Ataques a petroleiros. Arábia Saudita exige resposta "rápida e decisiva"

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“Deve haver uma resposta rápida e decisiva às ameaças sobre o aprovisionamento energético”, afirmou o ministro saudita da Energia, Khalid al-Falih
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O ministro saudita da Energia, Khalid al-Falih, instou este sábado a uma “resposta rápida e decisiva” ao que descreveu como ameaças ao “aprovisionamento energético, à estabilidade dos mercados e à confiança dos consumidores”, na sequência das acusações e contra-acusações sobre ataques a petroleiros no Golfo de Omã. A Administração norte-americana continua a apontar o Irão como responsável por estas ações.

Na passada quinta-feira, o navio japonês Kokuka Courageous, que transportava metanol no mar de Omã, perto do estreito de Ormuz, foi sacudido por explosões, que terão provocado um incêndio. As chamas foram rapidamente apagadas. Um segundo petroleiro carregado de nafta, o Front Altair, propriedade de um armador de Chipre com origem norueguesa, viveu uma situação semelhante.O estreito de Ormuz é uma artéria crucial de navegação que liga os produtores de petróleo do Médio Oriente aos mercados asiático, europeu e norte-americano.


Nenhum destes aparentes ataques foi reivindicado. Mas a Administração Trump apressou-se a atribuir responsabilidades ao Irão, chegando mesmo a publicar um vídeo para ilustrar estas acusações.

O Presidente dos Estados Unidos afirmaria mesmo que as ações no Golfo de Omã comportavam a marca da República Islâmica. Debaixo de pressão acrescida por parte de Washington, secundada pelo Governo britânico, mas também pelos sauditas, o regime iraniano tem rebatido repetidamente todas as acusações, que considera “sem fundamento”.

Este sábado o ministro saudita da Energia acrescentou combustível à fogueira da tensão regional, ao defender “uma resposta rápida e decisiva à ameaça ao aprovisionamento energético, à estabilidade dos mercados e à confiança dos consumidores”.

Em mensagem reproduzida na conta do Ministério da Energia da Arábia Saudita no Twitter, Khalid al-Falih aponta o que descreve como “atos terroristas tanto no Mar Arábico como no Golfo Pérsico”.


Al Falih pronunciou-se assim durante uma reunião dos ministros da Energia do G20 no Japão.

O governante saudita havia já exprimido preocupação, nos últimos dias, com a segurança do estreito de Ormuz, por onde passam 35 por cento das exportações marítimas de petróleo. O cenário de um bloqueio desta passagem pela mão das forças iranianas tem sido invocado, em Teerão, como uma das possíveis respostas a uma eventual ofensiva militar dos Estados Unidos.
O dossier nuclear

A par da escalada da tensão, a diplomacia europeia mantém abertos os canais de diálogo com o Governo do Irão em matéria nuclear. O ministro-adjunto iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, recebeu este sábado, em Teerão, Helga Schmidt, adjunta da alta representante para a Política Externa da União, Federica Mogherini.O Governo iraniano convocou este sábado o embaixador britânico em Teerão, depois de Londres ter cerrado fileiras com Trump nas acusações ao regime.


A sobrevivência do acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear do regime, dinamitado pelos Estados Unidos em maio de 2018, pela mão de Donald Trump, foi um dos objetos das conversações, segundo a agência oficial Irna. Assim como outras “questões regionais e internacionais”.

Nos termos do acordo assinado há quatro anos em Viena, sob os auspícios da Presidência de Barack Obama, o Irão comprometeu-se a pôr de parte quaisquer ambições relacionadas com armamento nuclear a anuiu a limitações de fundo do seu programa energético. Em troca, viu cair parte das sanções internacionais.



A 8 de maio deste ano, Teerão dava dois meses aos restantes signatários do acordo – Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia – para que contornassem o regresso das sanções dos Estados Unidos, acenando com um afastamento progressivo da letra do pacto.

O aviso foi repetido este sábado pelo Presidente iraniano, Hassan Rouhani, durante uma conferência no Tajiquistão, perante os líderes da Rússia, da China e de outros países asiáticos. Ocasião para consolidar, ao lado de Vladimir Putin, os laços económicos e comerciais entre Teerão e Moscovo.

Num claro sinal da inquietação entre as chancelarias internacionais, a capital iraniana recebeu, nos últimos dias, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Também este sábado, uma delegação da Assembleia Nacional francesa, encabeçada pela presidente da comissão dos Negócios Estrangeiros, Marielle de Sarnez, avistou-se, em Teerão, com a Comissão de Segurança Nacional e Negócios Estrangeiros do Parlamento iraniano.

c/ agências

Tópicos:

Arábia Saudita, Estados Unidos, Estreito, Golfo de Omã, Irão, Navios, Ormuz, Petroleiros, Teerão,

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