Boris Johnson envia plano de cinco pontos a Macron para deter migração

por RTP
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido Reuters

O primeiro-ministro britânico anunciou na rede Twitter que escreveu ao Presidente francês uma carta com cinco pontos que considera urgentes para evitar novas tragédias no Canal da Mancha, como o naufrágio desta quarta-feira que vitimou 27 migrantes.

Boris Johnson propõe a constituição de "patrulhas conjuntas para impedir os barcos de partir das praias francesas. A colocação de tecnologias avançadas como sensores e radares. E patrulhas marítimas recíprocas nas águas territoriais de cada um e vigilância aérea". A proposta de patrulhas conjuntas foi repudiada pelos franceses, revelou na semana passada o comandante da Ameaça Clandestina ao Canal da Mancha, Dan O'Mahoney.

O primeiro-ministro quer ainda "aprofundar o trabalho da nossa Célula Conjunta de Informação, com partilha em tempo-real de informações para conseguir mais detenções e acusações de ambos os lados do Canal".

"Implementar de imediato um acordo de regresso com França, a par das conversações para um acordo UE-RU de retorno" de migrantes é outra das vontades de Johnson.

Boris Johnson argumentou que a França deveria aceitar receber novamente os migrantes que consigam fazer a travessia do Canal da Mancha, dizendo que tal “teria um impacto significativo” na crise.
Quebrar o modelo de negócio dos traficantes
“Esta noite escrevi ao Presidente Macron propondo fazer mais e mais rapidamente para evitar as travessias do Canal e a repetição da horrível tragédia de ontem”, escreveu Boris Johnson no Twitter.

Presto tributo aos serviços de emergência que têm tido de lidar com esta situação devastadora”, acrescentou.

“No seguimento da nossa conversa a noite passada, sei que o Presidente Macron reconhece, como eu, a urgência da situação que ambos enfrentamos”, referiu.

Para Boris Johnson, se a França aceitasse receber de volta os migrantes estes teriam menos incentivos para “colocar as suas vidas” nas mãos dos traficantes de pessoas, sabendo que seriam recambiados à origem.

"Este seria o maior passo que poderíamos dar em conjunto para reduzir a atração do Norte de França e quebrar o modelo de negócio dos grupos criminosos", considerou o britânico.

"Estou confiante de que ao dar estes passos e aprofundando a nossa cooperação já existente, poderemos resolver a migração ilegal e evitar que mais famílias sintam a perda devastadora a que assistimos ontem", acrescentou Boris Johnson.
Reticências de Paris
O Governo francês tem apontado o dedo ao Reino Unido a quem acusam de falhar na resolução da crise migrante e Emmanuel Macron revelou que pediu “ajuda extra” por parte do Reino Unido depois da polícia francesa se ter revelado incapaz de deter meia centena de migrantes que à sua frente embarcavam para tentar a travessia.

Imagens de polícias franceses no areal a assistir sem intervir ao embarque provocaram uma onda de indignação no Reino Unido e foram apontadas como prova de que os franceses não têm qualquer interesse em agir para deter a migração. Os migrantes foram recolhidos por patrulhas britânicas durante a madrugada.

Esta tarde houve protestos junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Londres, a exigir o fim das mortes no Canal da Mancha.

Em Calais, os migrantes afirmam-se mais determinados que nunca a chegar ao Reino Unido, enquanto a ministra britânica da Administração Interna, Priti Patel, afirmou que não existe “uma solução fácil” para evitar que os migrantes embarquem em frágeis barcos pneumáticos a caminho do país e lembrando que os pedidos de asilo estão em máximos de 20 anos.
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