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Candidatos ao "Conselho da Paz" de Trump devem pagar mil milhões de dólares
Os países que solicitarem um lugar permanente no "Conselho da Paz", proposto e presidido por Donald Trump, que se autoproclamou com a missão de "promover a estabilidade" no mundo, terão de pagar "mais de mil milhões de dólares em dinheiro", segundo a "carta" obtida pela AFP esta segunda-feira.
O organismo foi inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas a "carta" não menciona explicitamente o território palestiniano e atribui-lhe o objetivo mais vasto de contribuir para a resolução de conflitos armados em todo o mundo.
"O Conselho da Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", refere o preâmbulo do documento enviado aos países convidados a participar.
O documento de oito páginas critica imediatamente "abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência", numa clara alusão às Nações Unidas, e pede "coragem" para "romper" com elas.
O texto sublinha ainda "a necessidade de uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz".
Donald Trump sempre foi um crítico acérrimo das Nações Unidas. Lançou um ataque frontal à organização, que, segundo ele, estava "longe de realizar o seu potencial", durante a última Assembleia Geral em Nova Iorque, em setembro.
A 7 de janeiro, assinou uma ordem executiva que determina a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais que "já não servem os interesses americanos", segundo a Casa Branca. Cerca de trinta dos alvos de Washington estão ligados à ONU.
Tal como durante o seu primeiro mandato, decidiu retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), da qual os EUA tinham regressado sob o governo do presidente Joe Biden.
Retirou também os EUA da Organização Mundial de Saúde e o seu governo cortou significativamente a ajuda americana ao exterior, reduzindo drasticamente os orçamentos de várias organizações, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Programa Alimentar Mundial (PAM)Putin, Milei e Orbán convidados
Só o presidente dos EUA está autorizado a "convidar" outros chefes de Estado e de Governo para integrarem o conselho, podendo revogar a sua participação, exceto em caso de "veto por dois terços dos Estados-membros", e tem o direito de voto em todas as votações.
"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de, no máximo, três anos a partir da entrada em vigor da presente carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que contribuam com mais de mil milhões de dólares em dinheiro para o Conselho da Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta", acrescenta o projeto, sem mais pormenores.
Vários países e líderes anunciaram que foram convidados a juntar-se ao "Conselho" do presidente dos EUA, sem necessariamente revelarem se pretendem aceitar ou recusar.
Entre eles, a França que reiterou esta segunda-feira o seu "compromisso com a Carta das Nações Unidas", que Paris considera "a pedra angular do multilateralismo eficaz".
O Kremlin indicou que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu um convite" através de "canais diplomáticos".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos jornalistas na segunda-feira que a Rússia procurava “esclarecer todas as nuances” da oferta com Washington, antes de dar a sua resposta.
Outros líderes estrangeiros, incluindo o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ambos próximos de Trump, também anunciaram que foram convidados.
Também Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, e o seu homólogo polaco Karol Nawrocki foram convidados por Donald Trump.
As primeiras nomeações para o conselho, anunciadas na sexta-feira, incluíram o próprio Trump como presidente; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o atual secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o enviado de Trump para a resolução de conflitos, o empresário do ramo imobiliário Steve Witkoff; o genro do presidente, Jared Kushner; e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
As cartas-convite incluíam uma espécie de "carta" afirmando que o conselho procuraria "consolidar a paz no Médio Oriente" e, ao mesmo tempo, "adotar uma nova abordagem ousada para a resolução de conflitos globais".
"Tal como vários outros Estados, a França foi convidada pelos Estados Unidos a integrar o 'Conselho da Paz'. Em conjunto com os nossos parceiros próximos, estamos a examinar as disposições do texto proposto como base para este novo órgão, cujo âmbito vai para além da situação em Gaza".
"O Conselho da Paz é uma organização internacional que visa promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos", refere o preâmbulo do documento enviado aos países convidados a participar.
O documento de oito páginas critica imediatamente "abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência", numa clara alusão às Nações Unidas, e pede "coragem" para "romper" com elas.
