"Alexa" vai viajar até ao `Espaço` e pode acompanhar astronautas até à Lua

Certamente já ouviu falar da "Alexa", ou mesmo já pediu à "Alexa" informações, para colocar música ou acender a luz lá em casa. Mas para os menos familiarizados fica a saber que a "Alexa" é um sistema de Inteligência Artificial (IA) que efetua comandos simples a pedido dos utilizadores, e que vai ser integrado na missão Artemis da NASA que levará novamente seres humanos até à Lua.

Nuno Patrício - RTP /
NASA/DR

A ideia de incluir um sistema de comando por voz surgiu à imagem e semelhança da serie de ficção cientifica Star Trek em que os tripulantes da Enterprise solicitavam ao computador da nave informações sobre os estado da mesma.

"O computador da serie Star Trek foi parte de nossa inspiração original para Alexa, assim é emocionante e humilhante ver nossa visão de inteligência ambiental ganhar vida a bordo do Orion”, diz Aaron Rubenson, vice-presidente do Alexa Everywhere na Amazon.

“Estamos orgulhosos de trabalhar com a Lockheed Martin para expandir os limites da tecnologia de voz e IA, e esperamos que o papel de Alexa na missão ajude a inspirar futuros cientistas, astronautas e engenheiros que definirão a próxima era de exploração espacial.”

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Agora o novo sistema, amplamente usado em algumas casas, vai fazer parte já do próximo voo teste da capsula Orion, incluído na missão Artemis da NASA.

A tecnologia foi aceite pela Lockheed Martin e fez saber esta sexta-feira que está trabalhar em conjunto com a Amazon e a Cisco num projeto que dá pelo nome de Callisto. Um projeto que será lançado na missão Artemis 1, não antes de março.

Calisto é para já uma demonstração, para ver como a tecnologia Alexa da Amazon e a plataforma de teleconferência Webex da Cisco podem ser usadas em futuras missões tripuladas.

Créditos: NASA/DR

Projeto Calisto - Alexa
Tal como em casa, no carro ou no telemóvel, aceder a informações usado o reconhecimento de voz Alexa, o projeto Calisto pode permitir aos astronautas usarem comandos de voz para aceder a dados, ajustar os controlos da capsula espacial e interagir com a missão de controlo na Terra.

Rob Chambers, diretor de estratégia espacial civil comercial da Lockheed Martin, na apresentação do projeto, refere que “englobar este tipo de tecnologia pode ajudar os astronautas com algumas tecnologias únicas de interface humana, tornando os trabalhos mais simples, seguros e eficientes”.
Tal como em casa se pede ao sistema Alexa para colocar uma música, contar uma anedota, acender uma luz ou mesmo ligar o ar condicionado, uma aplicação destas numa nave espacial seria de extrema utilidade para os astronautas. Não para pedirem para contar uma anedota, mas também o pederão fazer.

Na verdade este sistema permitiria pedirem a Calisto-Alexa para aceder e analisar a telemetria da nave. “Uma maneira de fazer isso com a carga útil da Calisto é dizer: 'Alexa, qual é a temperatura média de todas as baterias e qual é a temperatura de pico?' Perguntas que o sistema executará automaticamente e fornecerá de imediato aos astronautas, evitando eles usarem manómetros ou um monitor do computador para recolher a informação.

O sistema Calisto, tal como em casa, também poderá controlar a iluminação e os ecrãs dentro da nave, ou iniciar testes de diagnóstico dos sistemas da capsula espacial.

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Com o Webex - software de conferência virtual que permite aos seus utilizadores colaborar num ambiente online - o sistema pode trocar dados e apoiar colaborações, tal como um “quadro em branco” numa normal sala de aula ou reunião, com as equipas em Terra. “Estas ferramentas seriam inestimáveis se eu estivesse a bordo como engenheiro a tentar entender algo pode estar a funcionar ou não”, explica Rob Chambers.

O sistema usa uma versão da mesma tecnologia Alexa disponível para os consumidores. Aaron Rubenson, vice-presidente da Amazon Alexa explica que os engenheiros da Amazon fizeram um trabalho incrível com as equipes da Lockheed Martin e da Cisco para garantir que Alexa possa funcionar de forma exemplar neste ambiente tão desafiador”, eiIsso inclui acesso limitado à Internet disponível na capsula Orion e as diferentes acústicas do interior da cápsula.

