Banco Central Europeu só garante apoio a bancos de Chipre até segunda-feira

O Banco Central Europeu anunciou que manterá até segunda-feira o apoio de emergência aos bancos de Chipre e avisou que a ajuda será suspensa depois dessa altura, se não houver entretanto acordo sobre um programa internacional de resgate. O “ultimato” do BCE surge no momento em que os líderes políticos cipriotas se desdobram em negociações para tentar obter apoio para um “plano B” que sirva de alternativa ao negociado com o Eurogrupo e que foi rejeitado terça-feira no Parlamento de Nicósia.

RTP /
Katia Christodoulou,EPA

O Conselho de Governadores do BCE decidiu manter até segunda-feira o programa de “Assistência Líquida de Emergência” com que tem vindo a manter à tona o sistema bancário de Chipre. Depois disso, a instituição sediada em Frankfurt diz que a referida assistência só poderá ser considerada se estiver de pé um programa da União Europeia e do FMI que permita assegurar a solvência dos bancos.
Sem o BCE, dinheiro não chega para uma semana
Se o BCE cumprir a ameaça, o Chipre entrará imediatamente em bancarrota já que, segundo afirma o próprio Ministério da Economia de Nicósia, sem o fluxo de liquidez fornecido pelo BCE o dinheiro não durará sequer uma semana.

Desde 2011 que a banca de Chipre é subsidiada em maior ou menor medida pelo Banco Central Europeu. A situação piorou em 2012 quando se aplicou o perdão parcial da dívida da Grécia, um dos grandes ativos em que investiam os bancos cipriotas. Outra das atividades que também sofreu foi a dos empréstimos às empresas gregas, que, como se sabe, atravessam uma fase muito complicada.
Bancos cipriotas fechados até terça-feira
Para já, os bancos estão fechados até terça-feira. Na sequência do pânico provocado pela anunciada taxa aos depósitos exigida pelo Eurogrupo, as autoridades limitaram-se a dispensar quantidades de dinheiro limitadas através dos multibancos, mas suspenderam todas as transferências eletrónicas e pagamentos pela Internet.

É neste contexto quase apocalíptico que o Presidente de Chipre e os líderes políticos estão a tentar negociar o apoio a um plano alternativo que permita obter 5,8 mil milhões de euros. Foi essa a condição que os credores internacionais, liderados pelo BCE e pela Alemanha, exigiram para emprestar dez mil milhões de euros a título de resgate e assim evitar a bancarrota do país.
Novo plano prevê alternativas para obter dinheiro
Depois de ter sido chumbado no Parlamento o plano inicial que previa uma taxa de até 10 por cento sobre os depósitos bancários, o esquema que agora está em cima da mesa prevê uma taxa menor sobre os depósitos para aliviar o impacto sobre os pequenos aforradores bem como a restruturação dos setor bancário do país.

O novo plano prevê também ir buscar dinheiro a fontes nacionais, como fundos de pensões e subsidiárias dos bancos estrangeiros que têm atividade em Chipre.

A Rússia poderá também contribuir mas, segundo fontes cipriotas, a contribuição e Moscovo poderá ser menor do que a que estava prevista inicialmente. Quase um terço dos depósitos bancários em Chipre são pertença de russos.
A incógnita russa
O ministro cipriota das Finanças, Michalis Sarris, está na capital russa desde terça-feira para tentar celebrar um acordo e deverá manter mais conversações com o seu homólogo Anton Siluanov.

“Estamos a discutir as questões do gás, cooperação bancárias e outros tópicos”, disse Sarris, citado pela agência ITAR-Tass.

O Chipre descobriu recentemente depósitos de gás significativos no subsolo das águas territoriais da ilha e várias grandes companhias internacionais mostraram-se interessadas em explorar esses recursos.

O gigante da energia estatal russo Gazprom é uma delas e ter-se-á mesmo oferecido para contribuir para o resgate cipriota a troco dos direitos de exploração das jazidas de gás.
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