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COVID-19
Assembleia Nacional francesa adota texto do passaporte de vacinação
A Assembleia Nacional francesa adotou esta quinta-feira o projeto de lei para introduzir o passaporte de vacinação em França, que veta o acesso a bares, restaurantes e locais públicos a quem não está vacinado contra a covid-19. Ao fim de três dias e duas noites, de debates os deputados aprovaram uma versão inicial do texto, que será agora analisado pelo Senado francês para poder entrar em vigor na próxima semana.
Anunciado em meados de dezembro de 2021 pelo Governo perante o crescente aumento de casos de covid-19, o texto foi aprovado por 214 votos a favor, 93 contra e 27 abstenções, após três dias de árduos debates que conduziram em duas ocasiões à suspensão da sessão. O projeto de lei irá agora para o Senado antes de regressar à Assembleia para adoção final, mas é pouco provável que seja promulgado até 15 de Janeiro, quando o Governo já estava a planear utilizá-lo.
“É uma coisa boa, não só para o Governo, mas para o país, para os franceses, para o combate à pandemia”, saudou o primeiro-ministro, Jean Castex, esta manhã à imprensa francesa.
Castex admitiu ainda “ter esperança” que o projeto de lei do passe vacina entre em vigor a 15 de janeiro, apesar do atraso na aprovação pela Assembleia Nacional.
“Não depende de nós”, recordou. “Vamos, como dizem, levar a discussão com o Senado para realmente tentar antecipar o máximo possível”.
Com esta nova medida, todas as pessoas com mais de 12 anos de idade terão de provar que estão vacinados para o acesso a atividades de lazer, restaurantes, feiras e transportes públicos, para os quais já não será possível apresentar um teste negativo, com exceção dos hospitais e instituições de saúde.
O diploma prevê ainda outras medidas, como a limitação de lotação de espaços públicos ou o agravamento das sanções impostas a quem apresentar falsos certificados de vacinação.
Longos debates, centenas de alterações e oposição de deputados
Esta nova lei, que devia ter chegado ao Senado na quarta-feira e entrar em vigor a 15 de janeiro, segundo o calendário estipulado pelo Governo, encontrou oposição na Assembleia Nacional. Os deputados dos diferentes grupos parlamentares apresentaram mais de 500 alterações, o que atrasou a votação e prolongou o debate pela noite dentro, dois dias consecutivos.
Além disso, depois de, numa entrevista, Emmanuel Macron ter afirmado que pretendia pressionar os não vacinados “irritando-os”, a oposição condenou a sua posição e, consequentemente, foi rejeitando o projeto do passe vacinal.
Na segunda-feira, durante o primeiro debate, os deputados da oposição aproveitaram a ausência da maioria para suspender a votação e impedi-la de entrar na noite. No final da terça-feira, a publicação de declarações do presidente francês despertou a raiva de muitos deputados, levando à suspensão da sessão.
Nessa noite, Jean-Luc Melenchon, líder do partido de extrema-esquerda França Insubmissa e candidato presidencial, acusou o Governo de ter lançado “um caos indiscritível” com as novas regras sanitárias, anunciando que o seu partido se iria opor à mudança do passe de vacinação.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro Jean Castex teve de intervir na abertura do debate para tentar acalmar as coisas.
“O que o presidente da República disse eu ouço em todo o lado e vocês sabem disso”, começou por dizer, ao dirigir-se aos parlamentares. “Há uma exasperação da parte dos nossos cidadãos ao verem toda uma forma de constrangimentos que lhes são impostos quando outros decidem libertar-se deles, (...) as palavras do presidente da República estão em perfeita sintonia com a nossa estratégia”.
Segundo Castex, é a “pequena minoria " de não vacinados que está a “fraturar a nação". Acrescentando: “Ser cidadão também significa ter deveres e relembrá-los, é tudo o que fazemos”.
“Constato com pesar que todos os motivos estão a ser usados para atrasar a aprovação [do passe vacinal]. Precisamos de fazer as coisas andarem novamente. Este texto é uma ferramenta importante na luta contra a pandemia, precisamos dele”, declarou o primeiro-ministro na quarta-feira.
Passe de vacinação em vez de vacinação obrigatória
Numa conferência de imprensa esta quinta-feira de manhã, após a aprovação do texto do passe vacinal, o primeiro-ministro admitiu que, embora tenha sido aprovado tardiamente pela Assembleia Nacional, espera que o Senado o reveja “o mais rápido possível” para que possa entrar em vigor na data prevista.
"Vou tentar ver se é possível antecipar o calendário de análise no Senado, já que a Assembleia Nacional compensou o atraso votando o texto ontem à noite”, afirmou Castex, citado pelo jornal Le Monde.
