Bill Clinton sobre Epstein. "Não vi nada e não fiz nada de errado"

Bill Clinton sobre Epstein. "Não vi nada e não fiz nada de errado"

O ex-presidente dos Estados Unidos responde esta sexta-feira às perguntas da comissão do Congresso que investiga os crimes de Jeffrey Epstein. Antes dele, só Gerald Ford testemunhou perante uma comissão de inquérito do Congresso, há 43 anos.

RTP /
Bill Clinton em setembro de 2025 Foto: Kylie Cooper - Reuters

Tal como Hillary Clinton, ouvida igualmente pela comissão, o ex-presidente publicou no X um depoimento antes do início do interrogatório.
"Não fazia ideia dos crimes que Epstein estava a cometer", garantiu

"Sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Não vi nada e não fiz nada de errado", acrescentou.

"Como alguém que cresceu num lar com violência doméstica", nunca teria viajado no avião de Epstein se "tivesse a mínima ideia do que ele estava a fazer", escreveu. "Eu próprio o teria denunciado".

"Mesmo em retrospetiva, não vi nada que me tenha alertado", insistiu o ex-presidente perante a comissão dominada por congressistas republicanos.

Também reafirmou ter-se distanciado de Epstein mais de uma década antes da sua morte numa prisão federal em Nova Iorque em agosto de 2019.

A representante republicana Anna Paulina referiu depois que o ex-presidente estava a mostrar-se "cooperante".
Epstein na Casa Branca com Clinton "17 vezes"

Antes de iniciar o interrogatório, à porta-fechada, o presidente da comissão, o republicano James Comer, afirmou em conferência de imprensa que Clinton voou no avião de Jeffrey Epstein, pelo menos 27 vezes.

Referiu também que Epstein visitou a Casa Branca pelo menos 17 vezes durante a presidência dos Clinton.

Bill Clinton apareceu várias vezes nos arquivos de Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça, incluindo em fotos tiradas na década de 1990 e início dos anos 2000.

A presença nos arquivos não indica qualquer irregularidade e Clinton negou ter conhecimento ou envolvimento nos crimes de Epstein, apesar de admitir ter voado no avião do predador sexual.
Hillary Clinton questionada

Antes do início do interrogatório, James Comer referiu-se ao interrogatório quinta-feira, de Hillary Clinton, que decorreu, tal como o de Bill, no Centro de Atividades Cénicas de Chappaqua, Nova Iorque.

Levantando o véu, o republicano revelou que a ex-secretária de Estado remeteu por uma dúzia de vezes as respostas para Bill Clinton.O líder da comissão disse esperar que a transcrição da entrevista à antiga candidata presidencial democrata seja publicada nas próximas horas, "ainda esta sexta-feira ou o mais tardar amanhã".

Após referir que este é um dia histórico para o Congresso dos EUA, Comer afirmou que o Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA convocou algumas das "pessoas mais poderosas do mundo" para interrogatório,  sobre este caso.

O comité está "empenhado em obter respostas, estamos comprometidos com a transparência", acrescentou. "Vamos continuar a procurar a verdade".

Comer sublinhou ainda que demorou sete meses "para trazer os Clinton" para serem questionados, "mas nós trouxemo-los e estamos ansiosos por fazer muitas perguntas, perguntas que acredito que qualquer veículo de comunicação curioso nos Estados Unidos faria".

Os republicanos tentaram ouvir os Clinton em conjunto mas acabaram por aceitar interroga-los separadamente.
Ovnis, Pizzagate e Trump

Após o interrogatório, quinta-feira, Hillary Clinton revelou à imprensa que, entre outras perguntas, os legisladores a questionaram sobre os OVNIs e a teoria da conspiração conhecida como Pizzagate.

Hillary afirmou que a audição foi muito repetitiva e que a comissão perdeu a oportunidade dela prestar um depoimento público como ela tinha solicitado. Hillary e Bill Clinton tentaram durante anos ser ouvidos como quaisquer outras testemunhas inquiridas na investigação e não interrogados pelo deputados. Mudaram a estratégia apenas depois de serem ameaçados de desrespeito do Congresso.

A candidata democrata à presidência, que perdeu para Donald Trump há uma década, sempre afirmou que a sua intimação pelo Comité respondia a motivos políticos por parte dos republicanos.

Criticando a forma como o processo tem decorrido no Congresso, Hillary exigiu igualmente, quinta-feira, que o atual presidente, seja igualmente ouvido pela comissão, "sob juramento".
Precedente

Os democratas referem que a intimação de Bill Clinton abriu um precedente que justifica intimar igualmente Trump, para depor no caso.

Os deputados do Partido Democrata querem sobretudo respostas sobre o alegado desaparecimento de ficheiros sobre a relação de Trump com Epstein, denunciado esta semana.

"Chegou a altura do presidente responder às perguntas sobre por que razão faltam ficheiros no Departamento de Justiça, por que razão houve um encobrimento na Casa Branca e por que razão o governo continua a chamar esta investigação de farsa", declarou Robert Garcia, o democrata mais importante na comissão sobre Epstein.

Trump tem negado repetidamente qualquer irregularidade em relação ao caso Epstein e afirmou recentemente que foi "totalmente exonerado".
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