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Arquiteta ucraniana vai apresentar sinagoga voadora na Bienal de Veneza patrocinada pela Rússia

Arquiteta ucraniana vai apresentar sinagoga voadora na Bienal de Veneza patrocinada pela Rússia

A arquiteta e artista ucraniana Anna Kamyshan vai apresentar a obra na Bienal de Veneza. O financiamento é de um empresário russo, Yevgeny Chichvarkin, que fez a revelação no Instagram.

Um Olhar Europeu com Suspilne /
Anna Kamyshan / Instagram



Está previsto que o projeto seja financiado através de um jantar de beneficência organizado pelo empresário russo no seu restaurante com estrela Michelin no Reino Unido. 

A participação no jantar custa 25 mil libras (quase 29 mil euros) e os fundos angariados serão utilizados para preparar a instalação.

O projeto designado Nabatele foi concebido como uma instalação artística ao ar livre de grande escala - uma sinagoga flutuante que se elevará sobre a Lagoa de Veneza

De acordo com o conceito da artista, a estrutura aérea elevar-se-á 25 metros no ar e simboliza um refúgio sem limites territoriais e uma identidade que existe para além das fronteiras geográficas.

O título da instalação significa "um apelo em tempos de perigo". Na obra, Kamyshan alude à história da comunidade judaica em Veneza: no passado, não era permitida a construção de sinagogas no rés do chão dos edifícios, pelo que estas se situavam mais acima no espaço urbano. A artista interpreta esta história propondo a imagem de uma estrutura sagrada que se eleva literalmente acima da cidade.

A instalação será apresentada como parte do Yiddishland Pavilion - um projeto curatorial independente dedicado à cultura iídiche, à experiência da diáspora e às questões da mobilidade cultural. 

Após a apresentação na bienal, está previsto que a obra seja apresentada noutras cidades do mundo.

Anna Kamyshan é uma arquiteta, artista e investigadora do espaço urbano de Lviv. Anteriormente, foi Diretora do Departamento de Desenvolvimento Conceptual e Projetos de Investigação no Babyn Yar Holocaust Memorial Center. Antes disso, trabalhou em Moscovo durante sete anos, incluindo em projetos relacionados com o rio Moscovo.

Em 2023, uma investigação do Ukrainska Pravda revelou que a artista era companheira do oligarca russo Mikhail Fridman. Atualmente, não se sabe se o casal mantém a relação.

O regresso da Rússia à Bienal da Veneza está a causar polémica. A Ucrânia apelou à organização para que reconsidere a decisão e a Comissão Europeia ameaça cortar o financiamento de dois milhões de euros se o festival de arte permitir a participação da Rússia na edição deste ano, tal como foi anunciado na passada semana pela organização do festival de arte.

Oksana Zabloc'ka / 12 março 2026 19:00 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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