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"Furiosa". Hillary Clinton nega ter conhecido Epstein e exige que Trump seja questionado "sob juramento"
Num depoimento publicado pouco antes de começar a responder às perguntas dos congressistas que investigam o caso Epstein, a ex-secretária de Estado norte-americana denunciou o processo como "farsa".
"O Comité intimou-me baseado na assumpção de que tenho informações sobre as investigações às atividades criminais de Jeffrey Epstein e Ghislayne Maxwell", referiu. "Deixe-me ser o mais clara que posso. Não tenho", começa por esclarecer a ex-candidata democrata à presidência. Hillary Clinton sempre considerou que a exigência do seu testemunho perante o Congresso não passava de uma jogada política do Partido Republicano. Sempre sustentou que nem conhecia Epstein.
Num ataque direto ao deputado James Comer, presidente republicano do Comité da Câmara dos Representantes que investiga os crimes de Epstein, Hillary acusou-o de se esforçar pouco para interrogar e investigar as pessoas que aparecem com maior destaque nos arquivos de Epstein.
Hillary Clinton desafiou igualmente esta quinta-feira o Comité a entrevistar o atual presidente, Donald Trump.
"Se este Comité está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em entrevistas sensacionalistas para obter respostas do nosso actual presidente sobre o seu envolvimento; interroga-lo-ia directamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que o seu nome aparece nos arquivos de Epstein", disse Clinton na declaração publicada. Não há qualquer indício de que a presença do nome de Trump nos documentos de Epstein, que envolvem milhões de ficheiros relacionados com o falecido criminoso sexual, implique qualquer irregularidade.
Os procuradores da Florida e de Nova Iorque também devem ser interrogados sobre o motivo pelo qual deram a Epstein um "acordo extremamente favorável" e por que razão não processaram outros que possam ter estado envolvidos, referiu Clinton, numa aparente referência a comentários feitos pelo bilionário da tecnologia Elon Musk num e-mail de 2012 para Epstein encontrado nos arquivos.
"Um flagelo global"
Lembrando o seu ativismo em defesa das mulheres vítimas de abuso sexual, Hillary Clinton afirmou-se ainda "furiosa" em nome das vítimas de Epstein.
"Passei a vida a defender mulheres e raparigas", afirmou, acrescentando que trabalhou nos EUA e em todo o mundo em ações de sensibilização contra crimes sexuais.
Dirigindo-se a James Comer, ironizou. "Se não está familiarizado com este assunto, deixe-me dizer-lhe: Jeffrey Epstein era um indivíduo hediondo, mas está longe de ser o único. Isto não é uma sensação passageira dos tablóides ou um escândalo político. É um flagelo global com um custo humano inimaginável."
No caso Epstein, houve uma "falha institucional destinada a proteger um partido político e um funcionário público", disse Clinton.
"O meu coração parte-se pelas sobreviventes. Estou furiosa em nome delas".
O Partido Democrata tem sustentado que os republicanos estão a usar o caso Epstein como uma jogada política e que nem sempre estão presentes para ouvir os depoimentos.
O caso Werner
Na semana passada, o multimilionário norte-americano Les Wexner, ex-CEO da marca de lingerie Victoria's Secret, compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes num depoimento à porta fechada. Wexner foi descrito como um possível cúmplice de Epstein num documento do FBI de 2019, mas nenhuma acusação foi formalizada contra ele. Wexner negou qualquer irregularidade relacionada com Epstein.
Nenhum parlamentar republicano compareceu no depoimento de Wexner, embora alguns membros das suas equipas tenham estado presentes.
Robert Garcia, o membro democrata de maior hierarquia no comité, disse aos jornalistas na quinta-feira que estava satisfeito com a presença de alguns republicanos no depoimento de Hillary Clinton, mas que gostaria que tivessem comparecido no de Wexner.
Outro membro democrata da comissão, Suhas Subramanyam, disse que o facto de os republicanos não terem comparecido ao depoimento de Wexner, mas terem comparecido ao de Clinton, "reforça, para mim, a natureza partidária do que alguns republicanos da nossa comissão e do Congresso estão a fazer e a forma como estão a abordar esta investigação".
"Como afirmei no meu depoimento sob juramento de 13 de janeiro, não tinha qualquer ideia sobre atividades criminais. Não me lembro de alguma vez ter encontrado o senhor Epstein. E nunca viajei no seu avião, nem visitei a sua ilha, residências ou escritórios. Não tenho nada a acrescentar a isso", acrescentou.
