Camboja junta-se ao Conselho de Paz de Trump como membro fundador
O primeiro-ministro do Camboja, Hun Manet, anunciou hoje que o país se juntou como membro fundador ao chamado Conselho de Paz de Gaza, após receber o convite do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Conselho de Paz de Gaza é uma iniciativa promovida pela Casa Branca para supervisionar a aplicação do plano de 20 pontos de Trump com o objetivo declarado de pôr fim à guerra entre Israel e o Hamas.
Até agora, cerca de 20 nações, algumas delas lideradas por aliados próximos de Trump, manifestaram apoio à iniciativa, mas as grandes potências e a maioria dos países europeus mostraram-se reticentes, considerando que o Conselho enfraquece a Organização das Nações Unidos (ONU).
A incorporação de Phnom Penh ao Conselho "demonstrará a vontade do Camboja de apoiar e contribuir para a promoção da manutenção da paz global", declarou Hun Manet em comunicado.
O líder cambojano também tentou abordar a preocupação pública sobre o impacto financeiro da adesão.
"Visto que alguns concidadãos ainda têm dúvidas sobra a obrigação financeira do Camboja em aderir, gostaria de esclarecer que aderir como membro fundador do Conselho de Paz por três anos não requer um orçamento. O orçamento de mil milhões de dólares norte-americanos [843 milhões de euros] só se aplica no caso de uma adesão permanente a longo prazo", concluiu Hun Manet.
O Conselho é presidido por Donald Trump, que nomeou um comité executivo composto por pessoas de confiança: Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, o conselheiro de segurança Robert Gabriel, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o enviado especial para Gaza, Steve Witkoff, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, entre outros.
Além do Camboja, Indonésia e Vietname são os outros países do Sudeste Asiático que aderiram ao Conselho, também composto por Argentina, Israel, Arábia Saudita, Qatar, Hungria, Jordânia, Egito, Paquistão e Emirados Árabes Unidos, entre outras nações.
Por sua vez, a vizinha Tailândia também foi convidada a aderir ao Conselho, mas o primeiro-ministro interino, Anutin Charnvirakul, afirmou que será o Governo eleito após as eleições gerais de 08 de fevereiro que vai tomar a decisão.
Banguecoque e Phnom Penh mantêm uma histórica disputa sobre a soberania de alguns pontos da fronteira entre os dois países, delimitada em 1907 e onde este ano ocorreram duas rondas de conflitos bélicos que deixaram mais de 140 mortos.
Apesar da mediação de Trump em meados de 2025 e do cessar-fogo acordado em dezembro, a tensão entre os vizinhos continua.