Bielorrússia. Regime perde apoios em todo o país apesar de recuo
Ao sexto dia de protestos, milhares de funcionários estatais e das principais indústrias e empresas bielorrussas abandonaram os postos de trabalho e saíram à rua em todo o país, em marchas contra a repressão do regime do Presidente Alexander Lukachenko e os resultados oficiais das eleições de domingo passado.
Factories all over #Belarus are striking against election results which official Minsk declared today to be 80% for President Lukashenko. Ordinary people are also marching and the police are nowhere to be seen. A dramatic change from the last few days of shocking police violence. pic.twitter.com/LDDmHCfEPn
— Simon Ostrovsky (@SimonOstrovsky) August 14, 2020
#Belarus | Mass protests also in #Lida pic.twitter.com/wRtLxVxr5R
— Balki Begumhan Bayhan (@bbbayh) August 14, 2020
#Belarus Another game changer. A massive rally of employees of the High Technologies Park, the Belarusian Silicon Valley.Hundreds of small and large enterprises are striking. Tens of thousands people are on the streets across the country right now. People are literally everywhere pic.twitter.com/CIITVPTMgm
— Hanna Liubakova (@HannaLiubakova) August 14, 2020
Workers of Minsk Tractor Workers reaches centre of #Minsk. The poster says “NOT sheep, NOT red necks, NOT some folk, - We are workers of MTW, there are not 20 of us, there are 16000” #Belarus Please share pic.twitter.com/9mBBfbD0PM
— Belarus Free Theatre (@BFreeTheatre) August 14, 2020
In #Minsk, #Belarus, thousands march down the Independence Avenue shouting “Changes!” - the title of the 1989 song by Viktor Tsoi.
— Alex Kokcharov (@AlexKokcharov) August 14, 2020
Incredible scenes!
pic.twitter.com/iRLe0DGbUz
Thousands of people are marching through the Minsk city center chanting “Leave!” to the man who has ruled Belarus for the past 26 years.
— Matthew Luxmoore (@mjluxmoore) August 14, 2020
Just amazing.@svaboda pic.twitter.com/efNS2BCrpg
#Minsk metro workers also joined the protests, promising to keep all underground stations open despite government closures and take people where they need to be to protest #Belarus pic.twitter.com/sbAQrjlV1O
— Belarus Free Theatre (@BFreeTheatre) August 14, 2020
The bravery of anyone daring to protest like this in Belarus just can’t be overstated. https://t.co/qtc8zUHhSc
— Steve Bullock (@GuitarMoog) August 14, 2020
#EIL
— Julian Röpcke (@JulianRoepcke) August 14, 2020
Zehntausende Demonstranten im Regierungsviertel von #Minsk.
Spezialeinheiten senken Schilde.
Keine Gegenwehr, keine #Lukaschenko-loyalen Kräfte mehr vor Ort.
Offenbar steht das Regime kurz vor dem Aus.#Belarus https://t.co/WUE66ICAWh
O regime percebeu demasiado tarde que tinha de arrepiar caminho, depois dos trabalhadores das indústrias começarem a falar em greve e se multiplicarem os vídeos de membros das forças policiais a renunciarem aos uniformes, atirando-os ao lixo ou queimando-os. E depois de jornalistas populares da televisão estatal começarem a demitir-se.
Na noite de quinta-feira retirou a maioria das forças de segurança das ruas e, esta sexta-feira, anunciou como uma benesse a libertação de duas mil pessoas detidas nos últimos dias. A presidente da Câmara Alta do Parlamento, Natalya Kocha Nova, referiu mesmo que este foi um sinal de boa vontade do Presidente Lukachenko.
