Mundo
Atividade humana ajuda 2025 a tornar-se um dos anos mais quentes de sempre
O aumento da poluição causada pelos combustíveis fósseis agravou substancialmente as alterações climáticas e definiu o ano passado como um dos mais quentes desde que há registos.
A intensificação da poluição associada à queima de carvão, petróleo e gás empurrou as temperaturas globais para níveis excecionais, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o serviço europeu Copernicus.
O ano de 2025 entrou para a história climática como o terceiro mais quente de sempre, segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgados pelo jornal britânico The Guardian. Janeiro liderou a tabela como o mês mais quente.A temperatura média global em 2025 situou-se 1,44 graus celcius acima do período pré-industrial, de acordo com a Responsável pela Estratégia do Clima, Samantha Burgess, numa análise aos gráficos dos últimos 80 anos.
Na Europa, o cenário não foi diferente. O continente registou o terceiro ano mais quente de sempre, com março a destacar-se como o mês mais quente de que há registo. Para os especialistas, este valor reflete sobretudo o aquecimento estrutural do planeta, e não fenómenos naturais de curta duração.
Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitorização da Atmosférica de Copernicus - programa que monitoriza o planeta- afirmou que os dados do ano passado “mostram claramente que a atividade humana continua a ser o fator dominante por trás das temperaturas excecionais”, sublinhando que a atmosfera está a responder diretamente ao aumento das emissões de carbono provenientes da energia, dos transportes e da indústria.Ao contrário dos anos 2023 e 2024, o ano passado foi menos influenciado por padrões naturais como o El Niño- fenómeno natural que consiste no sob aquecimento do mar.
Tim Osborn, diretor da Unidade de Investigação Climática da Universidade em Inglaterra, explicou que o fenómeno El Niño acrescentou cerca de 0,1 graus Celcius às temperaturas globais nos dois anos anteriores, mas essa influência enfraqueceu em 2025. “Isso significa que a temperatura observada em 2025 oferece uma imagem mais clara do aquecimento subjacente causado pelo ser humano”, disse.
Outro fator apontado pelos especialistas é a redução dos aerossóis poluentes que antes ajudavam a mascarar parte do aquecimento global ao refletir a radiação solar. Alexandra Sofia Costa - Antena 1
A diminuição desses poluentes, aliada ao aumento contínuo das emissões de gases com efeito de estufa, contribuiu para que o calor acumulado na atmosfera se tornasse ainda mais evidente.A persistência deste aquecimento causada por mão humana levou a Organização Meteorológica Mundial a confirmar uma sequência de três anos consecutivos de temperaturas globais extraordinárias, com médias próximas de 1,5 graus celcius acima dos níveis pré-industriais.
Para o diretor do Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus, Carlo Buontempo, os dados deixam pouco espaço para dúvidas. “Estamos destinados a ultrapassar o limite de 1,5 graus celcius. A escolha agora é como gerir o excesso inevitável e as suas consequências”, disse.
Também Bill McGuire, professor numa Universidade de Londres, referiu que “de qualquer forma que se olhe, já chegou uma perigosa crise climática, mas com poucos indícios de que o mundo esteja preparado ou sequer a dar a devida atenção ao problema.”
Apesar do crescimento das energias renováveis, as emissões globais continuam a subir dez anos após o Acordo de Paris de 2015, o tratado internacional que une muitos países na luta contra as alterações climáticas, tendo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus celcius.
“A atmosfera está a enviar-nos uma mensagem”
O “calor anormal” é em grande parte o resultado de uma camada de poluição de carbono que sufoca a Terra, agravando a maioria dos eventos climáticos extremos, que ajudaram a criar incêndios florestais de enormes proporções.
“A atmosfera está a enviar-nos uma mensagem e precisamos ouvi-la”, referiu Laurence Rouil.
Também a Antártida registou o ano mais quente e o Ártico, o segundo mais quente, segundo o jornal The Guardian.Ao longo do ano de 2025, “metade da superfície terrestre do planeta experimentou mais dias do que a média com, pelo menos, stress térmico forte, quando a sensação térmica ultrapassa os 32 graus Celcius”.
É estimado que 8,5 por cento da população mundial viva em áreas que registaram temperaturas médias anuais recorde no ano passado, segundo a Berkeley Earth, uma organização americana de investigação climática. Os cientistas afirmam que é provável um calor semelhante para este ano.De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), 2025 também figurou entre os cinco anos mais quentes de sempre para Portugal Continental, um sinal claro de como as tendências globais estão também a espelhar-se a nível nacional.
