Alemanha nega espionagem nos Estados Unidos

O desmentido vem do próprio responsável dos serviços alemães de Informação Externa, BND, Gerhard Schindler e foi publicado na edição on-line do jornal Die Zeit. "A embaixada alemã em Washington não executa operações de vigilância de telecomunicações " garantiu Schindler, desmentindo declarações ontem dos responsáveis pela segurança dos EUA, ao Congresso norte-americano.

Graça Andrade Ramos, RTP /
O responsável do BND garante que a embaixada alemã em Washington nunca espiou entidades norte-americanas DAPD

O diretor-geral americano do serviço de Informações, James Clapper e o diretor da Agência Nacional de Segurança (NSA), o general Keith Alexander afirmaram que países "aliados" dos Estados Unidos espiam ou espiaram os Estados Unidos.

Ambos negaram ainda ter intercetado comunicações entre os seus aliados europeus, garantindo que, pelo contrário, os dados na sua posse lhes tinham sido transmitidos pelos serviços de Informação homólogos dos seus países aliados.

O general Alexander afirmou mesmo ao Congresso que as revelações feitas pelos jornais Le Monde (França), El Mundo (Espanha) e L'Espresso (Itália) sobre as escutas são "completamente falsas" e que as ações dos serviços de Informação americanos se realizaram dentro dos limites legais.
Cooperação entre espiões
Esta quarta-feira, uma delegação dos serviços de Informação alemães deverá reunir com representantes dos serviços de espionagem norte-americanos em Washington. A reunião foi agendada depois da revelação do Der Spiegel, de que os americanos vigiaram as comunicações da Chanceler Angela Merkel, nomeadamente o seu telemóvel particular. As escutas terão decorrido ao longo dos últimos 10 anos.

Merkel telefonou pessoalmente ao Presidente Barack Obama a protestar, tendo a Administração Obama garantido que a Chanceler não estava a ser vigiada nem viria a sê-lo. O gabinete do Presidente afirmou ainda que este não estava ao corrente de quaisquer escutas a Merkel. Contudo a Casa Branca negou-se a revelar se a Chanceler foi alguma vez escutada.

Na conversa telefónica com Obama, a 23 de outubro, Merkel manifestou o desejo de que "as autoridades dos EUA forneçam esclarecimentos sobre o possível alcance global de tais práticas de escuta e respondam às perguntas que o Governo federal lhes colocou já há meses".

Além disso, Merkel terá afirmado que, "como aliado próximo dos Estados Unidos da América, o Governo alemão espera para o futuro uma base contratual clara sobre a actividade dos serviços e a sua cooperação".
70 milhões de registos em França
O Presidente francês François Hollande também poderá também ter sido vigiado pelos americanos, de acordo com revelações feitas pelo ex-consultor da NSA, Edward Snowden, publicadas pelo jornal Le Monde. Entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013 terão sido efetuados 70,3 milhões de registos de dados telefónicos, de acordo com documentos divulgados por Sowden.

O diretor dos serviços de informações norte-americanos, James Clapper, disse duvidar destes artigos, contudo o escândalo está a revelar-se um espinho nas relações de vários países europeus tradicionalmente aliados dos Estados Unidos.

O assunto foi debatido entre Hollande Merkel à margem da reunião da Cimeira Europeia em Bruxelas na semana passada.
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