"Avô da observação" desaparece. Pioneiro satélite europeu precipita-se para a Terra

por Inês Geraldo - RTP
Agência Europeia Espacial anunciou que um dos primeiros satélites que lançou vai voltar à terra Reuters

O satélite ERS-2 foi lançado em 1995 e tornou-se um pioneiro para muitas das tecnologias que hoje monitorizam o planeta Terra. Quase 30 anos depois do lançamento, o chamado “satélite avô” está a começar a descer em direção à atmosfera. A Agência Espacial Europeia explicou que o satélite vai destruir-se quase na sua totalidade durante a descida, que não vai ser controlada.

Alguns dos destroços vão conseguir aguentar as altas temperaturas durante a descida, mas as hipóteses de atingirem áreas habitadas são reduzidas.

“Vale a pena esclarecer que nenhum dos elementos que estão a reentrar na atmosfera [e vão chegar à superfície] são radioativos ou tóxicos”, explicou um dos membros de um dos observatórios da Agência Europeia Espacial, Mirko Albani.

A Agência Espacial Europeia lançou durante os anos 90 dois satélites semelhantes. Na altura tratava-se de tecnologia de ponta que conseguia perceber mudanças em terra, ar e nos oceanos. Foram monitorizadas cheias, temperaturas continentais e oceânicas, icebergues e sismos. As duas máquinas foram batizadas de “avós da observação da Terra na Europa”.

Ralph Cordey, observador da Airbus Earth, afirmou à BBC que os ERS são os pioneiros dos satélites europeus que foram lançados ao longo das últimas décadas.

“Em termos de tecnologia, podemos traçar uma linha direta entre os ERS e todos os satélites Copernicus/Sentinel que monitorizam hoje o planeta Terra. Os ERS foi o início de tudo”.
Antena sintética

O ERS-2 vai ser o primeiro satélite da dupla a regressar a casa. Foi colocado 780 quilómetros acima da terra e as últimas reservas de combustível levaram-no para os 570 quilómetros, em 2011. A expectativa era de que a parte superior da atmosfera arrastasse o satélite para a sua destruição em menos de 15 anos. Esta quarta-feira, regressa. Onde e quando é mais difícil de precisar.A ESA revelou que poucos destroços irão realmente chegar à superfície da terra e o que é mais provável de chegar é uma antena sintética, construída no Reino Unido, construída com fibra de carbono.

As novas normas para os destroços no espaço são agora mais cuidadosas e os satélites são construídos já com combustível e capacidade suficientes para sair de órbita. Isto também acontece devido ao maior risco de colisões entre satélites no espaço.

A Secure World Foundation, grupo que zela pela sustentabilidade no uso do espaço, e a LeoLabs, empresa norte-americana que monitoriza destroços no espaço, emitiram um comunicado a pedir que aparelhos redundantes sejam retirados de órbita.

“A acumulação de objetos massivos na órbita baixa da Terra continua sem ter solução. Vinte e oito por cento dos objetos lançados para órbita continuam lá desde a mudança do século. Essa aglomeração de massa são uma ameaça para os novos satélites que estão a alimentar a economia global espacial”
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