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Ali Larayedh indigitado para formar novo governo na Tunísia
Quinta feira, na qualidade de ministro do Interior, Ali Larayedh anunciou a detenção de "suspeitos" do recente assassínio do líder de esquerda Chokri Belaid, sem acrescentar detalhes quanto ao número ou identidade dos detidos. Menos de 24h depois, Larayedh volta à ribalta como o escolhido pelo partido no poder, o islamita Ennahda, para substituir o primeiro-ministro demissionário Hamad Jebali. Uma escolha já condenada pela oposição.
"Ele é o candidato oficial do Ennadha para primeiro-ministro", afirmou ao início de sexta-feira Mouadh Ghannouchi, filho do líder do Ennadah, Rached Ghannouchi.
De acordo com o porta-voz da presidência tunisina, o Presidente Moncef Marzouki pediu esta tarde a Larayedh para formar governo no prazo de 15 dias.Ali Larayedh é um dos fundadores do Ennadha, tendo sido seu secretário-geral nos anos 80. Preso em 1992, passou 14 anos na prisão. Foi nomeado ministro do Interior do governo formado por Hamad Jebali em dezembro de 2011, após eleições gerais em outubro do mesmo ano.
Após a nomeação, Lerayedh prometeu um governo "para todos os tunisinos e todas as tunisinas, tendo em conta que homens e mulheres são iguais em matéria de direitos e de deveres."
O primeiro-ministro indigitado declarou ainda precisar de todas as forças vivas do país "para instaurar a democracia à qual todos aspiram."
Apesar de Larayedh ser tido por alguns setores como moderado e homem de compromissos, a escolha do Ennadah para a chefia do governo está a ser severamente criticada pela oposição.
Muitos acreditam que ela vai agravar as divisões que têm vindo a crescer na Tunísia e que explodiram em manifestações e protestos violentos em todo o país, após o assassínio a tiro do líder de esquerda, Chokri Belaid, no passado dia seis de fevereiro.
Clemente com o extremismo
O até agora ministro do Interior é mesmo considerado pelos seus críticos como um responsável direto pela morte de Belaid, uma vez que o seu ministério nada terá feito para punir ou dissuadir extremistas islâmicos de agir de forma crescentemente intimidatória contra a população civil e os partidos da oposição.
"Ele é o responsável pela clemência demonstrada para com a violência islamita exercida contra os ativistas dos direitos humanos,"
considerou Mahmoud Baroudi, líder do partido Aliança Democrática, na oposição. Baroudi acredita que a escolha de Larayedh vai agravar ainda mais as tensões e a raiva nas ruas.
"A decisão agrava a crise porque Larayedh liderou o ministério responsável pelo assassínio de Belaid e pela violência que se espalhou por todo o país", acusou Zied Lakhdar, líder da Frente Popular, do qual Belaid era secretário-geral.
Parte da oposição lembra ainda que Larayedh está conotado com a linha "dura" do Ennahda, a qual pretende recusar qualquer voz a partidos ligados ao regime do ex-Presidente Zine al-Abidine ben Ali deposto há dois anos no início da Primavera Árabe.
Crise política
A crise política tunisina agravou-se quando o primeiro ministro Hamad Jebali se demitiu no início desta semana, após o fracasso da sua tentativa de formar um executivo tecnocrata com partidos da oposição.
O ex-primeiro-ministro procurava dessa forma uma solução para a violência crescente no país mas esbarrou em opositores do próprio Ennadah, liderados por Rached Ghannouchi e acabou por renunciar liderar um novo governo.
O partido islamita esteve reunido toda a noite de quinta para sexta-feira, para encontrar um substituto para Jebali. A escolha recaiu em Larayedh.
O Ennadah ocupa 89 lugares na Assembleia Constituinte Nacional da Tunísia.
Uma vez que o partido do Presidente Marzouki, o Congresso para a República, secular e detentor do segundo maior grupo parlamentar com 29 deputados, já disse que aceita formar uma aliança liderada pelo Ennadah, os islamitas irão controlar mais dos 109 votos necessários para ter a maioria da Assembleia.
De acordo com o porta-voz da presidência tunisina, o Presidente Moncef Marzouki pediu esta tarde a Larayedh para formar governo no prazo de 15 dias.Ali Larayedh é um dos fundadores do Ennadha, tendo sido seu secretário-geral nos anos 80. Preso em 1992, passou 14 anos na prisão. Foi nomeado ministro do Interior do governo formado por Hamad Jebali em dezembro de 2011, após eleições gerais em outubro do mesmo ano.
Após a nomeação, Lerayedh prometeu um governo "para todos os tunisinos e todas as tunisinas, tendo em conta que homens e mulheres são iguais em matéria de direitos e de deveres."
O primeiro-ministro indigitado declarou ainda precisar de todas as forças vivas do país "para instaurar a democracia à qual todos aspiram."
Apesar de Larayedh ser tido por alguns setores como moderado e homem de compromissos, a escolha do Ennadah para a chefia do governo está a ser severamente criticada pela oposição.
Muitos acreditam que ela vai agravar as divisões que têm vindo a crescer na Tunísia e que explodiram em manifestações e protestos violentos em todo o país, após o assassínio a tiro do líder de esquerda, Chokri Belaid, no passado dia seis de fevereiro.
Clemente com o extremismo
O até agora ministro do Interior é mesmo considerado pelos seus críticos como um responsável direto pela morte de Belaid, uma vez que o seu ministério nada terá feito para punir ou dissuadir extremistas islâmicos de agir de forma crescentemente intimidatória contra a população civil e os partidos da oposição.
"Ele é o responsável pela clemência demonstrada para com a violência islamita exercida contra os ativistas dos direitos humanos,"
considerou Mahmoud Baroudi, líder do partido Aliança Democrática, na oposição. Baroudi acredita que a escolha de Larayedh vai agravar ainda mais as tensões e a raiva nas ruas.
"A decisão agrava a crise porque Larayedh liderou o ministério responsável pelo assassínio de Belaid e pela violência que se espalhou por todo o país", acusou Zied Lakhdar, líder da Frente Popular, do qual Belaid era secretário-geral.
Parte da oposição lembra ainda que Larayedh está conotado com a linha "dura" do Ennahda, a qual pretende recusar qualquer voz a partidos ligados ao regime do ex-Presidente Zine al-Abidine ben Ali deposto há dois anos no início da Primavera Árabe.
Crise política
A crise política tunisina agravou-se quando o primeiro ministro Hamad Jebali se demitiu no início desta semana, após o fracasso da sua tentativa de formar um executivo tecnocrata com partidos da oposição.
O ex-primeiro-ministro procurava dessa forma uma solução para a violência crescente no país mas esbarrou em opositores do próprio Ennadah, liderados por Rached Ghannouchi e acabou por renunciar liderar um novo governo.
O partido islamita esteve reunido toda a noite de quinta para sexta-feira, para encontrar um substituto para Jebali. A escolha recaiu em Larayedh.
O Ennadah ocupa 89 lugares na Assembleia Constituinte Nacional da Tunísia.
Uma vez que o partido do Presidente Marzouki, o Congresso para a República, secular e detentor do segundo maior grupo parlamentar com 29 deputados, já disse que aceita formar uma aliança liderada pelo Ennadah, os islamitas irão controlar mais dos 109 votos necessários para ter a maioria da Assembleia.