Rubenson disse ainda que o projeto Calisto é programado para responder a milhares de perguntas ou “enunciados” que pode processar localmente e automaticamente. Caso o sistema Calisto não consiga responder ao solicitado, o programa está preparado para procurar soluções on-line ou precisar de ajuda superior e transmitir as questões apresentadas para a missão de controlo no solo.

Plano de voo do programa Artemis da NASA que levará de novo o homem à Lua. Créditos: NASA

“Alexa espacial”

Colocar o sistema de IA dentro de um programa espacial pode parecer mais fácil do que na verdade é.

Existe múltiplos fatores que num ambiente em que são necessários comportamentos, quer dos instrumentos quer dos astronautas, os mesmos têm de roçar a perfeição. Ora um novo sistema informático que responde a ordens terá de ser igualmente isento de erros.

Mas além dos fatores humanos e técnicos há que ter em conta onde este tipo de sistema vai operar. E o espaço, apesar de se apresentar a olho nú vazio e desprovidos de perigos, eles existem e podem mesmo comprometer os sistemas eletrónicos.

A pensar nessas adversidades a Lockheed Martin projetou este hardware, de nível espacial personalizado com a Alexa embutida, garantindo que o dispositivo possa suportar o choque e as vibrações intensas do lançamento, mas também da exposição à radiação ao passar pelos cintura de radiação solar - Van Allen .

Quanto ao sistema de acesso a Amazon forneceu o software de processamento acústico e de áudio para suportar interações de voz à distância, tal como se faz em casa com as colunas receptoras e emissoras ligadas á rede, por meio do Alexa. Incluiu também algoritmos de ajuste para contabilizar o ruído dos motores e a reverberação associada as múltiplas superfícies metálicas dentro da cabine de voo.

O sistema Callisto está também equipado com a tecnologia de controlo de voz local da Amazon, que permite que Alexa funcione em áreas com conectividade limitada ou sem conectividade.

E uma das inovações neste sistema de Inteligência Artificial combinado com o processamento interno a bordo da capsula espacial Orion, o programa vai poder contornar o atraso (ou latência) associado ao envio de informações da Lua para a Terra e vice-versa, e permitir que futuros astronautas acessem informações e recursos específicos quase que instantaneamente.
No Artemis I, o programa IA Alexa será capaz de aceder a dados de telemetria em tempo real e responder a milhares de perguntas específicas da missão a bordo do Orion, incluindo perguntas como “Alexa, qual é a velocidade atual da Orion?” ou “Alexa, qual é a temperatura na cabine?”

Os engenheiros que têm em mãos o sistema Alexa, não finalizaram o seu trabalho ao entregar este sistema à Lockheed Martin. Esta experiência servirá também para recolha de novos dados e aprenderem com o tempo a todas as ações que a Alexa passou no espaço, de forma a tornar os futuros recursos do sistema ainda melhores para os clientes, quer na espaço, quer na Terra, incluindo aqueles que operam em ambientes hostis ou remotos sem conectividade.

E vai ser através do Deep Space Network da NASA , que a Alexa vai poder recuperar e usar as informações da Terra para os astronautas no espaço. Informações que podem ir desde as simples notícias do que se passa no mundo, mas também contactos mais privados onde os astronautas podem ligar para suas casas durante as longas missões.

Juntas, essas interações de voz podem ajudar a tornar a vida mais simples e eficiente para aqueles que cada vez mais vivem a bordo das estações espaciais ou de missões espaciais de longo curso, especialmente quando eles estão impedidos de contactos pessoais ou preocupados com outras tarefas durante a missão.
Créditos ESA/DR
“Alexa, leve-me para a lua”.
Dentro desta iniciativa inovadora a Amazon avança estar já a criar um novo programa Amazon Future Engineer chamado Alexa for Astronauts .

A iniciativa oferecerá viagens virtuais ao vivo do Johnson Space Center e proporcionará a alunos e futuros astronautas uma visão em primeira mão da experiência virtual da tripulação e outras instalações em torno do controle de missão.

O Alexa for Astronauts incluirá o currículo STEM desenvolvido pelo MIT App Inventor e desenvolvido com os parceiros da National Science Teaching Association e Mobile CSP, permitindo que os educadores aprofundem a aprendizagem da ciência da computação na missão Artemis I nas salas de aula.

Estas novas experiências Alexa, pode ler-se no site da Amazon "serão lançadas mais perto da missão Artemis I. Mas para os mais curiosos está já disponível para dispositivos habilitados para Alexa. E para começar e configurar lembretes para os próximos marcos da missão - basta dizer: “Alexa, leve-me para a lua”.
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