“Na sexta-feira, o Senado disse-me (…) que se o cronograma inicial da Assembleia Nacional tivesse sido respeitado, o Senado teria-o debatido esta semana. O cronograma foi alterado, ligeiramente alterado, o que levou o Senado a considerar a criação de uma comissão de análise para o início da próxima semana”, continuou, acrescentando que o Governo vai tentar antecipar a decisão do Senado o “mais rápido possível”.
Questionado pelos jornalistas se o Governo pretendia impor um prazo para a população se vacinar, o primeiro-ministro garantiu que isso “não está planeado nesta fase”, embora a situação epidemiológica atual no país seja “muito preocupante”.
Jean Castex defende a vacinação que permite "evitar formas graves" de doença e "reduzir" os contágios, contudo não considera que deva ser obrigatória.
“Acima de tudo, qual é o ponto central no combate a esta pandemia? É se podemos ter uma forma grave da doença”, explicou o seu ponto de vista.
Assim, na linha do chefe do Estado, o primeiro-ministro repetiu um argumento a favor da vacinação: “O assunto principal é todos estarem vacinados, porque assim os números são muito claros. Se alguém estiver positivo e for vacinado, o risco será vinte vezes menor”.
Mas, sobre a implementação do cartão de vacinação e não a obrigação de vacinação, que implicaria multas e penas em caso de não vacinação, o primeiro-ministro respondeu: “O objetivo é vacinar as pessoas. Não é trazer dinheiro para os cofres do Estado. "
Sobre as palavras de Emmanuel Macron, ao afirmar que "um irresponsável não é mais um cidadão", Jean Castex garantiu que, "os não vacinados continuam a ser cidadãos".
“Não brinquem com as palavras. (…) O que o Presidente da República quis dizer é que, quando se é cidadão da nossa bela República, temos direitos, mas também temos deveres. É a chamada cidadania, e o senso de responsabilidade”.
E fazendo uma analogia, o primeiro-ministro disse: “Às vezes irrito os meus filhos porque quero protegê-los. Porque eu quero que eles façam coisas que eles não querem fazer e mas que são necessárias. Veja os irmãos Bogdanoff, faz parte da minha juventude, morreram porque optaram por não se vacinar”.
“Ser cidadão é isso mesmo. Não podemos dizer que, aqui, por escolha minha, embolizo os serviços de reanimação, coloco o sistema de cuidados no tapete, contamino o meu vizinho”, continuou.
Se por um lado acredita que "o tempo passa e de facto torna estes comportamentos irresponsáveis cada vez mais insuportáveis", por outro afirma que o Governo "continuará a estender a mão a estes, para os convencer, para garantir que tenham acesso à vacinação. Por todos os meios".
Durante a última semana, o país bateu todos os recordes de contaminação por coronavírus. Na terça-feira, foram confirmados 332.252 novos casos, enquanto cerca de cinco milhões de pessoas ainda não foram vacinadas.
As hospitalizações estão também a aumentar: foram admitidos 20.688 pacientes, mais 502 num dia, dos quais 3.695 estão em UCI.
“É uma coisa boa, não só para o Governo, mas para o país, para os franceses, para o combate à pandemia”, saudou o primeiro-ministro, Jean Castex, esta manhã à imprensa francesa.
Castex admitiu ainda “ter esperança” que o projeto de lei do passe vacina entre em vigor a 15 de janeiro, apesar do atraso na aprovação pela Assembleia Nacional.
“Não depende de nós”, recordou. “Vamos, como dizem, levar a discussão com o Senado para realmente tentar antecipar o máximo possível”.
Com esta nova medida, todas as pessoas com mais de 12 anos de idade terão de provar que estão vacinados para o acesso a atividades de lazer, restaurantes, feiras e transportes públicos, para os quais já não será possível apresentar um teste negativo, com exceção dos hospitais e instituições de saúde.
O diploma prevê ainda outras medidas, como a limitação de lotação de espaços públicos ou o agravamento das sanções impostas a quem apresentar falsos certificados de vacinação.
Longos debates, centenas de alterações e oposição de deputados
Esta nova lei, que devia ter chegado ao Senado na quarta-feira e entrar em vigor a 15 de janeiro, segundo o calendário estipulado pelo Governo, encontrou oposição na Assembleia Nacional. Os deputados dos diferentes grupos parlamentares apresentaram mais de 500 alterações, o que atrasou a votação e prolongou o debate pela noite dentro, dois dias consecutivos.
Além disso, depois de, numa entrevista, Emmanuel Macron ter afirmado que pretendia pressionar os não vacinados “irritando-os”, a oposição condenou a sua posição e, consequentemente, foi rejeitando o projeto do passe vacinal.
Na segunda-feira, durante o primeiro debate, os deputados da oposição aproveitaram a ausência da maioria para suspender a votação e impedi-la de entrar na noite. No final da terça-feira, a publicação de declarações do presidente francês despertou a raiva de muitos deputados, levando à suspensão da sessão.
