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Alguns hospitais sírios converteram-se em centros de tortura, afirma a ONU

Alguns hospitais sírios converteram-se em centros de tortura, afirma a ONU

Genebra, 06 mar (Lusa) -- O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos assegurou hoje que alguns hospitais sírios converteram-se em centros de tortura dos feridos nos protestos contra o regime de Bashar Al-Assad.

Lusa /

"Em vários casos, as missões de investigação da ONU puderam comprovar que os hospitais se converteram, de facto, em centros de tortura dos feridos nos distúrbios", afirmou em conferência de imprensa Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos.

Colville confirmou que as autoridades exigem ao pessoal sanitário que "não trate, não cure" os feridos que chegam ao hospital e que participaram nos protestos.

"Sabemos que as autoridades advertiram o pessoal sanitário de que não devem curar os feridos. De facto, pedem aos que trabalham nas ambulâncias para levarem diretamente os feridos para as casernas ou para os centros de detenção, em vez dos hospitais", referiu.

Colville afirmou que se comprovou "a cumplicidade" de alguns médicos nos processos de repressão nos hospitais.

Como esta situação era conhecida pela população e pelo pessoal médico, nas últimas semanas criaram-se clínicas e centros hospitalares clandestinos em garagens, apartamentos e noutros esconderijos.

"Lamentavelmente, parece que as forças de segurança descobriram algumas destas clínicas e também as converteram em centros de tortura", explicou Colville.

O porta-voz recordou que a tortura não é uma novidade" na Síria, mas que foi instituída desde 1963 "sob o escudo da permanente lei de emergência".

"Maus tratos severos, tortura psicológica, suspensão pelos pés, isolamento é algo que tem sido comum nas últimas quatro décadas na síria, uma situação que se agravou para níveis indescritíveis nos últimos meses", adiantou.

O porta-voz recordou que a tortura quando é sistemática constitui um crime contra a humanidade.

Entretanto, a edição «online» do jornal espanhol El Mundo noticiou hoje que um vídeo gravado secretamente por um funcionário de um hospital militar de Homs, divulgado na segunda-feira pelo canal britânico Channel 4, mostra o que parecem ser pacientes a serem torturados por médicos.

As filmagens foram feitas secretamente por um funcionário e passadas por um fotojornalista francês identificado como "Mani", referiu o El Mundo citando o Channel 4.

"Vi detidos torturados por eletrocussão, com golpes, com pauladas que lhes partiram as pernas. Torcem-lhes os pés enquanto a perna se parte", afirmou a "Mani" o empregado que gravou o vídeo, de acordo com o El Mundo.

O vídeo, que segundo o Channel 4 não foi verificado independentemente, mostra homens feridos e com os olhos vendados atados às camas.

A cidade síria de Homs tem sido o centro de uma intensa campanha militar para travar os protestos contra o governo do presidente Bashar Al-Assad.

Mais de 7.500 civis já morreram devido à repressão do regime de Bashar Al-Assad desde o início dos protestos em março do ano passado, segundo as Nações Unidas.

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