Barragem moçambicana de Massingir no limite obriga à retirada imediata de população
O Governo moçambicano alertou hoje para cheias de "alta magnitude" em Gaza, após descargas de emergência na barragem de Massingir, que pela primeira vez desde 1977 atingiu a cota máxima, obrigando à retirada imediata da população.
"Nunca tivemos um cenário igual a este, em que estamos numa cota de 127 [metros], que é a cota máxima, e isso significa que o nível de impacto para as cheias é significativo", disse aos jornalistas o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante a visita à infraestrutura, esta manhã.
Segundo o governante, as descargas de emergência foram ativadas devido ao volume do caudal da água que entra naquela barragem, considerando que o impacto, nesta segunda fase da época chuvosa, até março, também "vai ser severo".
"Vamos ter, sim, cheias de alta magnitude", avançou o ministro, explicando que 80% do volume das águas naquela barragem é atualmente proveniente do escoamento das águas dos países vizinhos, sobretudo a África do Sul, situação que ameaça as zonas baixas da província de Gaza, mas também cidades.
O ministro avançou ainda que aquela barragem está a descarregar cerca de 10.000 metros cúbicos por segundo, considerando tratar-se de "muita água", e exigiu a retirada imediata das pessoas das zonas de risco.
Fernando Rafael avisou que não há tempo a perder e que a pulação "deve imediatamente sair das zonas de riscos, caso contrário, vai ser tarde" acrescentou, assegurando que o Governo está a tentar garantir condições para a assistência às famílias, com a ativação de centros de acomodação.
"Também queremos pedir a todos os setores económicos que possam apoiar porque, nesta fase, estas famílias que vão se retirar vai precisar de todo o nosso apoio", apelou o responsável do pelouro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano emitiu um novo aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul, incluindo na cidade de Maputo, até final de sexta-feira, quando se registam inundações e cheias generalizadas.
No aviso, o Inam prevê "a continuação da ocorrência de chuvas fortes (mais de 50 milímetros em 24 horas), localmente muito fortes (acima de 100 milímetros em 24 horas), acompanhadas por vezes de trovoadas severas", além de ventos fortes, pelo menos até às 24:00 de 16 de janeiro.
O alerta lançado hoje envolve vários distritos das províncias de Manica e Sofala, centro do país, e de Inhambane, Gaza e Maputo, no sul, com o Inam a recomendar à população "medidas de precaução e segurança face às chuvas, trovoadas e vento forte".
Em Maputo, as autoridades já admitem tratar-se de pior época chuvosa (outubro a abril) dos últimos anos, com inundações generalizadas, afetando sobretudo os bairros periféricos, face à subida das águas, devido às chuvas intensas e quase ininterruptas desde dezembro, e ao elevado volume de descarga de barragens, incluindo dos países vizinhos.
Em todo o país, desde o início da época chuvosa, em outubro, segundo o INGD, já morreram pelo menos 94 pessoas, devido às fortes chuvas, situação que se agravou sobretudo desde o final de dezembro. De 21 de dezembro a 13 de janeiro morreram oito pessoas e cerca de 4.000 casas foram destruídas.
Na quarta-feira, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique estimou que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência, devido ao risco de inundações na província de Gaza.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou entretanto solidariedade com as populações afetadas pelas chuvas intensas, que estão a causar inundações e perdas de vidas em algumas províncias do país, e reconheceu danos materiais significativos.