Mundo
Guerra no Médio Oriente
Blinken adverte Irão. Em caso de ataque a pessoal americano os EUA darão resposta "decisiva"
Em plena reunião do Conselho de Segurança, o secretário de Estado norte-americano deixou um aviso claro ao Irão, numa altura em que se multiplicam os ataques às forças dos EUA no Iraque em pleno agravamento do conflito entre Israel e o Hamas no Médio Oriente.
Os Estados Unidos, declarou Antony Blinken, "não desejam que esta guerra alastre" mas irão agir de forma "decisiva" contra todos os ataques.
"Os Estados Unidos não procuram o conflito com o Irão. Não desejamos que esta guerra alastre. Mas se o Irão ou os seus intermediários atacarem o pessoal norte-americano onde quer que seja, não se enganem. Nós iremos defender o nosso povo - defenderemos a nossa segurança - de forma rápida e decisiva", declarou perante os 15 membros do Conselho de Segurança.
Tem-se registado um aumento dos ataques a tropas norte-americanas e da coligação internacional no Iraque e na Síria, desde dia 7 de outubro, com a Administração Biden a anunciar esta semana a retirada do pessoal não essencial da embaixada de Bagdade e a recomendar aos cidadãos norte-americanos que evitassem viagens para estes países.
O Pentágono afirmou que não tem ainda conhecimento de uma ordem direta dos níveis mais elevados dos responsáveis iranianos para a realização dos ataques. O porta-voz da Casa Branca, John Kirby, garantiu contudo segunda-feira que é "claro" que o Irão está a facilitá-los.
"Sabemos que o Irão está a companhar de perto estes acontecimentos e nalguns casos a facilita-los ativamente e entusiasmando outros que poderão querer explorar o conflito para seu benefício próprio e do Irão", considerou Kirby em conferência de imprensa.
À Reuters, responsáveis ligados à segurança do Irão, afirmaram sob anonimato que a estratégia de Teerão é usar procuradores como o grupo libanês Hezbollah para realizar ataques limitados contra alvos de Israel e dos EUA mas para evitar uma escalada que implicasse o envolvimento iraniano.
Segurança reforçada
Dois morteiros atingiram esta terça-feira a base aérea de Ain al-Asad, que aloja tropas norte-americanas e internacionais a leste de Bagdade. Células do Hezbollah no Iraque assumiram a responsabilidade pelo ataque.
Horas antes, Antony Blinken tinha apelado ao primeiro-ministro iraquiano Shiaa al-Sudani que tomasse medidas contra os responsáveis pelos ataques, renovando promessas de cooperação para garantir a estabilidade na região.
O Pentágono anunciou também terça-feira uma série de medidas securitárias para proteger as suas tropas estacionadas no Médio Oriente, e mantém em cima da mesa a possibilidade de retirara as famílias dos militares se tal for necessário, referiu a Agência Reuters.
As medidas incluem o aumento das patrulhas militares, acessos mais apertados às bases militares e aumento da recolha de informações, também através de drones e outras operações de vigilância, descreveram à agência alguns responsáveis militares norte-americanos, sob anonimato.
"Com o aumento do número de ataques e tentativas de ataques em localidades militares norte-americanas, é crítico rever constantemente as medidas de proteção das nossas forças", explicou em comunicado enviado à Reuters o general Michael "Erik" Kurilla, comdanante do Comando central dos EUA, que abrange as forças estacionadas no Médio Oriente.
Kurilla considerou ainda que o reforço dos meios estacionados na região devido ao agravamento do conflito entre Israel e o grupo palestiniano Hamas "evitou vítimas mais graves entre as nossas forças no teatro" de guerra.
Os ataques provocaram até agora somente ferimentos ligeiros a quatro membros das forças norte-americanas e a cinco contratados. Todos regressaram já ao ativo.
Durante um alerta de ataque, que acabou por se revelar falso, um contratado pelos estados Unidos faleceu de ataque cardíaco.