Mundo
Áustria e Turquia em rota de colisão
O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, acusou esta sexta-feira a Áustria de ser a "capital do racismo radical", depois de o chanceler austríaco, Christian Kern, ter classificado na véspera de "ficção" as conversações sobre a adesão da Turquia ao bloco, propondo aos líderes europeus um debate sobre o tema.
Em entrevista à TGRT Haber, Cavusoglu afirmou que os comentários austríacos eram "feios" e rejeitou-os a todos, acusando a Áustria de racismo.
O homólogo austríaco de Cavusoglu, Sebastian Kurz, recomendou a Ancara que "modere" as suas palavras.
"Rejeito as críticas à Áustria feitas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Pedimos a Ancara que modere a sua escolha de palavras e as suas ações (internas), assim como que faça o seu trabalho de casa", citou um porta-voz de Kurz.
"Ficção"
As relações da Turquia com a União Europeia têm vindo a azedar desde o golpe de Estado de 15 de julho. Mais de 12 mil pessoas foram já detidas sob a acusação de apoio ao golpe, ou de colaborar com os golpistas, e a União Europeia pediu ao Governo turco moderação na perseguição aos acusados. No total, 60.000 pessoas foram já afastadas dos seus cargos públicos, detidas, suspensas ou colocadas sob investigação, por alegadas ligações ao clérigo Fetullah Gülen.
Esta sexta-feira foi a vez de serem afastados 167 membros do Conselho de Investigação Científica e Teconológica da Turquia, de acordo com a televisão estatal citando o ministro da Indústria, Faruk Ozlu.
Ancara reagiu com azedume às críticas europeias. "Aqueles que imaginávamos serem nossos amigos tomam o partido dos golpistas e dos terroristas", acusou terça-feira o Presidente Recep Tayyip Erdogan. O Governo turco tem ainda dado sinais de que poderá abandonar o acordo com a UE que retém na Turquia milhares de imigrantes desejosos de chegar à Europa.
Na quinta-feira o chanceler austríaco mostrou-se irritado com a atitude. "Não nos deixaremos intimidar", avisou Kern. "Devemos enfrentar a realidade: as negociações de adesão não são mais do que ficção", acrescentou.

"As normas democráticas turcas estão longe de ser suficientes para justificar a sua adesão", disse, propondo abordar a questão das conversações de adesão da Turquia no próximo Conselho Europeu, a 16 de setembro.
O ministro da Defesa da Áustria, Hans-Peter Doskozil, comparou por seu lado o atual Governo turco a uma "ditadura" e recomendou que as conversações de adesão "sejam suspensas ou parem".
"Erro grave"
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já avisou contudo que o rompimento das negociações da adesão da Turquia seria um "erro grave".
"Neste momento, se dermos a impressão à Turquia de que, seja qual foi a situação, a União Europeia não está pronta a aceitar a Turquia no seu seio, isso seria quanto a mim um erro grave de política estrangeira", disse numa entrevista à televisão ARD, que deverá ser transmitida domingo e da qual já foram publicados excertos.
"Não vejo o que poderá advir de assinalarmos unilateralmente à Turquia que as negociações terminaram", disse Juncker, apesar de sublinhar que a Turquia está muito longe da integração europeia devido, particularmente, à repressão após o golpe de 15 de julho.
"No seu estado atual, a Turquia não pode tornar-se membro da União Europeia, sobretudo se faz aquilo que certos exigem, em relação ao re-estabelecimento da pena de morte", como já admitiu Erdogan.
O homólogo austríaco de Cavusoglu, Sebastian Kurz, recomendou a Ancara que "modere" as suas palavras.
"Rejeito as críticas à Áustria feitas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Pedimos a Ancara que modere a sua escolha de palavras e as suas ações (internas), assim como que faça o seu trabalho de casa", citou um porta-voz de Kurz.
"Ficção"
As relações da Turquia com a União Europeia têm vindo a azedar desde o golpe de Estado de 15 de julho. Mais de 12 mil pessoas foram já detidas sob a acusação de apoio ao golpe, ou de colaborar com os golpistas, e a União Europeia pediu ao Governo turco moderação na perseguição aos acusados. No total, 60.000 pessoas foram já afastadas dos seus cargos públicos, detidas, suspensas ou colocadas sob investigação, por alegadas ligações ao clérigo Fetullah Gülen.
Esta sexta-feira foi a vez de serem afastados 167 membros do Conselho de Investigação Científica e Teconológica da Turquia, de acordo com a televisão estatal citando o ministro da Indústria, Faruk Ozlu.
Ancara reagiu com azedume às críticas europeias. "Aqueles que imaginávamos serem nossos amigos tomam o partido dos golpistas e dos terroristas", acusou terça-feira o Presidente Recep Tayyip Erdogan. O Governo turco tem ainda dado sinais de que poderá abandonar o acordo com a UE que retém na Turquia milhares de imigrantes desejosos de chegar à Europa.
Na quinta-feira o chanceler austríaco mostrou-se irritado com a atitude. "Não nos deixaremos intimidar", avisou Kern. "Devemos enfrentar a realidade: as negociações de adesão não são mais do que ficção", acrescentou.
"As normas democráticas turcas estão longe de ser suficientes para justificar a sua adesão", disse, propondo abordar a questão das conversações de adesão da Turquia no próximo Conselho Europeu, a 16 de setembro.
O ministro da Defesa da Áustria, Hans-Peter Doskozil, comparou por seu lado o atual Governo turco a uma "ditadura" e recomendou que as conversações de adesão "sejam suspensas ou parem".
"Erro grave"
O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já avisou contudo que o rompimento das negociações da adesão da Turquia seria um "erro grave".
"Neste momento, se dermos a impressão à Turquia de que, seja qual foi a situação, a União Europeia não está pronta a aceitar a Turquia no seu seio, isso seria quanto a mim um erro grave de política estrangeira", disse numa entrevista à televisão ARD, que deverá ser transmitida domingo e da qual já foram publicados excertos.
"Não vejo o que poderá advir de assinalarmos unilateralmente à Turquia que as negociações terminaram", disse Juncker, apesar de sublinhar que a Turquia está muito longe da integração europeia devido, particularmente, à repressão após o golpe de 15 de julho.
"No seu estado atual, a Turquia não pode tornar-se membro da União Europeia, sobretudo se faz aquilo que certos exigem, em relação ao re-estabelecimento da pena de morte", como já admitiu Erdogan.