EM DIRETO
Moção de censura em discussão no parlamento com chumbo anunciado

Bombas de fragmentação fizeram mais de 1.000 vítimas em 2025

Bombas de fragmentação fizeram mais de 1.000 vítimas em 2025

As bombas de fragmentação, proibidas por uma convenção assinada por mais de 100 países em 2008, mataram ou feriram pelo menos 1.063 pessoas em 2025, num dos totais anuais mais elevados registados, disse hoje a ONU.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Pelo quarto ano consecutivo, a Ucrânia lidera destacada o número total de vítimas, com 927 casos confirmados, referiu o relatório de 2026 de "monitorização de munições de fragmentação", apresentado em Genebra, Suíça.

Este é o 17.º relatório anual do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento (UNIDIR), em parceria com a Coligação contra as Munições de Fragmentação (CMC, na sigla em inglês).

Divulgado na véspera da III Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições de Fragmentação, agendada para o Laos entre 14 e 18 de setembro, o relatório anual sublinhou que "os civis continuaram a arcar com o enorme custo humano dessas armas indiscriminadas, representando 87% das vítimas".

"Novos casos de vítimas decorrentes de ataques com bombas de fragmentação (946) ou de seus remanescentes (117) foram registados em nove países em 2025: Afeganistão, Camboja, Iraque, Laos, Líbano, Myanmar (antiga Birmânia), Rússia, Síria e Ucrânia", apontou o documento.

De acordo com o instituto da ONU, "embora a convenção de 2008 que proíbe estas armas continue a produzir resultados humanitários tangíveis", registaram-se "desenvolvimentos preocupantes, envolvendo principalmente Estados que não são partes na convenção, que correm o risco de comprometer a norma mais ampla contra as munições de fragmentação".

"Durante o período abrangido pelo relatório, foram utilizadas munições de fragmentação por Irão, Myanmar, Rússia, Tailândia e Ucrânia, todos eles Estados que não são partes na convenção", assinalou.

O relatório precisou que "o Irão utilizou munições de fragmentação repetidamente contra Israel em 2026, a Tailândia utilizou-as contra o Camboja em 2025, no contexto do conflito fronteiriço entre os dois países, enquanto tanto a Rússia como a Ucrânia continuaram a utilizar munições de fragmentação no contexto da guerra" em curso entre os dois países.

"Foi também relatado o uso no território do Mali, Estado parte [da Convenção], o que requer uma investigação mais aprofundada para determinar quais dos combatentes envolvidos no conflito foram os responsáveis", indicou o relatório.

O documento acrescentou que "alegações de uso por outros Estados que não são signatários, incluindo Israel, Paquistão e, possivelmente, EUA, bem como pelas forças huthis a operar no Iémen, também foram relatadas, mas permaneceram por confirmar".

Estes dados foram divulgados num momento em que os Estados se preparam para se reunir em Vientiane, no Laos, o país mais afetado por bombas de fragmentação no mundo, para a III Conferência de Revisão da Convenção sobre Munições de Fragmentação de 2008, 16 anos após a entrada em vigor do tratado.

A Convenção conta agora com 112 Estados Partes e 12 signatários, na sequência da adesão de Vanuatu à convenção em setembro de 2025 e da saída da Lituânia, que, em março de 2025, tornou-se no primeiro país a retirar-se da convenção.

As munições de fragmentação, que podem ser disparadas a partir do solo (por artilharia, foguetes, mísseis ou morteiros) ou lançadas por aeronaves, normalmente abrem-se no ar, dispersando várias submunições explosivas ou bombas sobre uma vasta área, o que leva a muitas vítimas civis, sobretudo em áreas povoadas.

Além disso, notou o UNIDIR, muitas submunições não explodem no impacto inicial, deixando resíduos não detonados que podem ferir e matar indiscriminadamente como minas terrestres durante anos, até serem encontrados e destruídos.

Tópicos
PUB