Alemanha vai manter política sobre refugiados para já

O ministério alemão da Administração Interna afastou esta segunda-feira mudanças na política sobre os refugiados no país, apesar dos ataques registados nos últimos dias e numa altura em que cresce o número de indícios sobre a presença de terroristas entre os migrantes na Alemanha.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Thomas de Meizière, ministro do Interior da Alemanha Hannibal Hanschke - Reuters

O jornal Neue Osnabruecker Zeitung revelou hoje que a polícia criminal federal, a BKA, possui 410 pistas sobre possíveis terroristas entre os refugiados. O jornal comparou os novos dados com os 369 indícios semelhantes registados em meados de maio, desde a crise migratória de 2015.

Sessenta casos foram investigados, afirmou ainda o jornal, citando a polícia BKA para afirmar que esta não tem para já pistas quanto a novos ataques.

"Tendo em vista a migração constante para a Alemanha temos de assumir que podem existir entre os refugiados, membros, ativos ou antigos, apoiantes e simpatizantes de organizações terroristas ou criminosos com motivações islamitas" afirmou uma fonte da polícia federal citada pelo jornal.

No mais recente incidente desde sexta-feira, um homem de origem síria de 27 anos fez-se explodir ontem à noite à porta de um bar em Ansbach, na Baviera, fazendo 12 feridos. Tinha tendências suicidas, tinha visto recusado o seu pedido de permanência na Alemanha e ia ser expulso do país.

"O sírio de Ansbach estava prestes a ser deportado para a Bulgária" disse um porta-voz do ministério da Administração Interna alemão, Tobias Plate.

Plate admitiu que a deportação é sempre uma opção do Governo: "os sírios não podem neste momento ser deportados mas isso não significa que os sírios em geral não possam ser deportados", afirmou.
Risco é proporcional
Na mesma conferência de imprensa, contudo, a porta-voz do Governo afastou qualquer mudança de política antes de se tornarem públicos os resultados da investigação do ataque de domingo.

"Os atos dos últimos dias e semanas não revelam uma imagem uniforme", fez notar Ulrike Demmer. "A maior parte dos terroristas que levaram a cabo ataques na Europa nos últimos meses não eram refugiados".

Demmer indicou ainda que o risco criminal representado pelos refugiados no país não era proporcionalmente "maior do que no resto da população".

O ministro do Interior, Thomas de Maizière, afirmou por seu lado em conferência de imprensa, que "não se justifica uma suspeição generalizada contra os refugiados, mesmo se há procedimentos a decorrer em casos isolados".

Há uma semana, outro requerente de asilo, que se apresentou como afegão, feriu vários passageiros de um comboio com um machado e uma faca, em Wurtzburgo (sul), num ataque que afirmou ter cometido em nome do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

No domingo, um requerente de asilo sírio de 21 anos matou uma mulher de 45 anos com uma machadada na cabeça, num caso passional, indicou a polícia alemã.

Maiziere lembrou que os 59 processos por suspeita de pertença a organizações terroristas estão atualmente a decorrer na Alemanha e implicam refugiados, apesar de terem chegado "várias centenas de milhares" ao país.

Com Lusa

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