Blue Origin e SpaceX cancelam presença na Cimeira Espacial de Paris

Blue Origin e SpaceX cancelam presença na Cimeira Espacial de Paris

A menos de uma semana da primeira Cimeira Espacial Internacional se iniciar em Paris, as gigantes norte-americanas Blue Origin e SpaceX cancelaram esta quinta-feira a sua participação, entre rumores de pressão da Casa Branca.

RTP / Adicionar como fonte informativa
A nave Starship e o foguetão Super Heavy da SpaceX descolam para o seu 13º voo de teste em 25 de agosto de 2026 Foto: Steve Nesius - Reuters

A Cimeira, sem precedentes, prevê reunir os principais atores económicos e institucionais do setor no Grand Palais, nos dias 9 e 10 de setembro, de acordo com o Ministério do Ensino Superior, Investigação e Espaço de França. Esperam-se em Paris os principais atores políticos e empresariais do mundo, para debater o futuro do panorama espacial, que se alterou radicalmente desde a chegada de interesses privados. Na agenda da Cimeira estão os desafios relacionados com a utilização do espaço, um domínio estratégico que diz respeito à economia, à segurança, ao clima e à soberania digital.

A ambição declarada do encontro, copresidido pela França e pela Alemanha, é chegar a declarações conjuntas para estabelecer as bases para futuras negociações sobre a coordenação internacional do tráfego espacial, a partilha de frequências e a partilha de dados científicos espaciais.

Cerca de 120 países foram convidados a ir a Paris na próxima semana, com exceção da Rússia, Coreia do Norte e Irão

Já a China, é vista como um actor fundamental cuja "participação efectiva" os organizadores esperam, disse o secretário-geral General Philippe Adam à revista Air & Cosmos na quinta-feira.

Em julho, à Agência France Press (AFP), o general Adam sublinhara que, "obviamente, os americanos têm de estar".

Ao todo, foram quatro as empresas norte-americanas do setor a desistir de estar presentes em Paris. Além da Blue Origin, de Jeff Bezos, e da SpaceX, de Elon Musk, duas grandes empresas globais do setor espacial privado, também as startups Stoke Space e Starcloud cancelaram a sua participação, de acordo com o Ministério francês.

Contactada pela AFP, a Blue Origin e a SpaceX não responderam de imediato.
Intervenção da Casa Branca

Terá sido a Administração de Donald Trump a pressionar os empresários a não participar na cimeira convocada pelo presidente de França.

O órgão de imprensa norte-americano, Politico, citou três fontes não identificadas, duas ligadas às empresas espaciais e uma activa na esfera política, para noticiar a realização de uma chamada telefónica entre um gabinete da Casa Branca e várias empresas espaciais, incluindo a SpaceX, durante a qual "pareceu que o governo [americano] estava a desencorajar a participação no evento".

Segundo aquelas fontes, um funcionário da Casa Branca afirmou durante a chamada telefónica que "a França não se tinha coordenado com os Estados Unidos", acusou o país de "práticas anticoncorrenciais" e sugeriu que os workshops não tinham sido planeados para incluir a perspetiva americana", referiu. A presença norte-americana "poderia ser interpretado como um apoio tácito às posições políticas da União Europeia", sugeriu também o Político.

Em reação à notícia, o Ministério do Interior francês referiu, em comunicado enviado à AFP, ser "difícil não relacionar isto com os rumores de pressão que estão a ser noticiados pela imprensa".

"Obviamente, queremos continuar a trabalhar com os nossos parceiros e aliados americanos, mesmo que as mudanças estratégicas e as pressões políticas tornem, por vezes, a tarefa desnecessariamente complexa", acrescentou.

"A administração Trump continua a colaborar com os seus aliados e parceiros espaciais", esclareceu ainda, referindo que se esperam "discussões produtivas em Paris sobre prioridades-chave como missões espaciais, programas de exploração e segurança espacial".

A intervenção de empresas privadas muito poderosas alterou o panorama espacial mundial drasticamente nos últimos anos, num contexto internacional cada vez mais turbulento devido ao aumento dos conflitos e à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Desde que assumiu o cargo, Trump reorientou parte da política espacial norte-americana, apanhando por vezes os seus aliados europeus de surpresa, particularmente em relação ao programa de exploração lunar Artemis.

c/agências
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