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Arranca julgamento do filho da princesa-herdeira da Noruega acusado de violação

Arranca julgamento do filho da princesa-herdeira da Noruega acusado de violação

Inicia-se esta terça-feira o julgamento de Marius Borg Høiby, que enfrenta 38 acusações, quatro delas por violação. O filho de Mette-Marit apresenta-se à justiça poucos dias depois de novos ficheiros Epstein terem associado a princesa norueguesa ao abusador sexual norte-americano.

RTP /
Marius Borg Høiby fotografado a 19 de janeiro de 2026, a caminho de uma reunião com o seu advogado. Foto: Heiko Junge - Reuters

O julgamento, que deverá decorrer ao longo de sete semanas, começa um ano e meio depois de Marius Borg Høiby ter sido detido pela autoridades norueguesas na sequência de um episódio violento com a namorada da altura, a quem destruiu o apartamento.

No início do processo judicial, em agosto de 2024, o filho da princesa-herdeira da Noruega Mette-Marit, enfrentava 32 acusações, quatro delas por violação, além de crimes por violência doméstica e captação de imagens de mulheres sem o seu consentimento.

A lista de imputações aumentou para 38 crimes após Marius se ter declarado culpado pelo transporte de 3,5 quilos de canábis, ocorrido em 2020.

O jovem de 29 anos assegura, no entanto, não ter monitorizado com a transação.

Ainda no passado domingo, em vésperas do início do seu julgamento pelo Tribunal Distrital de Oslo, Marius foi novamente preso, em circunstâncias semelhantes à da sua detenção inicial, por suspeitas de agressão, ameaças com faca e violação de uma ordem de restrição.

A polícia pediu prisão preventiva durante quatro semanas para o filho mais velho de Mette-Marit, mulher do futuro rei Haakon Magnus, depois da sua mais recente apreensão.

A decisão do Tribunal Distrital de Oslo ordenou a que Høiby comece a ser julgado sob custódio e assim deverá permanecer até dia 2 de março, um prazo que poderá ser encurtado por deliberação do tribunal ou do Ministério Público. A defesa do arguido já avançou que vai recorrer da sanção imposta.

Esta terça-feira, no arranque do julgamento, Marius Borg Høiby declarou-se inocente das quatro acusações de violação que lhe são imputadas, no momento em que estas foram proferidas em tribunal, segundo a emissora britânica BBC.

Segundo mesmo órgão de notícias, a defesa do réu afirma que o filho da princesa-herdeira nega todas as acusações mais graves, como abuso sexual e violência, tendo admitido alguns delitos mais leves.

Durante o processo judicial, o juíz do caso sublinhou a proibição de divulgar qualquer detalhe passível de identificar as quatro vítimas dos casos indiciados. O Tribunal Distrital de Oslo impôs também restrições à captação de imagens do réu, tanto dentro como fora do fórum.
Caso Epstein envolve mãe de Marius

Marius Borg Høiby enfrenta o escrutínio de um tribunal norueguês na mesma altura em que todos os olhos estão voltados para a sua mãe, após novos documentos do caso Epstein terem revelado uma relação de amizade entre Mette-Marit e o abusador sexual norte-americano.

Os arquivos do Departamento de Justiça dos EUA divulgados na sexta-feira incluíam quase mil menções à princesa e mostravam e-mails entre os dois durante o período de 2011 a 2014, quando Jeffrey Epstein encontrava-se já preso por crime de prostituição de menores.

O jovem de 29 vai a tribunal sozinho, tendo a família real adiantado que não irá comparecer no Tribunal Distrital de Oslo.

Marius Høiby é enteado do herdeiro do trono, o príncipe Haakon, fruto de um relacionamento anterior de Mette-Marit
, pelo que não possui qualquer título real ou funções oficiais.

O arguido deverá prestar o seu primeiro depoimento na próxima quarta-feira, naquele que é um dos julgamentos mais mediáticos da história da Noruega.
Parlamento apoia regime monárquico 

As controvérsias em torno da família real norueguesa trouxeram ao centro do debate político uma discussão e uma votação há muito previstas no parlamento do país. Esta terça-feira, o Stortinget deliberou sobre uma proposta de transição da Noruega para uma República, que acabou por ser rejeitada.

Apesar das polémicas recentes e de uma sondagem de opinião no país que revelou uma queda no apoio popular à realeza, o parlamento decidiu a seu favor. A votação terminou com uma esmagadora maioria dos deputados do Stortinget a apoiar a manutenção do regime monárquico na Noruega e a rejeitar a proposta de mudança.

Dos 169 membros do parlamento norueguês, apenas 26 votaram em prol do fim do reinado de Haroldo V e daqueles que o deverão seguir, segundo noticia a agência Reuters.

Os apoiantes da monarquia argumentam que este é o regime que traz mais estabilidade para o país por estar acima da política partidária. Já aqueles que apoiam a implementação de uma República no país refutam dizendo que o poder político é já responsabilidade do parlamento eleito e do Governo da Noruega. 

Os defensores da proposta política rejeitada esta terça-feira consideram, ainda, que a nomeação do líder de um país sob privilégio hereditário não é compatível com uma sociedade democrática.
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