Bard. Google entra na corrida dos chatbots de Inteligência Artificial

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Andrew Kelly - Reuters

A Google disponibiliza a partir desta terça-feira um chatbot chamado Bard, entrando assim oficialmente para a corrida aos chatbots de Inteligência Artificial (IA) contra os seus concorrentes da OpenAI e da Microsoft. Para já, a tecnologia está disponível para um número limitado de utilizadores nos EUA e Reino Unido.

O Bard, o sistema de Inteligência Artificial da Google que consiste num serviço experimental de conversação, foi lançado esta terça-feira. Até ao momento, o novo chatbot está disponível a um número limitado de utilizadores nos EUA e no Reino Unido, mas a gigante tecnológica explica que irá expandir a mais países e incluir mais idiomas ao longo do tempo.

O lançamento ocorre três meses depois de a Google ter acionado o “código vermelho” em resposta ao surgimento do ChatGPT, da rival OpenAI. O chatbot de inteligência artificial, projetado para gerar textos com alta qualidade com base em toda a informação disponível na Internet, veio ameaçar a Google enquanto motor de busca tradicional, na medida em que reúne automaticamente a informação e não obriga o utilizador a percorrer uma lista de resultados.

Desde então, a Google fez da IA a prioridade central da empresa. “É importante que a Google comece a atuar neste campo porque é para lá que o mundo está a caminhar”, disse Adrian Aoun, ex-diretor de projetos especiais da Google, citado pelo New York Times.

A multinacional está, no entanto, a adotar uma abordagem muito mais cautelosa do que os seus concorrentes, que estão a ser alvo de críticas sobre a divulgação de informação não credível.

Em comunicado, a tecnológica alerta que chatbots como o Bard “não são isentas de falhas” e assume que o serviço, ao contrário do seu mecanismo de busca, pode “providenciar informação imprecisa, errada ou falsa, ainda que a apresente de forma confiante”
Como funciona o Bard?
Tal como o ChatGPT e o Bing, da Microsoft, o Bard é um sistema de conversação, baseado no sistema de pergunta e resposta, capaz de produzir textos com uma qualidade confundível com a escrita do ser humano.

“Podem pedir ao Bard dicas para alcançar o vosso objetivo de ler mais livros este ano, explicar a física quântica em termos simples ou estimular a sua criatividade descrevendo uma publicação no blog”, explica a Google no seu comunicado.

O Bard é apresentado numa página Web independente, mas a empresa afirma que o chatbot “é uma experiência complementar à pesquisa do Google”, na medida em que o utilizador pode utilizar o motor de busca para “verificar suas respostas ou explorar outras fontes na web”.

Os utilizadores podem, deste modo, usar o botão “Google it”, que irá abrir um novo separador com uma página de resultados de pesquisa convencional do Google sobre o assunto.

O modelo de funcionamento do Bard não difere muito do chatbot da Microsoft, lançado em janeiro. O novo motor de pesquisa Bing com inteligência artificial oferece “uma pesquisa mais avançada, respostas mais completas, uma nova experiência de conversa e capacidade de gerar conteúdo”, explica a Microsoft no comunicado publicado na altura do lançamento do chatbot.

Hoje mesmo, a empresa sediada em Redmond, Washington, anunciou o lançamento do Bing Image Creator, uma ferramenta que, com recurso à inteligência artificial, permite criar imagens através de palavras.

Quem já utilizou a ferramenta da Microsoft fala sobre o lado mais “perturbador” e “assustador” do chatbot. Kevin Roose, colunista do New York Times, diz ter ficado “profundamente perturbado, até assustado, com as habilidades emergentes” do chatbot do Bing. "A IA que foi incorporada no Bing não está pronta para a interação humana. Ou talvez nós humanos não estejamos preparados para isso", concluiu Kevin Roose num artigo publicado no NYT.
ChatGPT à frente na corrida
Enquanto a Google apresenta agora a sua primeira experiência de um chatbot de inteligência artificial, a OpenAI subiu a parada ao lançar um novo modelo na semana passada, o GPT-4.

Para além de ser capaz de apresentar respostas escritas mais completas, detalhadas e mais fiáveis, o novo sistema apresenta capacidades adicionais, sendo que a maior alteração é a capacidade de analisar imagens para além de textos.

Numa demonstração da equipa OpenAI, a empresa mostra que a nova versão do chatbot é capaz de transformar um desenho num website em minutos. O sistema é também capaz de criar receitas com base em fotografias de ingredientes. A funcionalidade das fotografias ainda não está disponível, mas espera-se que a OpenAI a implemente nas próximas semanas.

A nova atualização também pode ser útil na área da programação, permitindo que utilizadores com pouco ou nenhum conhecimento sejam capazes de recriar jogos.

Embora a OpenAI tenha afirmado que esta atualização é "menos capaz" do que os humanos em muitos cenários do mundo real, o GPT-4 apresentou um "desempenho a nível humano" em vários testes profissionais e académicos.

Segundo a empresa, o chatbot de inteligência artificial foi desenhado para passar ao exame de acesso à Ordem dos Advogados nos EUA e é capaz de redigir processos judiciais.


A OpenAI admite, no entanto, que o GTP-4 tem limitações semelhantes às versões anteriores e que pode produzir informação imprecisa. A empresa pede, por isso, aos utilizadores que sejam cautelosos e usem a ferramenta “com muito cuidado”, particularmente "em contextos de alto risco".
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