, preferindo focar-se nas repercussões internacionais do acordo.  

“Com este acordo de coligação, a Alemanha vai assumir novamente um papel ativo e de liderança na União Europeia”, sublinhou Schulz. Nas páginas do acordo firmado esta quarta-feira, o capítulo “Um novo impulso para a Europa” ocupa lugar de destaque.  

O atual líder do SPD admitiu que as negociações com a CDU foram “as mais difíceis de sempre” e promete “uma mudança de rumo” na política europeia, com o apoio “tático” às linhas defendidas por Emmanuel Macron, no sentido de reformar a Europa e as suas instituições.  

“Só com um novo crescimento da Europa se pode garantir a paz, a segurança e a prosperidade da Alemanha no longo prazo”, afirmou.  

O acordo firmado esta quarta-feira não permite formar um governo de imediato, uma vez que ainda terá de ser aprovado pela maioria dos mais de 460 mil militantes de um SPD muito fragilizado e dividido, após resultado nas últimas eleições de setembro.

Segundo a agência Reuters, a votação deverá acontecer entre 20 de fevereiro e 2 de março. Os resultados só serão conhecidos a 4 de março.  

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