Algoritmo da rede social X leva a posições políticas mais conservadoras, revela estudo
Ativar o algoritmo `para ti` na rede social X leva os utilizadores a adotarem opiniões políticas mais conservadoras, de acordo com um estudo com quase 5.000 utilizadores da plataforma de redes sociais.
O estudo observou ainda que esta tendência persiste mesmo depois de os utilizadores desativarem o filtro e regressarem ao feed cronológico (versão normal).
Os detalhes da investigação, conduzida por uma equipa internacional de cientistas de Itália, Suíça e França, foram publicados na revista Nature, noticiou na quarta-feira a agência Efe.
Para muitas pessoas, as redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação, o que gerou preocupação com a desinformação, a polarização e a influência dos algoritmos (que filtram, selecionam e ordenam o conteúdo em feeds personalizados para reter os utilizadores).
Algumas experiências anteriores em grande escala - incluindo uma colaboração com a Meta - encontraram poucas evidências de que a desativação do algoritmo que filtra a informação e o regresso a um feed cronológico alterasse as atitudes políticas dos utilizadores.
Mas estes estudos não conseguiram determinar se a exposição precoce ao algoritmo já tinha moldado estas opiniões, salientaram os autores.
Para esclarecer isto, realizaram uma experiência independente com 4.965 utilizadores do X nos Estados Unidos durante o Verão de 2003, seis meses depois de o empresário sul-africano Elon Musk ter comprado a empresa, então chamada Twitter, e um ano antes de declarar publicamente o seu apoio ao candidato republicano Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.
Os participantes do estudo foram aleatoriamente designados para um feed algorítmico (um filtro de notícias) ou para a linha do tempo (a versão padrão) durante sete semanas.
Também entrevistaram os participantes antes e depois da experiência e analisaram o conteúdo da linha do tempo e o comportamento dos utilizadores na rede utilizando uma extensão de browser que permitia monitorizar o conteúdo da linha do tempo e as interações online.
Os resultados revelaram que os utilizadores designados para o feed algorítmico interagiram mais com a plataforma, adotaram visões políticas mais à direita e eram mais propensos a seguir ativistas políticos conservadores.
Por outro lado, quando os utilizadores foram transferidos do feed algorítmico para o feed cronológico, as suas opiniões e comportamentos tiveram pouco efeito.
Além disso, a análise de conteúdo revelou que o algoritmo exibiu mais publicações conservadoras e ativistas, ao mesmo tempo que reduziu a visibilidade dos meios de comunicação tradicionais, como aponta o estudo.
Para os autores, estes resultados demonstram que os algoritmos das redes sociais "moldam significativamente as atitudes políticas" e que este efeito persiste mesmo após a remoção da seleção algorítmica.
Além disso, alertaram que os algoritmos influenciam não só o que os utilizadores veem, mas também o ambiente político digital em que vivem.
Os autores advertiram ainda para as limitações do estudo, sublinhando, em primeiro lugar, que os resultados devem ser restritos à rede X e, em segundo lugar, que o período de tempo da experiência não permite determinar os efeitos a longo prazo.