Arábia Saudita, Turquia e Paquistão vão implementar acordo de defesa "imediatamente"
Os chefes do Estado-Maior da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão concordaram hoje começar "imediatamente" a aplicar os compromissos do Acordo de Defesa Conjunta de Meca, assinado em agosto, anunciou o Ministério da Defesa saudita.
Em comunicado, o ministério saudita adiantou que os chefes do Estado-Maior dos três países se reuniram em Riade, onde afirmaram "a determinação conjunta de começar imediatamente a transformar os compromissos estabelecidos no Acordo de Defesa Conjunta de Meca numa cooperação militar eficaz".
O acordo, assinado numa altura em que Riade é alvo de ataques dos rebeldes iemenitas Huthis apoiados pelo Irão, estabelece que qualquer ataque contra um dos países é uma agressão contra os três.
De acordo com imagens divulgadas pelo governo saudita, os chefes do Estado-Maior compareceram na reunião à frente de delegações militares dos três países, que sublinharam "a solidez da sua parceria em matéria de defesa" e "reafirmaram firmemente o seu compromisso com a defesa coletiva".
Além disso, enfatizaram "a determinação dos três países em defender a segurança, a soberania e a integridade territorial do Reino da Arábia Saudita", alvo desde final de julho de ataques com mísseis e drones Huthis, rebeldes que também impõem a Riade um bloqueio marítimo no Mar Vermelho.
Segundo o comunicado saudita, a reunião centrou-se na "situação de segurança e nas ameaças enfrentadas pelo Reino da Arábia Saudita" e condenou em particular os ataques atribuídos aos Huthis contra a cidade de Meca e contra as infraestruturas civis e energéticas da monarquia árabe.
As autoridades sauditas afirmaram a 15 de setembro ter abatido um drone lançado pelos rebeldes iemenitas contra Meca --- o local mais importante do Islão.
Apesar de ter reivindicado dezenas de outras ações contra a Arábia Saudita, o movimento xiita aliado do Irão não assumiu responsabilidade pelo ataque.
Os três países debateram ainda formas de avançar na cooperação entre as suas forças armadas, no intercâmbio de informações, na coordenação militar e na integração de capacidades para "melhorar a dissuasão e a defesa coletiva", apontou o comunicado, sem adiantar mais detalhes.
A reunião foi anunciada ontem, após conversações em Nova Iorque, à margem da 81. ª Assembleia Geral da ONU, entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos três países: Faisal bin Farhan, da Arábia Saudita; Ishaq Dar, do Paquistão; e Hakan Fidan, da Turquia.
O acordo tripartido foi assinado a 07 de agosto, em Meca, pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
A Arábia Saudita é o maior produtor de petróleo da OPEP e os ataques Huthis têm contribuído para a escalada dos preços do petróleo no mercado internacional.