Câmara baixa do Congresso rejeita resolução para limitar poderes de guerra de Trump
A Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso) dos Estados Unidos rejeitou hoje, por uma pequena margem, uma resolução sobre os poderes de guerra que visava travar os ataques do Presidente Donald Trump contra o Irão.
A votação `apertada` é um sinal precoce de inquietação no Congresso em relação ao conflito que se intensifica rapidamente e está a reordenar as prioridades dos EUA, tanto a nível nacional como internacional, noticiou a agência Associated Press (AP).
Esta é a segunda votação em dois dias, depois de o Senado ter rejeitado uma medida semelhante, seguindo as linhas partidárias.
Embora a votação na câmara baixa, de 212 a 219, fosse esperada como renhida, o resultado forneceu um panorama esclarecedor do apoio político e da oposição à operação militar EUA-Israel e da justificação de Trump para ignorar o Congresso, que é o único órgão com poder para declarar guerra.
No Capitólio, o conflito rapidamente suscitou ecos das longas guerras no Afeganistão e no Iraque.
"Donald Trump não é um rei, e se ele acredita que a guerra com o Irão é do nosso interesse nacional, então deve vir ao Congresso e apresentar os seus argumentos", sublinhou o congressista Gregory Meeks, principal democrata na comissão de negócios estrangeiros da Câmara dos Representantes.
A câmara baixa aprovou também uma medida separada afirmando que o Irão é o maior patrocinador do terrorismo.
O Partido Republicano de Trump, que controla por uma pequena margem a Câmara dos Representantes e o Senado, vê o conflito com o Irão não como o início de uma nova guerra, mas como o fim de um regime que há muito ameaça o Ocidente.
A operação iniciada na semana passada por Israel e EUA matou o Líder Supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, o que alguns veem como uma oportunidade para uma mudança de regime, embora outros alertem para um vazio de poder caótico.
O congressista republicano Brian Mast, da Florida, presidente da comissão de negócios estrangeiros, agradeceu publicamente a Trump por ter tomado medidas contra o Irão, afirmando que o Presidente está a usar a sua própria autoridade constitucional para defender os EUA contra a "ameaça iminente" representada pelo país.
Embora o Congresso seja o único órgão autorizado a declarar guerra, uma lei de 1973 permite ao Presidente norte-americano lançar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência criada por um ataque contra os Estados Unidos.
Na segunda-feira, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, utilizou o termo "guerra" para descrever o conflito em curso com o Irão, e não simplesmente uma intervenção limitada.
Seis militares norte-americanos foram mortos no fim de semana num ataque com um drone no Kuwait, e Trump alertou que mais norte-americanos podem morrer.
Milhares de norte-americanos no estrangeiro apressaram-se a conseguir voos, muitos deles ligando insistentemente para os gabinetes do Congresso à procura de ajuda para fugir do Médio Oriente.
Trump sublinhou hoje que precisa de se envolver na escolha do novo líder do Irão, apesar do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson (republicano da Louisiana), ter afirmado esta semana que os Estados Unidos já têm problemas suficientes em casa e não estão dispostos a envolver-se na "nation-building" ("construção de nações").