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Biden garante apoio a Filipinas e Japão perante provocações da China

por Carla Quirino - RTP
Kevin Lamarque - Reuters

O presidente dos Estados Unidos afirma que o compromisso dos Estados Unidos para com a defesa dos aliados do Pacífico continua "firme". A garantia de Joe Biden foi dada durante a primeira cimeira conjunta com Manila e Tóquio, a decorrer na Casa Branca. A reunião trilateral seguiu-se a repetidos confrontos entre navios chineses e filipinos no disputado Mar da China Meridional.

“Os compromissos de defesa dos Estados Unidos com o Japão e as Filipinas são rígidos. Eles são intransigentes”, reiterou Joe Biden ao iniciar conversações a três na Casa Branca com o presidente filipino Ferdinand Marcos Jr. e o primeiro-ministro japonês Fumio Kishida.

“Como eu disse antes, qualquer ataque a aeronaves, navios ou Forças Armadas filipinas no Mar da China Meridional será invocado o nosso tratado de defesa mútua”, acrescentou Biden, referindo-se ao tratado mútuo em vigor há mais de 70 anos.

Na primeira cimeira conjunta entre Manila, Tóquio e Washington, a atenção está virada para a crescente preocupação face às provocações militares chinesas no Indo-Pacífico.
Equação: EUA + Filipinas + China
A China, que reivindica quase a totalidade do Mar da China Meridional, tem aumentado repetidos confrontos com a Guarda Costeira Filipina. Entre colisões com navios filipinos ou uso de canhões de água contra as embarcações militares de Manila que fazem o reabastecimento à guarnição do atol Second Thomas, Pequim acusou as Filipinas de violar a soberania chinesa nesta área marítima.

Na quinta-feira, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, declarou que a China estava “comprometida em gerir a situação no atol com as Filipinas através do diálogo”, porém Manila ter-se-á recusado a rebocar o navio de guerra que foi lá encalhado para estabelecer uma presença militar permanente.

As Filipinas denunciaram a pressão de Pequim que disse só “permitir” as missões de reabastecimento caso “recebesse aviso prévio e tivesse a capacidade de inspecionar e monitorar o processo”.
Equação: EUA + Japão + China
São conhecidas as aproximações recorrentes dos navios da Guarda Costeira chinesa às ilhas disputadas do Mar da China Oriental, controladas pelos japoneses, perto de Taiwan.

O Japão, que está despojado do direito a forças militares ofensivas desde a II Guerra Mundial, adverte para os riscos da ascensão da China.

Perante as tensões crescentes com Pequim e após uma reunião com Kishida, Biden anunciou a modernização da aliança com o Japão. O reforço com o aliado da Ásia-Pacífico consiste na melhoria dos laços “puramente defensivos” e “não visa nenhuma ameaça a qualquer nação ou à região”, garantiu o presidente norte-americano.

A China reagiu, afirmando que os Estados Unidos e o Japão tinham “manchado” a sua reputação durante a visita de Estado de Kishida.

Mao Ning acusa Washington e Tóquio: “Atacaram a China em Taiwan e nas questões marítimas interferiram grosseiramente nos assuntos internos da China e violaram gravemente as normas básicas que regem as relações internacionais”.

“Ninguém deve violar a soberania territorial e os direitos e interesses marítimos da China e a China permanece firme na salvaguarda dos nossos direitos legais”, rematou Ning.
Mais treino conjunto
Das negociações para o reforço da aliança entre os três líderes saíram algumas diretivas, entre as quais “patrulhas conjuntas no Indo-Pacífico este ano e retomar a realização de exercícios pelos aliados em águas próximas do Mar da China Meridional”.

Por sua vez, a Guarda Costeira dos EUA receberá membros da congénere filipina e japonesa num navio norte-americano, durante a patrulha para treino, de acordo com a Casa Branca.

Os EUA classificaram a primeira cimeira trilateral com o Japão e as Filipinas como uma resposta poderosa às tentativas de “intimidação” da China. De acordo com um funcionário da Administração Biden, citado pela Associated Press, Washington insiste na mensagem de que a China é que é “o estranho na vizinhança”.
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