Camionistas em protesto no Canadá recebem ordem judicial para não buzinar

O tribunal deu razão aos moradores de Ottawa e decretou que o buzinão feito pelos camionistas em protesto seja silenciado durante os próximos dez dias. Os motoristas levaram cerca de 500 veículos de transporte de carga para as ruas da cidade, onde permanecem há mais de uma semana, manifestando-se contra a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-18 para atravessar a fronteira com os Estados Unidos

Carla Quirino - RTP /
Patrick Doyle - Reuters

Autodenominados comboio da liberdade, os camionistas em protesto, para além de bloquearem o centro da capital canadiana, têm fustigado os ouvidos dos moradores com o barulho de centenas de buzinas, dia e noite.

Esta perturbação nos bairros residenciais revoltou a população e desencadeou um processo em tribunal que resultou numa ordem expressa: parem de buzinar.

O juiz Hugh McLean decretou que as buzinas sejam silenciadas pelos próximos dez dias, dando uma vitória provisória aos residentes.

"Tocar uma buzina não é uma expressão de nenhum grande pensamento que eu conheça", afirmou o juiz McLean.

Depois da decisão do juiz, os moradores, para já, esperam ter noites mais tranquilas, embora os protestos não mostrem sinal de acalmia.
Barulho da discórdia
O movimento comboio da liberdade formou-se na sequência da obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 e da apresentação de documento comprovativo da toma das doses para cruzar a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos.
Estes protestos alastraram a outras cidades canadianas e, agora, todas as medidas restritivas para conter a pandemia estão a ser postas em causa, como por exemplo exibir o comprovativo da vacina para entrar em locais fechados - restaurantes, ginásios e bares.

O primeiro-ministro Justin Trudeau, atualmente em isolamento após testar positivo para a covid-19, denominou as ações deste grupo de manifestantes como "um insulto à verdade e à memória", perante testemunhos de ameaças e uso de simbologia nazi para defender o protesto.

Por seu turno, o presidente da câmara de Ottawa, Jim Watson, escreveu uma carta aberta a Trudeau, a pedir o envio urgente de 1.800 efetivos das forças de segurança para acabar com a "ocupação agressiva e odiosa".

"As pessoas estão a viver com medo e aterrorizadas - e agora foram submetidas a buzinas ininterruptas de grandes camiões há já nove dias, o que equivale a uma guerra psicológica", descreveu Watson.

As autoridades hesitaram em confrontar os manifestantes e os veículos, para não acender o rastilho que levaria a mais violência, mas "qualquer pessoa que tente levar material de apoio (gás, etc.) para os manifestantes pode ser presa. A execução está em curso", advertiu a polícia no Twitter.

Mas últimas horas, foram aplicadas multas a vários camionistas por violação de ruído. Os organizadores dizem estar a tentar mobilizar os motoristas para interromperem temporariamente o buzinão até ao meio-dia como um "gesto de boa vontade".


Entre a discórdia semeada na cidade de Ottawa, muitos simpatizantes pelo "Comboio" deixam alimentos, combustível e produtos de higiene junto dos camiões | Patrick Doyle - Reuters 

Em pleno estado de emergência na capital do Canadá, muitos manifestantes pedem a todos os residentes que se juntarem ao protesto, "para que todos possam voltar à vida como deveria ser - quietos, pacíficos e sem ordens do que fazer".

Segundo a BBC, os camionistas terão percebido que o barulho das buzinas estava a ter um efeito contraproducente, alienando a população da causa.
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