Berlim sugere redução de fundos europeus a Estados que recusem migrantes

É o aumento da pressão, praticamente chantagem, sobre os Estados-membros que recusam receber imigrantes. A indecisão política entre os países europeus pode levar a mais naufrágios lamentou por seu lado a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

RTP /
Migrantes dormem frente a uma barreira enquanto esperam para entrar na Hungria, a 15 de setembro de 2015. Marko Djurica - Reuters

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maziere, admitiu terça-feira de manhã reduzir os fundos estruturais da União Europeia aos países que rejeitem a ideia de quotas de migrantes.

A nova possibilidade surge depois do fracasso da reunião de ministros da Justiça e do Interior da UE, que não conseguiram encontrar consensos sobre a distribuição de 160.000 refugiados pelos diversos Estados.

Portugal apoiou a proposta da Comissão, como referiu a ministra da Administração Interna.

Após o encerramento das fronteiras e a suspensão da livre circulação de Schengen, assumida domingo pela Chanceler alemã Angela Merkell, a redução de fundos europeus é a segunda arma de pressão da Europa sobre os países a leste, que recusaram o plano apresentado dia 09 de setembro pelo presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker.

Berlim reconhece que a nova medida é uma chantagem sobre os parceiros europeus.
 
Thomas de Maziére, ministro do Interior da Alemanha Foto: Reuters

"Devemos falar de pressão" afirmou Maziere à ZDF. Os países que recusem a repartição por quotas "são países que recebem muito dos fundos estruturais" europeus, justificou. O ministro alemão do Interior considera "justo que eles recebam menos meios".
Europa "cobriu-se de vergonha"
O Governo alemão não poupa as palavras ao falar do resultado da reunião ministerial de segunda-feira. Em conferência de imprensa o vice-chanceler e ministro alemão da Economia, Sigmar Gabriel, afirmou que a Europa "mais uma vez se cobriu de vergonha".

Também as Nações Unidas aumentaram a pressão e manifestaram o seu "profundo desapontamento" pelo fracasso de consenso de segunda-feira.

"É necessário o acordo decisivo sem mais adiamentos para enfrentar as necessidades, assim como ação ousada baseada na solidariedade formal dos Estados-membros" afirmou em comunicado o Alto Comissário para os Refugiados, António Guterres.

A maioria dos ministros do Interior europeus acordou em princípio partilhar mais 120.000 refugiados alem da quota de 40.000 acordados em junho numa base voluntária.

Mas os detalhes do acordo, que deverá ser formalizado dia 8 de outubro, são considerados demasiado vagos e a maioria dos Estados-membros ex-comunistas do centro da Europa, mantém a rejeição do plano de quotas obrigatórias proposto pela Comissão.
Mais naufrágios
A indecisão política entre os países europeus pode levar a mais naufrágios lamentou por seu lado a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Esta manhã as autoridades turcas registaram mais um naufrágio que resultou em 22 mortes. A organização apela à "partilha de responsabilidade".

Leonard Doyle, porta-voz da OIM afirmou durante uma conferência de imprens aem Genebra que, "à medida que os perigos aumentam receamos que as indecisões da Europa levem a mais mortes no Mar Egeu", a nova rota principal de entrada dos refugiados na Europa.

"Decisões tomadas por vários Estados-membros de repor o controlo das fronteiras vão ter um impacto muito prejudicial," considerou.

Até agora e só em 2015, a OIM calcula que terão atravessado o Mediterrâneo para entrar na Europa cerca de 464,876 migrantes, mais 32.000 do que os números revelados na sexta.feira e que duplicavam o total de refugiados que tentaram chegar à Europa em 2014.

Áustria e Hungria registaram segunda-feira números recordes de entrada de migrantes(20.000 e 9.380, respetivamente), com mais 5.500 a entrar na Áustria só esta terça-feira de manhã.

Na Hungria a nova lei de migração entrou em vigor à meia-noite, encerrando a fronteira com a Sérvia. Milhares de pessoas passaram a noite ao relento, olhando para as patrulhas que lhes impediam a passagem.

Pelo menos 16 migrantes foram detidos.Ao fim da manhã de terça-feira o país declarou o estado de crise devido ao elevado número de migrantes em duas das suas províncias.
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