Arábia Saudita, Jordânia e Bahrein condenam ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz
A Arábia Saudita, a Jordânia e o Bahrein condenaram hoje o ataque do Irão a um petroleiro dos Emirados Árabes Unidos que transitava pelo Estreito de Ormuz, classificando-o como inaceitável e uma violação do direito internacional.
"Estes atos inaceitáveis de agressão ameaçam a segurança da navegação marítima e o fornecimento internacional de energia [e constituem] uma violação flagrante do direito internacional", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, em comunicado, responsabilizando o Irão pelas "consequências da continuidade destes ataques brutais".
A Arábia Saudita apelou a Teerão para "preservar a segurança e a estabilidade" no Médio Oriente, ao mesmo tempo que manifestou o seu apoio a quaisquer ações que os Emirados Árabes Unidos possam tomar para proteger a sua soberania e os seus recursos.
Por seu lado, a Jordânia também descreveu o ataque como "uma violação flagrante do direito internacional e uma ameaça à segurança da navegação marítima" e manifestou o seu apoio aos Emirados Árabes na proteção da sua segurança, estabilidade e recursos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Bahrein juntou-se aos seus vizinhos árabes, apelando ao Conselho de Segurança da ONU para que adote "medidas dissuasoras para proteger a segurança da navegação marítima no Estreito de Ormuz".
Os Emirados Árabes Unidos acusaram hoje o Irão de atacar um petroleiro da empresa estatal Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) com um míssil enquanto este percorria o Estreito de Ormuz, um incidente que não fez vítimas.
O Irão ainda não se pronunciou.
A agência marítima britânica UKMTO, afiliada da Marinha Real Britânica e especializada na monitorização de incidentes no Estreito de Ormuz, confirmou que um navio cargueiro foi atingido por "um projétil de origem desconhecida" a 18 milhas náuticas da costa omanense de Khasab.
"O impacto causou um incêndio que já foi extinto, e não há evidências de danos ambientais. O navio e a sua tripulação estão em segurança", acrescentou a agência, sem mencionar explicitamente o navio cargueiro emiradense.
O Irão tem vindo a bloquear esta via navegável estratégica desde o retomar das hostilidades com os Estados Unidos no início de julho e ataca regularmente os navios que se aventuram por ali sem a sua permissão.
Teerão não quer regressar à situação pré-guerra e pretende, eventualmente, impor taxas de serviço, uma medida à qual os Estados Unidos e outros países se opõem.
As negociações entre o Irão e Omã, cuja costa também faz fronteira com o estreito, "estão a aproximar-se da fase final", disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.
A conclusão das negociações "não significa, obviamente, que o estreito de Ormuz será reaberto", reiterou o ministro, mencionando outras "condições e compensações" a discutir, devido a "violações" do memorando de entendimento concluído em meados de junho com os Estados Unidos que impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Os Emirados Árabes Unidos e outros Estados do Golfo aliados de Washington têm sido alvos frequentes de ataques de Teerão em retaliação pela ofensiva conjunta EUA-Israel contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro.
Antes do início do conflito, um quinto dos hidrocarbonetos mundiais passava pelo estratégico Estreito de Ormuz.