Bloqueio naval deixa 20 navios retidos em porto iraniano. Trump diz que Irão pede aos EUA para abrirem Ormuz

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Bloqueio naval deixa 20 navios retidos em porto iraniano. Trump diz que Irão pede aos EUA para abrirem Ormuz

As Forças Armadas norte-americanas adiantaram que, devido ao bloqueio naval imposto ao Irão, cerca de 20 navios estão retidos no porto de Chah Bahar, o único porto com acesso direto ao oceano Índico. Trump garante que Irão declarou estado de colapso e pede para EUA abrirem Estreito de Ormuz. Entretanto, os Emirados Árabes Unidos vão retirar-se da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a partir de 1 de maio. Acompanhamos aqui, ao minuto, o evoluir da guerra no Médio Oriente.

Cristina Sambado, Ana Sofia Rodrigues - RTP /

Mohammed Aty - Reuters

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RTP /

Aeroporto de Heathrow alerta que guerra com o Irão afetará o número de passageiros em 2026

O aeroporto de Heathrow afirmou esta quarta-feira que o número de passageiros para o resto do ano será provavelmente impactado pela guerra com o Irão, apesar de ter absorvido temporariamente a procura de outros aeroportos após o encerramento do espaço aéreo na região.

O maior aeroporto do Reino Unido reiterou uma perspetiva incerta para o ano, mas informou que 18,9 milhões de passageiros viajaram pelo aeroporto no oeste de Londres no primeiro trimestre, um aumento de 3,7 por cento em relação ao ano anterior.
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Lusa /

Realizador iraniano Ali Asgari trocaria o cinema pela paz

O realizador Ali Asgari, prestes a estrear o mais recente filme em Portugal, disse à Lusa que gostaria que o povo do Irão pudesse ter paz e felicidade, e que abdicaria do cinema se isso pudesse ser uma troca.

O filme "Divina Comédia", que se estreou em Veneza no ano passado e chega quinta-feira a salas portuguesas de cinema pela Nitrato Filmes, aborda, com traços de sátira, o caso de um realizador que vê o seu filme proibido pelas autoridades iranianas e tenta projetá-lo de qualquer maneira, de forma clandestina, em Teerão.

Em entrevista à Lusa antes do começo da 3.ª edição do Festival Internacional de Cinema da Maia, que começa hoje e prossegue até sábado naquele concelho do distrito do Porto, e onde Asgari vai estar em destaque, o cineasta contou que não pede permissão às autoridades para filmar porque sempre acreditou que "é muito importante ter esta liberdade de expressão" e escrever o que considera ser o melhor para si e para a mensagem que pretende transmitir.

No cinema de Asgari, a cidade natal do realizador, Teerão, é, em si mesma, uma personagem, com os seus 15 milhões de habitantes, as ruas, as lojas e uma desigualdade que se aprofunda entre ricos e pobres.

"A cidade está cheia de histórias diferentes, de pessoas diferentes com culturas diferentes. Estão a cruzar-se. Ao mesmo tempo, durante anos, os filmes do Irão aconteciam em aldeias e em pequenos lugares. Decidi, por ter nascido em Teerão e por ter crescido lá, [filmar na cidade]", explicou o realizador.

Questionado sobre o impacto da guerra, o cineasta -- que já chegou a ter o passaporte retido por meses - realçou que os milhares de mortos nos protestos de janeiro terão causado ainda mais repercussões do que a guerra lançada pelos Estados Unidos da América e Israel sobre a sociedade iraniana, "porque o povo sofreu muito com o que aconteceu, muita depressão, muita tristeza, e isso afetou a vida de toda a gente no Irão".

"Penso que os cineastas, mais do que nunca, pensaram numa forma diferente de fazer cinema. Porque não é fácil testemunhar uma tragédia e depois fazer as mesmas coisas que fazias antes", disse Ali Asgari.

Sobre se o conflito, que levou a uma reação do Irão sobre os seus vizinhos regionais, poderia trazer contrariedades aos realizadores na divulgação do seu trabalho no exterior, o cineasta disse acreditar que tal não acontecerá.

"O que estamos a fazer é falar sobre a verdade. [...] A verdade é algo que as pessoas esperam ouvir. [...] Mas, acima de tudo, não é tão importante agora pensar em termos de quem é que é mais afetado ou não", afirmou o realizador de "Versos Terrenos".