Nessa noite, Jean-Luc Melenchon, líder do partido de extrema-esquerda França Insubmissa e candidato presidencial, acusou o Governo de ter lançado “um caos indiscritível” com as novas regras sanitárias, anunciando que o seu partido se iria opor à mudança do passe de vacinação.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro Jean Castex teve de intervir na abertura do debate para tentar acalmar as coisas.
“O que o presidente da República disse eu ouço em todo o lado e vocês sabem disso”, começou por dizer, ao dirigir-se aos parlamentares. “Há uma exasperação da parte dos nossos cidadãos ao verem toda uma forma de constrangimentos que lhes são impostos quando outros decidem libertar-se deles, (...) as palavras do presidente da República estão em perfeita sintonia com a nossa estratégia”.
Segundo Castex, é a “pequena minoria " de não vacinados que está a “fraturar a nação". Acrescentando: “Ser cidadão também significa ter deveres e relembrá-los, é tudo o que fazemos”.
“Constato com pesar que todos os motivos estão a ser usados para atrasar a aprovação [do passe vacinal]. Precisamos de fazer as coisas andarem novamente. Este texto é uma ferramenta importante na luta contra a pandemia, precisamos dele”, declarou o primeiro-ministro na quarta-feira.
Passe de vacinação em vez de vacinação obrigatória
Numa conferência de imprensa esta quinta-feira de manhã, após a aprovação do texto do passe vacinal, o primeiro-ministro admitiu que, embora tenha sido aprovado tardiamente pela Assembleia Nacional, espera que o Senado o reveja “o mais rápido possível” para que possa entrar em vigor na data prevista.
"Vou tentar ver se é possível antecipar o calendário de análise no Senado, já que a Assembleia Nacional compensou o atraso votando o texto ontem à noite”, afirmou Castex, citado pelo jornal Le Monde.
“Na sexta-feira, o Senado disse-me (…) que se o cronograma inicial da Assembleia Nacional tivesse sido respeitado, o Senado teria-o debatido esta semana. O cronograma foi alterado, ligeiramente alterado, o que levou o Senado a considerar a criação de uma comissão de análise para o início da próxima semana”, continuou, acrescentando que o Governo vai tentar antecipar a decisão do Senado o “mais rápido possível”.
Questionado pelos jornalistas se o Governo pretendia impor um prazo para a população se vacinar, o primeiro-ministro garantiu que isso “não está planeado nesta fase”, embora a situação epidemiológica atual no país seja “muito preocupante”.
Jean Castex defende a vacinação que permite "evitar formas graves" de doença e "reduzir" os contágios, contudo não considera que deva ser obrigatória.
“Acima de tudo, qual é o ponto central no combate a esta pandemia? É se podemos ter uma forma grave da doença”, explicou o seu ponto de vista.
Assim, na linha do chefe do Estado, o primeiro-ministro repetiu um argumento a favor da vacinação: “O assunto principal é todos estarem vacinados, porque assim os números são muito claros. Se alguém estiver positivo e for vacinado, o risco será vinte vezes menor”.
Mas, sobre a implementação do cartão de vacinação e não a obrigação de vacinação, que implicaria multas e penas em caso de não vacinação, o primeiro-ministro respondeu: “O objetivo é vacinar as pessoas. Não é trazer dinheiro para os cofres do Estado. "
Sobre as palavras de Emmanuel Macron, ao afirmar que "um irresponsável não é mais um cidadão", Jean Castex garantiu que, "os não vacinados continuam a ser cidadãos".
“Não brinquem com as palavras. (…) O que o Presidente da República quis dizer é que, quando se é cidadão da nossa bela República, temos direitos, mas também temos deveres. É a chamada cidadania, e o senso de responsabilidade”.
E fazendo uma analogia, o primeiro-ministro disse: “Às vezes irrito os meus filhos porque quero protegê-los. Porque eu quero que eles façam coisas que eles não querem fazer e mas que são necessárias. Veja os irmãos Bogdanoff, faz parte da minha juventude, morreram porque optaram por não se vacinar”.
Nas palavras de Castex, para além desta escolha pessoal “a população deve ser responsável e unida”.
Se por um lado acredita que "o tempo passa e de facto torna estes comportamentos irresponsáveis cada vez mais insuportáveis", por outro afirma que o Governo "continuará a estender a mão a estes, para os convencer, para garantir que tenham acesso à vacinação. Por todos os meios".
Durante a última semana, o país bateu todos os recordes de contaminação por coronavírus. Na terça-feira, foram confirmados 332.252 novos casos, enquanto cerca de cinco milhões de pessoas ainda não foram vacinadas.
As hospitalizações estão também a aumentar: foram admitidos 20.688 pacientes, mais 502 num dia, dos quais 3.695 estão em UCI.