O texto sublinha ainda "a necessidade de uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz".
Donald Trump sempre foi um crítico acérrimo das Nações Unidas. Lançou um ataque frontal à organização, que, segundo ele, estava "longe de realizar o seu potencial", durante a última Assembleia Geral em Nova Iorque, em setembro.
A 7 de janeiro, assinou uma ordem executiva que determina a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais que "já não servem os interesses americanos", segundo a Casa Branca. Cerca de trinta dos alvos de Washington estão ligados à ONU.
Tal como durante o seu primeiro mandato, decidiu retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), da qual os EUA tinham regressado sob o governo do presidente Joe Biden.
Retirou também os EUA da Organização Mundial de Saúde e o seu governo cortou significativamente a ajuda americana ao exterior, reduzindo drasticamente os orçamentos de várias organizações, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Programa Alimentar Mundial (PAM)Putin, Milei e Orbán convidados
Donald Trump será o "primeiro presidente do Conselho da Paz", cujos poderes são muito amplos, de acordo com a "carta" obtida pela AFP.
Só o presidente dos EUA está autorizado a "convidar" outros chefes de Estado e de Governo para integrarem o conselho, podendo revogar a sua participação, exceto em caso de "veto por dois terços dos Estados-membros", e tem o direito de voto em todas as votações.
"Cada Estado-membro cumprirá um mandato de, no máximo, três anos a partir da entrada em vigor da presente carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplica aos Estados-membros que contribuam com mais de mil milhões de dólares em dinheiro para o Conselho da Paz durante o primeiro ano após a entrada em vigor da Carta", acrescenta o projeto, sem mais pormenores.
Vários países e líderes anunciaram que foram convidados a juntar-se ao "Conselho" do presidente dos EUA, sem necessariamente revelarem se pretendem aceitar ou recusar.
Entre eles, a França que reiterou esta segunda-feira o seu "compromisso com a Carta das Nações Unidas", que Paris considera "a pedra angular do multilateralismo eficaz".
O Kremlin indicou que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu um convite" através de "canais diplomáticos".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos jornalistas na segunda-feira que a Rússia procurava “esclarecer todas as nuances” da oferta com Washington, antes de dar a sua resposta.
Outros líderes estrangeiros, incluindo o presidente argentino, Javier Milei, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, ambos próximos de Trump, também anunciaram que foram convidados.
Também Alexander Lukashenko, presidente da Bielorrússia, e o seu homólogo polaco Karol Nawrocki foram convidados por Donald Trump.
As primeiras nomeações para o conselho, anunciadas na sexta-feira, incluíram o próprio Trump como presidente; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o atual secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio; o enviado de Trump para a resolução de conflitos, o empresário do ramo imobiliário Steve Witkoff; o genro do presidente, Jared Kushner; e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
As cartas-convite incluíam uma espécie de "carta" afirmando que o conselho procuraria "consolidar a paz no Médio Oriente" e, ao mesmo tempo, "adotar uma nova abordagem ousada para a resolução de conflitos globais".
Paris confirma convite e reafirma compromisso com a ONU
A França, que ocupa um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU, reafirmou esta segunda-feira o seu "compromisso com a Carta da ONU", após um convite dos Estados Unidos para integrar o "Conselho da Paz", segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros."Tal como vários outros Estados, a França foi convidada pelos Estados Unidos a integrar o 'Conselho da Paz'. Em conjunto com os nossos parceiros próximos, estamos a examinar as disposições do texto proposto como base para este novo órgão, cujo âmbito vai para além da situação em Gaza".
"Reiteramos também o nosso compromisso com a Carta das Nações Unidas. Esta continua a ser a pedra basilar do multilateralismo eficaz, onde o direito internacional, a igualdade soberana dos Estados e a resolução pacífica de litígios prevalecem sobre a arbitrariedade, as relações de poder e a guerra", acrescentou o Ministério.
c/ agências