Para Asgari, "mais que tudo, o importante é que as pessoas no Irão encontrem paz, encontrem felicidade".

O realizador afirmou que preferia não fazer filmes o resto da vida, mas que o povo, a sua família, a sua mãe, tivessem "uma vida tranquila, em paz e felicidade".

Vencedor de vários prémios internacionais, incluindo no festival de curtas-metragens de Évora FIKÉ em 2013, e nomeado em dezenas de ocasiões, com várias passagens pelo Curtas de Vila do Conde, o trabalho de Asgari já passou por alguns dos principais festivais mundiais, de Berlim a Cannes, onde o cineasta vai regressar em maio, como elemento do júri da competição de curtas-metragens e da secção La Cinef, dedicada a cineastas emergentes.

Segundo a Nitrato, "Divina Comédia" vai estar a partir de quinta-feira em salas de Castelo Branco, Coimbra, Lisboa, Portimão e Porto.

 

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Lusa /

Amnistia defende acordo de paz regional duradouro e sustentável

A Amnistia Internacional defendeu hoje que "um cessar-fogo regional duradouro, sustentável e abrangente", incluindo todos os países afetados pelo conflito, deve substituir as frágeis e temporárias tréguas entre Estados Unidos e Irão, Israel e Líbano.

Segundo a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, Portugal, por sua vez, tem "a responsabilidade e o dever moral de contribuir para o fim deste conflito", pelo que "deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional".

Num comunicado, a Amnistia sustentou que só assim se poderá impedir "mais sofrimento catastrófico entre a população civil e abrir caminho para a justiça, o respeito pelo direito internacional e a proteção a longo prazo dos direitos humanos para todos".

"Apesar da redução das hostilidades armadas, este continua a ser um momento crítico e profundamente precário para os civis em todo o Médio Oriente: ambos os atuais acordos de cessar-fogo são frágeis, temporários e correm o risco de ruir a qualquer momento, colocando, mais uma vez, em perigo a vida de milhões de civis", sublinhou a organização.

"Os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão continuam a trocar ameaças e a realizar ataques e apresamentos de navios no estreito de Ormuz; no Líbano, tal como tem acontecido desde 2024, o mais recente cessar-fogo levou a uma redução, mas não ao fim das hostilidades, e as forças militares israelitas permaneceram em território libanês, ordenando aos residentes de dezenas de aldeias nas zonas fronteiriças que não regressassem", descreveu, no comunicado.

E no Irão, "entretanto, os civis enfrentam o duplo risco de crimes atrozes associados a um recomeço dos ataques ilegais dos Estados Unidos e de Israel, bem como de uma repressão mortal por parte das autoridades" do regime teocrático, acrescentou.

Para a Amnistia Internacional, "os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, foram ilegais, violando a proibição do uso da força prevista na Carta das Nações Unidas, e desencadearam atos ilegais por parte das autoridades iranianas em retaliação".

"Desde então, mais de 5.000 pessoas foram mortas e milhões de civis em todo o Médio Oriente viram as suas vidas viradas do avesso, à medida que conflitos relacionados se intensificaram na região e civis e infraestruturas civis foram alvo de ataques", prosseguiu a ONG.

"Todas as partes, incluindo os EUA, Israel, o Irão e o [movimento xiita libanês] Hezbollah, lançaram ataques ilegais, demonstrando um desprezo arrepiante pela vida humana, enquanto o Presidente dos EUA proferiu ameaças descaradas de cometer crimes de guerra e até mesmo genocídio, ameaçando `aniquilar uma civilização inteira` no Irão", vincou.

De acordo com a secretária-geral da Amnistia, Agnès Callamard, "a comunidade internacional deve agora traçar uma linha vermelha: tem de haver um cessar-fogo duradouro e genuíno", o que "requer a cessação total das hostilidades armadas por todas as partes, em todos os países afetados".

Os conflitos armados "alastraram rapidamente a 12 países, pondo em risco a vida e a saúde de milhões de civis, com ataques que devastaram habitações civis e infraestruturas essenciais, prejudicando o ambiente e desencadeando ondas de choque económicas sentidas em toda a região e no mundo", referiu a organização.

"Um cessar-fogo sustentável e duradouro é o único caminho credível para proteger os civis e abrir caminho para a segurança a longo prazo, a proteção dos direitos humanos e a justiça para todos na região --- incluindo no Irão, no Líbano, em Israel, nos Territórios Palestinianos Ocupados e nos Estados do Golfo" Pérsico, defendeu Callamard.