Here is my opening statement to the House Oversight and Government Reform Committee today. pic.twitter.com/NZSF2epcI5
— Hillary Clinton (@HillaryClinton) February 26, 2026
"Esta falha institucional visa proteger um partido político e um funcionário público, em vez de procurar a verdade e a justiça para as vítimas e sobreviventes, bem como para o público que também quer chegar ao fundo desta questão", sustentou a antiga líder democrata.
Tal como Bill Clinton, o seu ex-marido e ex-presidente dos Estados Unidos, Hillary Clinton sempre recusou responder perante o Congresso sobre o caso Epstein, tentando ser ouvida como qualquer testemunha.
Ambos mudaram de estratégia quando congressistas democratas se juntaram aos republicanos para exigir o testemunho perante o Comité do Congresso, sob pena de serem acusados de "desrespeito".
Interrogar Trump "sob juramento"Hillary Clinton desafiou igualmente esta quinta-feira o Comité a entrevistar o atual presidente, Donald Trump.
"Se este Comité está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein, não se basearia em entrevistas sensacionalistas para obter respostas do nosso actual presidente sobre o seu envolvimento; interroga-lo-ia directamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que o seu nome aparece nos arquivos de Epstein", disse Clinton na declaração publicada. Não há qualquer indício de que a presença do nome de Trump nos documentos de Epstein, que envolvem milhões de ficheiros relacionados com o falecido criminoso sexual, implique qualquer irregularidade.
A ex-secretária de Estado acusou nomeadamente a Administração Trump de ter "abandonado" as vítimas sobreviventes do predador sexual e desafiou também o Comité a ouvir o atual secretário de Estado, Marco Rubio, e a procuradora-geral, Pam Bondi, questionando porque é que "este governo está a abandonar os sobreviventes e a fazer o jogo dos traficantes".
O comité deve "intimar qualquer pessoa que tenha perguntado em que noite se realizaria a 'festa mais selvagem' na ilha de Epstein", afirmou no texto, acrescentando que deveria também investigar relatos segundo os quais o Departamento de Justiça terá retido entrevistas do FBI em que uma sobrevivente acusa Trump de crimes graves.
Os procuradores da Florida e de Nova Iorque também devem ser interrogados sobre o motivo pelo qual deram a Epstein um "acordo extremamente favorável" e por que razão não processaram outros que possam ter estado envolvidos, referiu Clinton, numa aparente referência a comentários feitos pelo bilionário da tecnologia Elon Musk num e-mail de 2012 para Epstein encontrado nos arquivos.
"Um flagelo global"
Lembrando o seu ativismo em defesa das mulheres vítimas de abuso sexual, Hillary Clinton afirmou-se ainda "furiosa" em nome das vítimas de Epstein.
"Passei a vida a defender mulheres e raparigas", afirmou, acrescentando que trabalhou nos EUA e em todo o mundo em ações de sensibilização contra crimes sexuais.
Dirigindo-se a James Comer, ironizou. "Se não está familiarizado com este assunto, deixe-me dizer-lhe: Jeffrey Epstein era um indivíduo hediondo, mas está longe de ser o único. Isto não é uma sensação passageira dos tablóides ou um escândalo político. É um flagelo global com um custo humano inimaginável."
No caso Epstein, houve uma "falha institucional destinada a proteger um partido político e um funcionário público", disse Clinton.
"O meu coração parte-se pelas sobreviventes. Estou furiosa em nome delas".
O Partido Democrata tem sustentado que os republicanos estão a usar o caso Epstein como uma jogada política e que nem sempre estão presentes para ouvir os depoimentos.
O caso Werner
Na semana passada, o multimilionário norte-americano Les Wexner, ex-CEO da marca de lingerie Victoria's Secret, compareceu perante a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes num depoimento à porta fechada. Wexner foi descrito como um possível cúmplice de Epstein num documento do FBI de 2019, mas nenhuma acusação foi formalizada contra ele. Wexner negou qualquer irregularidade relacionada com Epstein.
Nenhum parlamentar republicano compareceu no depoimento de Wexner, embora alguns membros das suas equipas tenham estado presentes.
Robert Garcia, o membro democrata de maior hierarquia no comité, disse aos jornalistas na quinta-feira que estava satisfeito com a presença de alguns republicanos no depoimento de Hillary Clinton, mas que gostaria que tivessem comparecido no de Wexner.
Outro membro democrata da comissão, Suhas Subramanyam, disse que o facto de os republicanos não terem comparecido ao depoimento de Wexner, mas terem comparecido ao de Clinton, "reforça, para mim, a natureza partidária do que alguns republicanos da nossa comissão e do Congresso estão a fazer e a forma como estão a abordar esta investigação".