Argentina. Javier Milei toma posse e alerta que choque económico será "inevitável"

por RTP
Foto: Agustin Marcarian - Reuters

O ultraliberal tomou posse este domingo como presidente da Argentina. No discurso alertou que não há alternativa para um ajuste “de choque” e que a economia irá piorar no curto prazo, uma vez que “não há dinheiro”.

O novo presidente da Argentina quebrou a tradição e não discursou na Assembleia após o juramento. Javier Milei falou aos cidadãos no exterior, na escadaria do Parlamento, e deixou vários avisos.

Milei prometeu uma nova era depois de receber "a pior herança possível", mas alertou que será inevitável um período inicial de choque orçamental.

“Não há alternativa a um ajuste, não há alternativa a um choque” porque “não há dinheiro”
, afirmou perante uma multidão de apoiantes.

“O governo cessante deixou-nos no caminho da hiperinflação. Faremos tudo o que pudermos para evitar tal catástrofe”, acrescentou ainda.
Javier Milei afirmou que se iniciou na Argentina uma "nova era" e que terminou "uma longa e triste história de decadência e declínio"
Sem entrar em grandes detalhes, o novo presidente argentino apresentou como uma das principais medidas o ajuste fiscal equivalente a 5 por cento do PIB do país. Esse ajuste será alcançado por via de cortes que vão recair sobre o Estado.

“Precisamos de um ajuste fiscal que recaia sobre o Estado e não sobre o setor privado”, vincou.

O novo presidente da Argentina alertou que a inflação do país, atualmente nos 143% a nível anual, poderá atingir os “15 mil por cento” ao ano e prometeu lutar contra a hiperinflação “com unhas e dentes”.

Durante a campanha eleitoral, Milei prometeu, entre outras medidas, o encerramento do banco central e a dolarização da economia. No entanto, desde a vitória na segunda volta nas eleições, em novembro, Javier Milei moderou o discurso e escolheu várias figuras das alas mais tradicionais e conservadoras para integrarem o seu gabinete presidencial. Por exemplo, o novo presidente argentino nomeou o conservador Luis Caputo para liderar o Ministério da Economia.

Javier Milei sucede ao líder peronista Alberto Fernandez e chega ao poder com um plano de terapia de choque a uma economia atormentada. O plano económico para os próximos meses deverá ser entregue no início da próxima semana.

Os cortes drásticos previstos na despesa estão a deixar os peritos e investidores otimistas, mas as medidas no horizonte poderão empurrar mais argentinos para novas dificuldades económicas, numa altura em que mais de dois quintos da população vivem em situação de pobreza.

Na cerimónia de tomada de posse deste domingo estiveram presentes o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, bem como o primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban. Também estiveram presentes o antigo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro e o presidente do Chile, Gabriel Boric. Lula da Silva, atual presidente do Brasil, e o líder mexicano, Andrés López Obrador foram as principais ausências.
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