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"Aproxima-se mais uma crise energética de inverno na Europa", avisa ONU

"Aproxima-se mais uma crise energética de inverno na Europa", avisa ONU

O secretário executivo das Nações Unidas para as Alterações Climáticas alerta para a dependência dos combustíveis fósseis.

RTP / Adicionar como fonte informativa

O secretário executivo das Nações Unidas para as Alterações Climáticas afirmou esta quarta-feira que, após um verão “infernal”, a Europa enfrenta uma nova crise energética no inverno devido à sua dependência dos combustíveis fósseis.

“Aproxima-se mais uma crise energética de inverno na Europa, provocada pela nossa dependência dos combustíveis fósseis”, alertou Simon Stiell perante a Comissão do Ambiente, do Clima e da Segurança Alimentar do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Segundo o responsável, a dependência das instáveis importações de combustíveis fósseis tem sido, desde há muito tempo, o “calcanhar de Aquiles económico da Europa”.

Stiell assinalou que a próxima crise energética acontece após um verão que descreveu como “infernal”, com o calor extremo devido às alterações climáticas a provocar dezenas de milhares de mortes e danos em infraestruturas, empresas e economias.

“Cada vez mais, não atuar com firmeza em relação às alterações climáticas representa não agir em relação à inflação e ao custo de vida, à nossa soberania e segurança e ao crescimento económico e à criação de emprego”, advertiu.

Segundo um estudo que citou, os fenómenos climáticos extremos registados no verão terão custado à Europa cerca de 180 mil milhões de euros devido à perda de produtividade e às perturbações nos setores alimentar, energético e de transportes, um impacto equivalente a um ponto percentual do produto interno bruto (PIB) europeu.

Perante a situação, o representante da ONU defendeu que a energia limpa é a forma mais segura de proporcionar à Europa preços acessíveis, estabilidade económica, segurança energética e maior autonomia na formulação de políticas, refere a agência noticiosa espanhola EFE.

Stiell salientou que as energias renováveis já geram cerca de metade da eletricidade da Europa, acrescentando que, durante os primeiros seis meses do atual conflito no Médio Oriente, só a energia solar permitiu que os europeus poupassem mais de 30 mil milhões de euros em importações de gás.

"A transição para a energia limpa é agora irreversível", afirmou, adiantando que este processo representa "uma mina de ouro de empregos e oportunidades de negócio".

O responsável instou ainda a UE a concentrar-se na implementação dos compromissos climáticos já assumidos e pediu ao bloco que compareça na próxima conferência da ONU sobre as alterações climáticas (COP31), que decorrerá na Turquia em novembro, "pronta para encontrar soluções" e contribua para progressos na mitigação, adaptação e financiamento climático.
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