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Amnistia vê como extremamente preocupante atentado contra jornalista moçambicano

Amnistia vê como extremamente preocupante atentado contra jornalista moçambicano

A Amnistia Internacional (AI) classificou hoje como "extremamente preocupante" o atentado contra um jornalista do canal privado STV, pedindo às autoridades moçambicanas uma investigação independente, imparcial e imediata para esclarecer o caso.

Lusa /

"A tentativa de assassinato de Carlitos Cadangue, que tem denunciado ativamente a mineração ilegal de ouro na província de Manica, é extremamente preocupante e demonstra os crescentes ataques contra jornalistas no país simplesmente por exercerem a sua profissão", lê-se no comunicado, que cita o diretor regional da Amnistia Internacional para África Oriental e Austral, Tigere Chagutah.

Carlitos Cadangue relatou que, quando conduzia a caminho de casa, dois indivíduos intercetaram-no numa viatura e a seguir dispararam contra a parte traseira do automóvel.

Na nota, aquela Organização Não-Governamental (ONG) pediu às autoridades moçambicanas para investigarem de forma "imediata, completa, independente, imparcial, eficaz e transparente" o atentado contra o jornalista, ocorrido quarta-feira, no Chimoio, província de Manica, referindo que quer ver julgados os suspeitos.

"Este foi um ato descarado, concebido para silenciar um jornalista que tem exposto as irregularidades cometidas por pessoas poderosas e para intimidar outros", disse Tigere Chagutah, citado na nota.

A Amnistia Internacional apela a que Moçambique garanta a segurança dos jornalistas, defensores dos direitos humanos e ativistas no país e pôr fim à cultura de impunidade que "continua a alimentar esses ataques".

"As autoridades também devem tomar medidas urgentes para garantir efetivamente os direitos humanos de todos no país e proteger os jornalistas do assédio, da intimidação e das ameaças às suas vidas, sejam elas provenientes de agentes estatais ou de indivíduos privados", pediu o responsável.

Na quinta-feira, o Provedor de Justiça moçambicano considerou que o atentado contra aquele jornalista é um "ato grave" e um ataque à liberdade de imprensa e ao direito à informação, pedindo identificação e responsabilização dos autores.

O Presidente moçambicano exigiu no mesmo dia o esclarecimento do atentado contra um jornalista do canal privado STV, correspondente em Manica, apontando o medo e a insegurança como inimigos da liberdade.

Ainda na quinta-feira, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, Mouzinho Manasse, afirmou que as autoridades já avançaram com os procedimentos legais, tendo o caso sido encaminhado para o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic).

"A polícia já instaurou um processo-crime contra indivíduos desconhecidos e submeteu ao Sernic para posteriores investigações", avançou, acrescentando que as autoridades não ignoram a informação de que os homens que dispararam contra o jornalista estariam trajados com fardamento semelhante ao da corporação.

O Sindicato Nacional dos Jornalistas moçambicano também exigiu hoje uma investigação célere, independente e transparente ao atentado contra o profissional, ameaçando, entretanto, não cobrir alguns eventos oficiais caso não haja resposta clara.

"Nós, como SNJ, condenamos este atentado ao colega jornalista Carlitos Cadangue, porque representa um atentado à liberdade de imprensa, um direito constitucional", disse o representante do sindicato em Manica.

Nelson Benjamin acrescentou que o atentado ocorre numa altura em que o profissional tem divulgado reportagens sobre a atividade de mineração ilegal, envolvendo alegadamente pessoas influentes daquela província, e que foi suspensa em setembro de 2025 pelo Governo.

O Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) de Moçambique também repudiou o atentado contra o jornalista, classificando-o de inadmissível e intolerável numa sociedade democrática.

O canal privado moçambicano STV considerou tratar-se de uma tentativa de intimidar a comunicação social, exigindo a realização de uma investigação célere.

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