Cabo Verde e UTAD com projetos no desporto, informática e segurança alimentar

por Lusa

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, e Cabo Verde estão a desenvolver projetos conjuntos em áreas que vão desde a segurança alimentar, desporto e engenharia informática às ciências agrárias, foi hoje anunciado.

"Cabo Verde está à procura de parcerias para acelerar o seu ritmo de modernização, de transformação, de sofisticação e aqui há áreas interessantes de trabalho, não só para os estudantes cabo-verdianos que podem vir cá estudar, mas também possibilidades de desenvolver cursos conjuntos com as universidades cabo-verdianas", afirmou hoje o presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves.

O chefe de Estado esteve na UTAD, onde estudam 27 alunos cabo-verdianos, visitou algumas das instalações da academia, localizada em Vila Real, e destacou áreas de ensino e investigação que são "muito importantes" para Cabo Verde, como as ciências agrárias, veterinária, informática ou a segurança alimentar.

"Nós, neste momento, com o crescimento e desenvolvimento do turismo temos que melhorar substancialmente alguns domínios em termos de formação de políticas públicas, mas também em termos de resultados", realçou José Maria Neves, que afirmou ainda que "a cooperação com a UTAD é extraordinariamente importante para Cabo Verde".

Emídio Gomes, reitor da universidade transmontana, exemplificou algumas das iniciativas conjuntas com aquele país de língua oficial portuguesa, como o projeto FEMCoach, que conta com a parceria do comité olímpico de Cabo Verde.

O projeto internacional FEMCoach tem como objetivo promover e aumentar a consciencialização para o desporto feminino de uma forma saudável, desenvolvendo as competências e habilidades das treinadoras de acordo com as suas necessidades e o seu desenvolvimento individual.

O reitor acrescentou ainda "um pedido específico de formação de técnicos e de quadros da administração pública de Cabo Verde para a área de segurança alimentar" e acordos para a área de engenharia informática e ciências agrárias com a universidade cabo-verdiana, com partilha de professores.

"Temos já a primeira enóloga de Cabo Verde formada na UTAD e estamos a organizar que um pequeno lote de vinho do Fogo [ilha] leve a marca de prestígio Alumni UTAD e que isso seja o primeiro de muitos enólogos que continuamos a formar para o mundo", elencou ainda.

A academia criou em 2016 a marca "Alumni UTAD", traduzindo-se na criação de vinhos por enólogos formados na instituição.

"A UTAD não olha para Cabo Verde de uma forma única para receber estudantes, até porque o nosso preenchimento de vagas no concurso nacional de acesso é de quase 100%", referiu Emídio Gomes, que realçou a cooperação e a ajuda à capacitação institucional daquele país.

O reitor lembrou ainda que esta universidade foi a "primeira instituição de ensino superior em Portugal a ter decidido que, a partir do ano letivo 2024/25, todos os estudantes oriundos de países de língua portuguesa passam a pagar o mesmo valor de propinas que os estudantes nacionais.

"É uma decisão histórica que mostra bem a forma como nós encaramos a internacionalização e a matriz linguística", frisou.

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