Paralelamente, apesar deste calor recorde, o ano também ficou entre os mais chuvosos registados no país- um lembrete de que as alterações climáticas não se traduzem apenas em mais calor, mas também em padrões climáticos extremos e imprevisíveis.
O ano de 2025 entrou para a história climática como o terceiro mais quente de sempre, segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgados pelo jornal britânico The Guardian. Janeiro liderou a tabela como o mês mais quente.A temperatura média global em 2025 situou-se 1,44 graus celcius acima do período pré-industrial, de acordo com a Responsável pela Estratégia do Clima, Samantha Burgess, numa análise aos gráficos dos últimos 80 anos.
Na Europa, o cenário não foi diferente. O continente registou o terceiro ano mais quente de sempre, com março a destacar-se como o mês mais quente de que há registo. Para os especialistas, este valor reflete sobretudo o aquecimento estrutural do planeta, e não fenómenos naturais de curta duração.
Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitorização da Atmosférica de Copernicus - programa que monitoriza o planeta- afirmou que os dados do ano passado “mostram claramente que a atividade humana continua a ser o fator dominante por trás das temperaturas excecionais”, sublinhando que a atmosfera está a responder diretamente ao aumento das emissões de carbono provenientes da energia, dos transportes e da indústria.Ao contrário dos anos 2023 e 2024, o ano passado foi menos influenciado por padrões naturais como o El Niño- fenómeno natural que consiste no sob aquecimento do mar.
Tim Osborn, diretor da Unidade de Investigação Climática da Universidade em Inglaterra, explicou que o fenómeno El Niño acrescentou cerca de 0,1 graus Celcius às temperaturas globais nos dois anos anteriores, mas essa influência enfraqueceu em 2025. “Isso significa que a temperatura observada em 2025 oferece uma imagem mais clara do aquecimento subjacente causado pelo ser humano”, disse.
Outro fator apontado pelos especialistas é a redução dos aerossóis poluentes que antes ajudavam a mascarar parte do aquecimento global ao refletir a radiação solar. Alexandra Sofia Costa - Antena 1
A diminuição desses poluentes, aliada ao aumento contínuo das emissões de gases com efeito de estufa, contribuiu para que o calor acumulado na atmosfera se tornasse ainda mais evidente.A persistência deste aquecimento causada por mão humana levou a Organização Meteorológica Mundial a confirmar uma sequência de três anos consecutivos de temperaturas globais extraordinárias, com médias próximas de 1,5 graus celcius acima dos níveis pré-industriais.
Para o diretor do Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus, Carlo Buontempo, os dados deixam pouco espaço para dúvidas. “Estamos destinados a ultrapassar o limite de 1,5 graus celcius. A escolha agora é como gerir o excesso inevitável e as suas consequências”, disse.
Também Bill McGuire, professor numa Universidade de Londres, referiu que “de qualquer forma que se olhe, já chegou uma perigosa crise climática, mas com poucos indícios de que o mundo esteja preparado ou sequer a dar a devida atenção ao problema.”
Apesar do crescimento das energias renováveis, as emissões globais continuam a subir dez anos após o Acordo de Paris de 2015, o tratado internacional que une muitos países na luta contra as alterações climáticas, tendo o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 graus celcius.
“A atmosfera está a enviar-nos uma mensagem”
O “calor anormal” é em grande parte o resultado de uma camada de poluição de carbono que sufoca a Terra, agravando a maioria dos eventos climáticos extremos, que ajudaram a criar incêndios florestais de enormes proporções.
“A atmosfera está a enviar-nos uma mensagem e precisamos ouvi-la”, referiu Laurence Rouil.
Também a Antártida registou o ano mais quente e o Ártico, o segundo mais quente, segundo o jornal The Guardian.Ao longo do ano de 2025, “metade da superfície terrestre do planeta experimentou mais dias do que a média com, pelo menos, stress térmico forte, quando a sensação térmica ultrapassa os 32 graus Celcius”.
É estimado que 8,5 por cento da população mundial viva em áreas que registaram temperaturas médias anuais recorde no ano passado, segundo a Berkeley Earth, uma organização americana de investigação climática. Os cientistas afirmam que é provável um calor semelhante para este ano.De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), 2025 também figurou entre os cinco anos mais quentes de sempre para Portugal Continental, um sinal claro de como as tendências globais estão também a espelhar-se a nível nacional.
Paralelamente, apesar deste calor recorde, o ano também ficou entre os mais chuvosos registados no país- um lembrete de que as alterações climáticas não se traduzem apenas em mais calor, mas também em padrões climáticos extremos e imprevisíveis.