Economia
Camiões portugueses parados. Agricultores franceses cortaram autoestrada contra acordo com Mercosul
O trânsito entre Biarritz e a fronteira já ultrapassa os 90 quilómetros.
Centenas de agricultores franceses cortaram uma auto-estrada no sudoeste de França, a A-63. Cerca de uma centena dos camiões são portugueses.
O trânsito entre Biarritz e a fronteira já ultrapassa os 90 quilómetros. É a forma de protesto dos agricultores contra o acordo com o Mercosul e a Política Agrícola Francesa.
Os protestos acontecem também em Athlone, na Irlanda, e em Ourense, em Espanha.
Durante a semana, dezenas de agricultores enfurecidos protestaram em frente ao parlamento francês, após conduzirem cerca de 100 tratores até Paris, e em Espanha, houve protestos em cidades como Tarragona, Santander e Vitoria-Gasteiz, enquanto Bruxelas também foi palco de manifestações.
O acordo de comércio livre com o Mercosul foi aprovado pela União Europeia na sexta-feira, após mais de 25 anos de negociações. O documento vai ser assinado no Paraguai a 17 de janeiro. Este tratado entre a UE, a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai cria uma das maiores áreas de comércio livre do mundo, abrangendo mais de 700 milhões de consumidores.
O acordo comercial prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação e regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas. A fim de reforçar a UE e garantir que o bloco possa reagir rapidamente a perturbações do mercado, o acordo implica uma cláusula de salvaguarda (um “travão de emergência”), com uma redução de 8% para 5% nas variações de preços em caso de desestabilização do mercado na Europa, mas também medidas de reciprocidade nas condições de produção, nomeadamente ambientais, e controlos reforçados.
Ao eliminar grande parte das tarifas, este acordo impulsiona as exportações europeias de automóveis, máquinas, vinhos e queijos. Por outro lado, facilita a entrada na Europa de carne de bovino, aves, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos, com quotas isentas de impostos que causam preocupação nos setores afectados.
Para convencer os mais céticos em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou salvaguardas que podem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. Reforçou os controlos das importações, nomeadamente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e prometeu reduzir as taxas de importação de fertilizantes.
As concessões, contudo, não foram suficientes para convencer a Polónia ou a França, mas a Itália mudou de posição, passando de um "não" em dezembro para um "sim" na sexta-feira, permitindo a maioria necessária para aprovar o acordo.
Para convencer os mais céticos em relação ao acordo, a Comissão Europeia implementou salvaguardas que podem suspender as importações de produtos agrícolas sensíveis. Reforçou os controlos das importações, nomeadamente no que diz respeito aos resíduos de pesticidas, criou um fundo de crise, acelerou o apoio aos agricultores e prometeu reduzir as taxas de importação de fertilizantes.
As concessões, contudo, não foram suficientes para convencer a Polónia ou a França, mas a Itália mudou de posição, passando de um "não" em dezembro para um "sim" na sexta-feira, permitindo a maioria necessária para aprovar o acordo.
Este sinal verde "não é o fim da história", assegurou a ministr afrancesa da Agricultura, Annie Genevard. "Há um ator importante que vai entrar em cena: o Parlamento Europeu".
A ratificação do tratado depende ainda de uma votação no Parlamento Europeu, que deverá acontecer em fevereiro ou março. A votação poderá ser renhida, à medida que os protestos agrícolas se intensificam.
A ratificação do tratado depende ainda de uma votação no Parlamento Europeu, que deverá acontecer em fevereiro ou março. A votação poderá ser renhida, à medida que os protestos agrícolas se intensificam.
A FNSEA, o maior sindicato de agricultores de França, prometeu uma grande manifestação no dia 20 de janeiro em Estrasburgo, em frente ao edifício do Parlamento Europeu.