Bernie Sanders ameaça e Trump reforça após primárias de terça-feira

Foi mais uma vitória a lançar dúvidas sobre a futura candidatura democrata à casa Branca. Bernie Sanders ganhou no Michigan - um estado que providencia 147 delegados - e, apesar de Hillary Clinton ter ganho o Mississipi, as sondagens que a davam como vitoriosa com duplos dígitos foram desacreditadas.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Bernie Sanders festeja a vitória no Michigan, nas primárias de 8 de março de 2016 Carlo Allegri - Reuters

É pelo menos essa a teoria do senador e candidato democrata, perante apoiantes na Florida. Bernie Sanders disse que os resultados repudiavam as sondagens e críticas dos comentadores que lhe vaticinavam um resultado fraco no Michigan.

Pelo contrário, afirma, a sua vitória mostra que a sua revolução política é "forte em todo o país. Francamente, acredito que as nossas áreas mais fortes ainda aí vêm".

Fátima Marques Faria, Virgílio Matos - RTP

Os americanos estão a dizer que estão fartos de uma campanha corrupta, financiada por Wall Street e pela classe multimilionária," considerou o candidato, que conseguiu no Michigan mais 68 preciosos delegados fidelizados. "Estão fartos de uma economia fraudulenta."

Analistas acreditam que Sanders deve a sua vitória no Michigan aos eleitores mais jovens. Sublinham que a mensagem de Sanders a denunciar a desigualdade de rendimentos e a "economia fraudulenta", têm eco em muitos eleitores, que sentem o impacto da globalização e viram a industria automóvel desabar. A sua vitória no Michigan é tremenda em termos psicológicos, acrescentam.

Foto: Reuters

Que Clinton sente a pressão está a tornar-se evidente. Antes da votação, a candidata recrutou o marido, o ex-Presidente Bill Clinton, e a filha, Chelsea, para a campanha no Michigan, tentando ganhar votos até ao últimos minuto. Conseguiu mais 59 delegados mas pior é o fator psicológico da derrota.

Pelo contrário, a sua vitória no Mississipi (29 delegados contra 4 de Sanders) foi relativamente fácil, sobretudo devido ao apoio esmagador da comunidade negra: sondagens à boca das urnas revelaram que nove em cada 10 eleitores negros escolheu Hillary.
O dilema republicano
Do lado republicano, a escolha parece, pelo contrário, praticamente certa. Donald Trump recolhe já 40 por cento de apoio entre os eleitores e tem reforçado a sua liderança.

Apesar da oposição dentro do próprio partido, o candidato republicano de 69 anos, originário de Nova Iorque e multimilionário, que tem praticamente pago a campanha do próprio bolso, soma e segue a cada primária.

Esta terça-feira, Trump ganhou a maioria dos 40 delegados do Mississipi e dos 59 do Michigan, passando ao largo de uma campanha de ataques virulentos e de maledicências. A reação na rede Twitter foi típica de Trump.

"Parece que estou a ter óptimos resultados no Michigan e no Mississipi! Wow e com todo aquele dinheiro gasto contra mim! Agora vamos arrasar Jupiter (no estado da Florida)!" tweetou o candidato.

As vitórias de Trump no Michigan e no Mississipi foram convincentes. Sondagens à boca das urnas mostram que ele convenceu tanto cristãos evangélicos como republicanos independentes, os que querem eleger um estranho à política e os críticos da forma como o Governo federal está a funcionar.

No seu discurso de vitória Trump apelou à unidade dos republicanos, dizendo que está a atrair novos votantes ao partido e desafiou as figuras históricas republicanas, que têm gasto milhões de dólares a combate-lo, a guardar o seu dinheiro para a corrida de novembro.

"Temos uma coisa tão boa a acontecer-nos, devíamos agarrar-nos uns aos outros e unificar o partido," referiu.

A tarefa dos seus mais diretos rivais, Marco Rubio e Ted Cruz - que ganhou a maioria dos 32 delegados do Idaho - está cada vez mais complicada. Rubio tem o apoio da ala conservadora do partido mas tem perdido percentagem de votos entre os eleitores, sobretudo para Cruz - que recolhe 23 por cento - e John Kasich - o governador da Florida - que tem 11 por cento.

Os analistas sublinham que as únicas candidaturas credíveis republicanas são agora de candidatos externos ao núcleo duro do partido.
Mais uma terça-feira
A vitória de dia 8 de março no Mississipi garantiu a Clinton mais de metade dos 2383 eleitores de que ela necessita para ganhar a nomeação democrata.

No total, o Partido Democrata elege 4765 delegados. Clinton já garantiu 1221, a maioria deles - 760 - obrigados a votar nela. Sanders tem 571 - 549 dos quais de voto fidelizado.

Apesar da diferença entre o número de delegados, nada está garantido e as primárias no oeste dos Estados Unidos na próxima semana podem fazer pender a balança.

Cinco estados - Florida, Illinois, Misouri, Carolina do Norte e Ohio - elegem em conjunto 681 delegados democratas.

Também Trump, apesar das sucessivas vitórias, tem apenas 458 delegados, uma vantagem de cerca de cem sobre Cruz - que tem 359. Qualquer um deles necessita de conseguir 1237 delegados do total de 2472 a eleger.

Como entre os democratas, a votação da próxima semana poderá ser decisiva.

Ohio, Florida, Illinois, Missouri e Carolina do Norte - elegem em conjunto 358 delegados. Florida (99 delegados) e Ohio (66 delegados) entregam todos os delegados ao vencedor. Se Trump os ganhar e conseguir mais delegados noutros estados, poderá afastar definitivamente Rubio e Kasich da corrida e tornar muito difícil a Ted Cruz apanha-lo.

Terça-feira ocorrem igualmente os cáucasos no Hawai.
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