Blinken adverte Irão. Em caso de ataque a pessoal americano os EUA darão resposta "decisiva"

Blinken adverte Irão. Em caso de ataque a pessoal americano os EUA darão resposta "decisiva"

Em plena reunião do Conselho de Segurança, o secretário de Estado norte-americano deixou um aviso claro ao Irão, numa altura em que se multiplicam os ataques às forças dos EUA no Iraque em pleno agravamento do conflito entre Israel e o Hamas no Médio Oriente.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Antony Blinken, secretário de Estado dos EUA, no Conselho de Segurança da ONU Eduardo Munoz - EPA/Lusa

Os Estados Unidos, declarou Antony Blinken, "não desejam que esta guerra alastre" mas irão agir de forma "decisiva" contra todos os ataques.

"Os Estados Unidos não procuram o conflito com o Irão. Não desejamos que esta guerra alastre. Mas se o Irão ou os seus intermediários atacarem o pessoal norte-americano onde quer que seja, não se enganem. Nós iremos defender o nosso povo - defenderemos a nossa segurança - de forma rápida e decisiva", declarou perante os 15 membros do Conselho de Segurança.

Tem-se registado um aumento dos ataques a tropas norte-americanas e da coligação internacional no Iraque e na Síria, desde dia 7 de outubro, com a Administração Biden a anunciar esta semana a retirada do pessoal não essencial da embaixada de Bagdade e a recomendar aos cidadãos norte-americanos que evitassem viagens para estes países.

O Pentágono afirmou que não tem ainda conhecimento de uma ordem direta dos níveis mais elevados dos responsáveis iranianos para a realização dos ataques. O porta-voz da Casa Branca, John Kirby, garantiu contudo segunda-feira que é "claro" que o Irão está a facilitá-los.

"Sabemos que o Irão está a companhar de perto estes acontecimentos e nalguns casos a facilita-los ativamente e entusiasmando outros que poderão querer explorar o conflito para seu benefício próprio e do Irão", considerou Kirby em conferência de imprensa.

À Reuters, responsáveis ligados à segurança do Irão, afirmaram sob anonimato que a estratégia de Teerão é usar procuradores como o grupo libanês Hezbollah para realizar ataques limitados contra alvos de Israel e dos EUA mas para evitar uma escalada que implicasse o envolvimento iraniano.
Segurança reforçada
Dois morteiros atingiram esta terça-feira a base aérea de Ain al-Asad, que aloja tropas norte-americanas e internacionais a leste de Bagdade. Células do Hezbollah no Iraque assumiram a responsabilidade pelo ataque.

Horas antes, Antony Blinken tinha apelado ao primeiro-ministro iraquiano Shiaa al-Sudani que tomasse medidas contra os responsáveis pelos ataques, renovando promessas de cooperação para garantir a estabilidade na região.

O Pentágono anunciou também terça-feira uma série de medidas securitárias para proteger as suas tropas estacionadas no Médio Oriente, e mantém em cima da mesa a possibilidade de retirara as famílias dos militares se tal for necessário, referiu a Agência Reuters.

As medidas incluem o aumento das patrulhas militares, acessos mais apertados às bases militares e aumento da recolha de informações, também através de drones e outras operações de vigilância, descreveram à agência alguns responsáveis militares norte-americanos, sob anonimato.

"Com o aumento do número de ataques e tentativas de ataques em localidades militares norte-americanas, é crítico rever constantemente as medidas de proteção das nossas forças", explicou em comunicado enviado à Reuters o general Michael "Erik" Kurilla, comdanante do Comando central dos EUA, que abrange as forças estacionadas no Médio Oriente.

Kurilla considerou ainda que o reforço dos meios estacionados na região devido ao agravamento do conflito entre Israel e o grupo palestiniano Hamas "evitou vítimas mais graves entre as nossas forças no teatro" de guerra.

Os ataques provocaram até agora somente ferimentos ligeiros a quatro membros das forças norte-americanas e a cinco contratados. Todos regressaram já ao ativo.

Durante um alerta de ataque, que acabou por se revelar falso, um contratado pelos estados Unidos faleceu de ataque cardíaco.
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