Análise revela que pelo menos 50 das maiores cidades do mundo estão em elevado stress hídrico

Entre as maiores cidades do mundo, 39 situam-se em áreas de "stress hídrico extremamente elevado", incluindo Pequim, Nova Iorque, Los Angeles, Rio de Janeiro e Deli. A notícia foi avançada pelo jornal The Guardian.

RTP /
Sergio Queiroz - Reuters

Londres, Banguecoque e Jacarta estão entre as classificadas como altamente stressadas. O estudo, divulgado esta quinta-feira, indica também que quase metade dos distritos em Portugal se encontram na mesma situação de crise de água.

O jornal britânico uniu-se à Watershed Investigations, organização de jornalismo de investigação ambiental sem fins lucrativos, para fazer o mapeamento das cidades em bacias hidrográficas em stess hídrico.

O que está em causa são os recursos de água destinados ao abastecimento público e industrial. Existe stress hídrico quando a procura de água por habitante excede a oferta hídrica, devido a uma má gestão destes recursos e agravada pelas mudanças climáticas.

Os dados encontram-se disponíveis para visualização num atlas interativo de segurança hídrica publicado na página do Watershed Investigations, onde é possível observar também o cenário português. Olhando para o mapa de Portugal, é possível distinguir oito distritos em stress hídrico extremamente elevado: Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Évora e Faro.

Também zona litoral de Beja apresenta a mesma conjuntura, contrastando com o interior da mesma região, que é das menos afetadas pelo fenómeno em todos o território nacional. Os recursos de água parecem ser suficientes para a demanda em Castelo Branco.
"Falência global da água"
O conjunto de resultados divulgado esta quinta-feira vêm corroborar com declarações recentes da ONU, que declarou “falência global da água” há dois dias. 

De acordo com os cientistas da organização, citando uma notícia do jornal Público, esta crise deriva não só de uma gestão ineficiente de consumo da “receita” anual renovável de água dos rios, solos e neve acumulada países, mas também de um esgotamento das “poupanças” de longo prazo em reservatórios naturais.

Em todo o mundo, existem 2,2 mil milhões de pessoas sem acesso a água potável segura.

O atlas elaborado pelo Watershed Investigations e o The Guardian expõe outras questões, incluindo dados de satélite da NASA, reunidos por cientistas da University College London. Estes mostram as tendências de seca e de humidade nas 100 maiores cidades do mundo, ao longo de duas décadas, segundo os quais Tóquio, Lagos e Kampala estão a passar por um forte aumento de humidade.

Já Chennai, Teerão e Zhengzhou destacam-se por elevados níveis de estiagem (evento de escassez prolongada no abastecimento de água).

Este é o sexto ano consecutivo de seca na capital do Irão, que se encontra cada vez mais perto do “dia zero”. No ano passado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, admitiu que Teerão poderá ter de ser evacuado caso o fenómeno persista. Também a Cidade do Cabo e Chennai estão próximas do limite dos seus recursos hídricos.

Grande parte das cidades a atravessar um acentuado crescimento populacional globalmente localizam-se em regiões áridas, onde enfrentam o risco de futuras crises de escassez de água.

Os números da NASA realçam ainda que cerca de 1,1 mil milhões de pessoas vivem em grandes áreas metropolitanas situadas em regiões afetadas por secas prolongadas, enquanto aproximadamente 96 milhões residem em cidades e zonas circundantes inseridas em áreas com níveis elevados de humidade. Contudo, a informação recolhida por satélite é demasiado genérica para fornecer pormenores e enquadramentos à escala local.
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