Biden espera que cessar-fogo em Gaza seja alcançado até ao Ramadão

por Lusa

O Presidente norte-americano Joe Biden espera que um novo cessar-fogo entre Israel e o Hamas em Gaza possa ser alcançado até ao Ramadão, o mês sagrado muçulmano que começa na noite de 10 de março ou dia 11.

Questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de um acordo de trégua no território palestiniano até esta data, o chefe de Estado norte-americano respondeu: "Espero que sim, ainda estamos a trabalhar muito no assunto. Ainda não chegamos lá".

"Vamos chegar lá, mas ainda não chegamos e podemos não chegar lá", sublinhou, enquanto deixava a Casa Branca para passar o fim de semana na residência presidencial em Camp David, perto de Washington.

O democrata tinha referido, no início da semana, que esperava até à segunda-feira seguinte - 04 de março - um acordo para uma trégua de seis semanas nos combates entre Israel e o Hamas, mas abandonou esta previsão.

As autoridades de Gaza denunciaram na quinta-feira um massacre cometido pelo Exército de Israel, acusando-o de atacar civis concentrados junto a uma coluna humanitária. O Exército de Israel atribuiu a matança a uma "fuga desordenada" e limitou a dez as pessoas mortas pelos militares.

A situação pode ter complicado as negociações, tal como já tinha reconhecido Joe Biden anteriormente.

Esta sexta-feira, perante a situação em Gaza, Joe Biden decidiu envolver os Estados Unidos, e adiantou que, "nos próximos dias" e pela primeira vez, irão realizar lançamentos aéreos de ajuda humanitária sobre a Faixa de Gaza.

No ataque de 07 de outubro do movimento islamita Hamas em território junto à Faixa de Gaza, foram mortas cerca de 1.200 pessoas, na sua maioria civis, mas também perto de 400 militares, segundo números oficiais israelitas. Cerca de 240 civis e militares foram sequestrados, com Israel a indicar que mais de 100 permanecem na Faixa de Gaza, território controlado pelo Hamas desde 2007.

Em retaliação, Israel, que prometeu destruir o movimento islamita palestiniano, bombardeia desde então a Faixa de Gaza, onde, segundo o governo local liderado pelo Hamas, já foram mortas mais de 30.000 pessoas -- na maioria mulheres, crianças e adolescentes -- e feridas pelo menos 70.000, também maioritariamente civis. Cerca de 8.000 corpos permanecem debaixo dos escombros, segundo as autoridades locais.

As agências da ONU indicam ainda que 156 funcionários foram mortos em Gaza desde 07 de outubro.

Também esta sexta-feira, a Comissão de Proteção dos Jornalistas, associação com sede em Nova Iorque, revelou que 70 dos 99 jornalistas e trabalhadores da comunicação social mortos em 2023 foram vítimas de "ataques israelitas a Gaza".

A ofensiva israelita também tem destruído a maioria das infraestruturas de Gaza e perto de dois milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, a quase totalidade dos 2,3 milhões de habitantes do enclave.

A população da Faixa de Gaza também se confronta com uma crise humanitária sem precedentes, devido ao colapso dos hospitais, o surto de epidemias e escassez de água potável, alimentos, medicamentos e eletricidade.

Desde 07 de outubro, mais de 400 palestinianos também já foram mortos pelo Exército israelita e por ataques de colonos na Cisjordânia e Jerusalém Leste, territórios ocupados pelo Estado judaico. Também foram registadas 6.650 detenções e mais de 3.000 feridos.

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