Mundo
Bangladesh vai a votos dois anos após deposição de ex-primeira-ministra
As sondagens indiciam uma vitória do Partido Nacionalista do Bangladesh, da falecida ex-líder da oposição, Khaleda Zia, mas também com possibilidade de a Aliança dos 11 Partidos, liderada pelo partido islâmico Jamaat-e-Islami e composta pelos movimentos estudantis da revolução de 2024, vencer as eleições.
Cento e vinte e sete milhões de eleitores do Bangladesh foram esta quinta-feira às urnas para eleger um novo Parlamento pela primeira vez desde a revolução de 2024 e referendar alterações à Constituição.
As urnas fecharam às 16h30 horas locais (10h30 em Lisboa), com o partido da ex-primeira-ministra deposta, Sheikh Hasina, proibido de concorrer.
À exceção da explosão de uma bomba artesanal num centro de votação em Gopalganj, terra da ex-primeira-ministra, Sheikh Hasina, que causou três feridos ligeiros, as eleições decorreram com normalidade.
A afluência às urnas até às 14h00 (8h00 em Lisboa) era de 47,91 por cento, algo que o presidente da Comissão Eleitoral, Nasir Uddin, considerou como sendo um sinal de “confiança” no processo eleitoral.O chefe do Governo interino, Muhammad Yunus, afirmou que “um novo Bangladesh começou”.
“A participação espontânea dos eleitores, o comportamento responsável dos partidos políticos, a moderação dos candidatos e o profissionalismo de todas as instituições relacionadas às eleições […] provaram que o nosso compromisso com a democracia é inabalável”, destacou Yunus, que exortou à “decência democrática, a tolerância e o respeito mútuo mesmo após o anúncio dos resultados finais”.
As primeiras eleições depois da revolução da Geração Z
As últimas eleições, realizadas em janeiro de 2024, terminaram com a vitória esmagadora do Partido da Liga Awami, de Hasina, com 63,8 por cento dos votos, num ato eleitoral muito polémico não só pela baixa afluência às urnas, como também devido a suspeitas de autoritarismo, com a prisão de políticos da oposição.
Meses mais tarde, em julho, milhares de estudantes manifestaram-se contra o sistema de quotas para empregos na função pública que alegadamente favoreceria os filhos da primeira-ministra, com as fortes repressões contra os manifestantes a serem denunciados pela Amnistia Internacional e a Human Risghts Watch, que resultaram em mais de mil mortos, segundos organizações de defesa dos Direitos Humanos.
Rapidamente os protestos transformaram-se em manifestações contra o regime autoritário de Sheikh Hasina, que renunciou a 5 de agosto, tendo fugido para a Índia e visto a sua residência oficial invadida por manifestantes.
Estes protestos, conhecidos como a primeira revolução da Geração Z – devido à liderança estudantil das manifestações –, resultaram na libertação de presos políticos, como a ex-primeira-ministra, Khaleda Zia, e dos manifestantes detidos, assim como na nomeação de um governo provisório, liderado pelo Nobel da Paz, Muhammad Yunus.
Um ano após a renúncia de Hasina, a 5 de agosto de 2025, foi anunciada a Declaração de Julho, da autoria de Yunus, que delineou as reformas políticas e democráticas do país que, apesar das divergências com partidos da Aliança dos 11 Partidos, tem como ponto de referência a rejeição das políticas da ex-primeira-ministra. No entanto, a aliança fez campanha eleitoral a favor das reformas.Esse documento também foi votado em referendo esta quinta-feira, e inclui propostas como a limitação de mandatos do chefe de Governo, a criação de um senado, e a eliminação do sistema de governo interino apenas através de referendo. Este sistema está constitucionalmente previsto para ser ativado para a organização de eleições justas e livres, sendo apartidário.
Hasina foi condenada à morte em novembro, à revelia, por crimes contra a humanidade, enquanto se encontrava ainda exilada na Índia, sendo que a pena ainda não foi cumprida.
As urnas fecharam às 16h30 horas locais (10h30 em Lisboa), com o partido da ex-primeira-ministra deposta, Sheikh Hasina, proibido de concorrer.
À exceção da explosão de uma bomba artesanal num centro de votação em Gopalganj, terra da ex-primeira-ministra, Sheikh Hasina, que causou três feridos ligeiros, as eleições decorreram com normalidade.
A afluência às urnas até às 14h00 (8h00 em Lisboa) era de 47,91 por cento, algo que o presidente da Comissão Eleitoral, Nasir Uddin, considerou como sendo um sinal de “confiança” no processo eleitoral.O chefe do Governo interino, Muhammad Yunus, afirmou que “um novo Bangladesh começou”.
“A participação espontânea dos eleitores, o comportamento responsável dos partidos políticos, a moderação dos candidatos e o profissionalismo de todas as instituições relacionadas às eleições […] provaram que o nosso compromisso com a democracia é inabalável”, destacou Yunus, que exortou à “decência democrática, a tolerância e o respeito mútuo mesmo após o anúncio dos resultados finais”.
As primeiras eleições depois da revolução da Geração Z
As últimas eleições, realizadas em janeiro de 2024, terminaram com a vitória esmagadora do Partido da Liga Awami, de Hasina, com 63,8 por cento dos votos, num ato eleitoral muito polémico não só pela baixa afluência às urnas, como também devido a suspeitas de autoritarismo, com a prisão de políticos da oposição.
Meses mais tarde, em julho, milhares de estudantes manifestaram-se contra o sistema de quotas para empregos na função pública que alegadamente favoreceria os filhos da primeira-ministra, com as fortes repressões contra os manifestantes a serem denunciados pela Amnistia Internacional e a Human Risghts Watch, que resultaram em mais de mil mortos, segundos organizações de defesa dos Direitos Humanos.
Rapidamente os protestos transformaram-se em manifestações contra o regime autoritário de Sheikh Hasina, que renunciou a 5 de agosto, tendo fugido para a Índia e visto a sua residência oficial invadida por manifestantes.
Estes protestos, conhecidos como a primeira revolução da Geração Z – devido à liderança estudantil das manifestações –, resultaram na libertação de presos políticos, como a ex-primeira-ministra, Khaleda Zia, e dos manifestantes detidos, assim como na nomeação de um governo provisório, liderado pelo Nobel da Paz, Muhammad Yunus.
Um ano após a renúncia de Hasina, a 5 de agosto de 2025, foi anunciada a Declaração de Julho, da autoria de Yunus, que delineou as reformas políticas e democráticas do país que, apesar das divergências com partidos da Aliança dos 11 Partidos, tem como ponto de referência a rejeição das políticas da ex-primeira-ministra. No entanto, a aliança fez campanha eleitoral a favor das reformas.Esse documento também foi votado em referendo esta quinta-feira, e inclui propostas como a limitação de mandatos do chefe de Governo, a criação de um senado, e a eliminação do sistema de governo interino apenas através de referendo. Este sistema está constitucionalmente previsto para ser ativado para a organização de eleições justas e livres, sendo apartidário.
Hasina foi condenada à morte em novembro, à revelia, por crimes contra a humanidade, enquanto se encontrava ainda exilada na Índia, sendo que a pena ainda não foi cumprida.