O ministro da Administração Interna, Yuri Karayev, veio oferecer o corpo às balas e assumir responsabilidade pelos excessos cometidos, pedindo desculpa a "quem foi espancado de forma aleatória" por não ter conseguido "fugir a tempo", enquanto culpava os bielorrussos por terem violado em massa a ordem pública, provocando a repressão. O comportamento civilizado dos manifestantes evidenciou ainda mais a violência policial. Nas primeiras noites de protestos, as cargas policiais foram enfrentadas de mãos nuas, mas não houve notícia de motins.
Desde o início que surgiram flores nas barricadas dos manifestantes e nas grades colocadas pelas forças de segurança. Quarta e quinta-feira, milhares de pessoas, sobretudo mulheres, formaram filas ao longo das estradas e das ruas, de mãos dadas segurando flores, que ofereciam aos polícias e militares que passavam. E muitos destes aceitavam.
Here's how protests in Belarus look like: people take off their shoes when standing on benches, spare flowerbeds, play chess, build trashcans and first aid kits on trees-posts... Share more in comments! Love and proud of my fellow Belarusians! pic.twitter.com/Xeds5Z1QkT
— Franak Viačorka (@franakviacorka) August 14, 2020
#Students in #Belarus started bringing their past and current diplomas and awards to the gates of their schools claiming they no longer want them. In #Belarus teachers in school were part of falsifying the election results for the past 26 years. pic.twitter.com/tbhgFseseO
— Belarus Free Theatre (@BFreeTheatre) August 14, 2020
Sanções de Bruxelas#SOUNDON 🔊 Workers of #Belarus State Philharmonia unite for the second day in a row to show their #solidarity against #Lukashenko oppression. #Minsk. pic.twitter.com/9gVh6MBtLk
— Belarus Free Theatre (@BFreeTheatre) August 14, 2020
Eventualidade pouco provável, pelo menos no imediato, quando os olhos de Washington, de Bruxelas e da ONU se viraram para Minsk e contra o Presidente.
Alguns diplomatas admitem que a aplicação destas sanções poderá ser decidida em poucas semanas - o que é considerado rápido. Num sinal inequívoco, o representante da UE no país e os embaixadores dos principais países europeus em Minsk, participaram numa homenagem a um dos dois mortos contabilizados oficialmente nas manifestações.
Polónia, Estónia, Letónia e Lituânia, assim como a Dinamarca, em carta aberta apelaram a "medidas restritivas" contra os responsáveis pelos resultados oficiais das eleições de domingo e pelo espancamento de manifestantes por parte das forças de segurança, que detiveram em cinco dias 6700 pessoas.
"Precisaríamos de encontrar um equilíbrio entre pressão contra e compromissos com o Presidente da Bielorrússia Lukachenko. Acreditamos que a UE deveria assumir o papel de mediador o mais depressa possível", referem os signatários.
We need additional sanctions against those who violated democratic values or abused human rights in #Belarus.
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) August 14, 2020
I am confident today’s EU Foreign Ministers’ discussion will demonstrate our strong support for the rights of the people in Belarus to fundamental freedoms & democracy.
A contagem oficial deu a Alexander Lukachenko 80 por cento da votação e a Tsikhanouskaya cerca de dez por cento.
"Os bielorrussos nunca mais quererão viver com as velhas autoridades", afirmou a candidata, que muitos acreditam ter vencido as eleições com pelo menos 70 por cento dos votos, contra 13 por cento de Lukachenko. "Vamos defender a nossa escolha. Não fiquem à margem. Temos de fazer ouvir as nossas vozes!", acrescentou.
Esta é a maior batalha de Lukachenko em 26 anos de poder. Aos 65 anos, este antigo gerente agrícola dos tempos soviéticos, enfrenta a contestação acumulada de uma economia lenta, liberdades civis amordaçadas e uma fraca resposta à pandemia - que o Presidente considerou uma "psicose".
Para calar rumores quanto ao seu paradeiro, Alexander Lukachenko deixou-se filmar pela televisão estatal durante uma reunião. "Ainda estou vivo e não no estrangeiro", afirmou.
A questão é, agora, saber por quanto mais tempo.