Segundo a responsável, "um cessar-fogo que não seja acompanhado por soluções de longo prazo que salvaguardem os direitos humanos e abordem as causas profundas é pouco mais do que um remendo temporário numa ferida profunda".

"Isto é particularmente verdade no Irão, onde a população continua em risco de novas atrocidades às mãos das autoridades da República Islâmica, e no Líbano, onde os civis enfrentam a perspetiva de um conflito renovado, deslocações indefinidas de civis e a destruição das suas casas", afirmou.

Perante a "erosão perigosa e contínua da ordem jurídica internacional e do respeito pelo direito internacional humanitário" a que estamos a assistir, a secretária-geral da Amnistia sustentou que "a comunidade internacional deve investigar exaustivamente os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão, que violam a Carta das Nações Unidas e constituem crimes ao abrigo do direito internacional, e garantir que os Estados e os indivíduos sejam responsabilizados".

Quanto ao Governo português, o diretor executivo da Amnistia Internacional -- Portugal, João Godinho Martins, defendeu que, depois de ter contribuído para a continuação desta guerra, "através do seu apoio político e militar aos EUA", deve agora assumir "um papel crucial na manutenção de um cessar-fogo sustentável e duradouro".

"Portugal tem de fazer a sua parte. Portugal tem a responsabilidade e o dever moral de contribuir para acabar com este conflito e, acima de tudo, garantir que não contribui para violações do direito internacional", afirmou João Godinho Martins.

"Para assegurar o cumprimento das suas obrigações internacionais, Portugal deve cessar urgentemente qualquer apoio militar aos Estados Unidos que possa tornar possíveis quaisquer violações do direito internacional, suspendendo imediatamente as transferências de armas para qualquer parte envolvida no conflito atual, e recusar a disponibilização da Base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas na região, e no quadro do atual acordo bilateral com os EUA", precisou.

Para o responsável da Amnistia em Portugal, "o Governo português deve enviar sinais claros, de forma coerente e sem discriminação entre partes, de que todos os Estados estão obrigados a cumprir os seus compromissos ao abrigo do direito internacional, defendendo a importância dos sistemas multilaterais, e usando todos os mecanismos ao seu alcance para pressionar os perpetradores, nomeadamente votando a favor da suspensão do Acordo de Associação União Europeia-Israel".

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Trump diz que Irão pede o fim do bloqueio americano
RTP /

Bloqueio naval deixa 20 navios retidos em importante porto iraniano

As Forças Armadas norte-americanas adiantaram hoje que, devido ao bloqueio naval imposto ao Irão, cerca de 20 navios estão retidos no porto de Chah Bahar, o único porto com acesso direto ao oceano Índico.

Este porto é um importante centro de comércio com países do Sul e Centro da Ásia, noticiou a agência Efe.

"Antes do bloqueio americano ao Irão, o porto de Chah Bahar tinha uma média de cinco navios ancorados diariamente. Hoje, mais de 20 embarcações permanecem retidas", indicou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na rede social X.

As Forças Armadas norte-americanas acrescentaram que o bloqueio naval aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril, praticamente paralisou o comércio da República Islâmica.

O porto de Chah Bahar é considerado estratégico por ser a única saída do Irão para o oceano Índico, permitindo ao país manter rotas comerciais sem depender do Estreito de Ormuz.

Além disso, serve como corredor fundamental para o Afeganistão e para a Ásia Central, facilitando o intercâmbio de mercadorias na região.

O Centcom intercetou hoje de manhã um navio comercial no mar Arábico por suspeita de se dirigir para o Irão, embora tenha sido libertado depois de se ter constatado que não tinha como destino um porto iraniano.

Na segunda-feira, o Centcom informou que um contratorpedeiro da Marinha dos EUA deteve o petroleiro M/T Stream, de bandeira iraniana, somando-se a pelo menos dois navios de carga iranianos apreendidos nas semanas anteriores em operações americanas.

O bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos persiste, enquanto as negociações para um acordo continuam paralisadas, após o adiamento da segunda ronda de negociações, agendada para o passado fim de semana em Islamabade.

As autoridades da República Islâmica exigiram que Washington termine o bloqueio do Estreito de Ormuz como condição para o avanço das negociações sobre o fim do conflito.

(Lusa)
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