Associação preocupada com silêncio de Portugal sobre fecho de jornal em Macau
Uma associação de profissionais da comunicação social demonstrou hoje preocupação com o silêncio de Portugal face ao anúncio do encerramento do jornal `online` e publicação mensal impressa All About Macau.
A Sociedade de Jornalistas e Profissionais da Comunicação Europeus na Ásia (JOCPA) manifestou "profunda preocupação com o silêncio das autoridades e das instituições internacionais --- incluindo Portugal e a União Europeia" (UE).
Lisboa e Bruxelas "têm a responsabilidade moral e histórica de defender o Estado de direito e os direitos fundamentais, incluindo a liberdade de imprensa e de expressão", defendeu o presidente da JOCPA, Josep Solano, citado num comunicado.
Macau, que esteve sob administração portuguesa durante mais de 400 anos, passou em 1999 para a administração chinesa, sob um acordo que previa que a região deveria manter os direitos e liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de imprensa, durante os primeiros 50 anos.
"A liberdade de imprensa em Macau é também uma preocupação europeia: defendê-la significa manter vivo o espírito de cooperação, pluralismo e respeito pelos direitos fundamentais que a UE afirma representar", acrescentou a JOCPA.
O All About Macau anunciou na quinta-feira que vai encerrar devido a "pressões crescentes", falta de recursos e por processos judiciais no território semi-autonómo chinês contra três dos seus jornalistas.
"Confrontada com recursos cada vez mais escassos, pressão externa crescente e jornalistas envolvidos em processos judiciais, a equipa tem cada vez mais dificuldade em manter os seus padrões", explicou, indicando que este mês sairá a última publicação mensal impressa e a partir de 20 de dezembro é colocado um ponto final no `site` e na atividade nas redes sociais.
Numa publicação na rede social Facebook, o All About Macau lembrou que "desde outubro do ano passado" que "certos eventos oficiais têm restringido a participação dos jornalistas na sua cobertura".
Já em abril deste ano a "publicação foi novamente impedida de cobrir a Assembleia Legislativa", com três dos seus jornalistas a "enfrentarem acusações de crimes relacionados com este incidente", podendo "ser sujeitos a um processo criminal", acrescentou o `media`.
A polícia deteve a 17 de abril duas jornalistas do All About Macau, por "perturbação do funcionamento de órgãos" do território, quando tentavam entrar no salão do parlamento local para assistir à apresentação do programa político na área da Administração e Justiça para este ano.
A Polícia de Segurança Pública remeteu no mesmo dia o caso para o Ministério Público.
Também hoje, o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) defendeu que as autoridades da região "devem deixar de perseguir" o All About Macau e restaurar o registo da jornal `online` e publicação mensal impressa.
"O encerramento do All About Macau é um golpe para a liberdade de imprensa e prejudica gravemente o direito do público à informação independente. É um indício da rápida deterioração do ambiente mediático em Macau", lamentou a coordenadora para a Ásia do CPJ, Beh Lih Yi.