Bruxelas prepara reforço da indústria europeia de defesa

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A Comissão Europeia vai apresentar esta semana um conjunto de três instrumentos com o intuito de melhorar as capacidades militares da União Europeia. Um documento consultado pelo jornal El País, que vai ser apresentado na próxima quarta-feira, prevê a criação de um novo Fundo Europeu de Defesa de 13 mil milhões de euros para reforço da indústria e tecnologia militar. O investimento exclui empresas estrangeiras e pretende reforçar a autonomia estratégica da Europa em relação aos Estados Unidos.

“A Europa enfrenta novas ameaças que não conhecem fronteiras e nenhum país europeu pode enfrentá-las estando separado. Num ambiente internacional em mudança, a Europa precisa de reforçar a sua autonomia estratégica”. É um das frases que marca o documento do executivo comunitário consultado pelo El País, que vai ser apresentado esta semana, e que promete tornar a Europa num espaço mais autossuficiente no que à defesa diz respeito.
 
Três diferentes instrumentos vão reforçar o investimento e cooperação militar, incluindo um novo Fundo Europeu de Defesa, no valor de 13 mil milhões de euros. Um fundo com que se pretende “defender e proteger os europeus”, previsto para o período entre 2021-2027, que se destina a aumentar o investimento em equipamento militar e evitar o financiamento de empresas controladas por outros países, nomeadamente os Estados Unidos.  

Bruxelas prevê, no entanto, algumas exceções, nomeadamente no que diz respeito às filiais europeias de empresas externas, garantindo que não há qualquer transferência de informação classificada.  
O fundo pretende fomentar a cooperação entre os países europeus e destina-se à ajuda no financiamento de projetos em que participem pelo menos três Estados-membros.
Segundo as contas europeias, trata-se de um investimento de 1080 milhões anuais. O valor total será dividido em duas secções: 4100 milhões para projetos de pesquisa e investigação militar e os restantes 8900 milhões para o desenvolvimento das capacidades e equipamentos de defesa, desde tanques, drones e programas de segurança cibernética.  

O ímpeto europeu para a autossuficiência no campo da defesa surge num momento de enorme crispação e dúvida na aliança transatlântica. Em várias ocasiões – hoje mesmo, através do Twitter, após o descalabro do G7 – que o atual Presidente norte-americano critica a ausência de gastos europeus de âmbito militar.  

Donald Trump refere mesmo que os países europeus têm de apostar mais na sua própria defesa, mas também no reforço das respetivas contribuições para o orçamento da NATO, um investimento que deveria alcançar os 2% do PIB, no âmbito da Aliança Atlântica.  

No entanto, e como realça o jornal de Madrid, a autodeterminação europeia no campo da defesa é um tema que irrita e preocupa Washington. A ordem vigente desde o final da II Guerra Mundial prevê o auxílio de Defesa e a venda de equipamento militar por parte dos Estados Unidos, que, a confirmar-se este novo cenário, poderá ter os dias contados, numa lógica de afastamento entre velhos aliados.

Não obstante, resta confirmar o sucesso do plano previsto pelo executivo comunitário perante montantes tão elevados. No ano passado, uma primeira versão do fundo de Defesa previa um investimento de apenas 600 milhões de euros entre 2018 e 2020. 

Os especialistas ouvidos pelo jornal espanhol dividem-se sobre o futuro e o eventual sucesso destas medidas. Charles Wyplosz, da Graduate Institute, salienta que, depois do Brexit, apenas o exército francês “é eficaz” dentro da União Europeia e que o exército alemão “não existe”.

Sébastien Maillard, do Instituto Delors, mostra-se mais otimista. “O facto de a Administração Trump não proteger, mas destabilizar e humilhar a União Europeia, funciona como uma cola”, considera.

Tópicos:

Defesa, Estados Unidos, Exército, Militares, NATO, União Europeia,

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