Cáritas Macau pede mais atenção à saúde mental da população que não fala chinês
A Cáritas Macau pediu maior atenção para o bem-estar mental da população que não fala chinês, após um aumento de 86% nos pedidos de ajuda `online` em 2025, disse hoje um conselheiro à Lusa.
Os Serviços de Prevenção do Suicídio da Cáritas opera uma linha de apoio em cantonês, mandarim, português e inglês.
No ano passado, o serviço recebeu 138 pedidos de ajuda `online` através do serviço em inglês, mais 86%. Os pedidos de assistência telefónica também cresceram, atingindo 98, um aumento de 17%.
"A maioria dos não falantes de chinês sente-se sozinha em Macau. Devemos preocupar-nos mais com eles", disse Benedict Lok, conselheiro do serviço.
Os pedidos de ajuda vieram de pessoas com origens diversas, incluindo Países Baixos, Filipinas, Canadá, Estados Unidos, Índia e da comunidade macaense.
Os macaenses são uma comunidade euro-asiática, a maioria dos quais lusodescendentes, com raízes no território.
Lok indicou que 30% dos pedidos estavam relacionados com o acesso a recursos comunitários, 14% envolviam temas ligados ao suicídio, e 2% eram de indivíduos "que simplesmente se sentiam sozinhos e procuravam alguém com quem conversar".
"Normalmente, à noite, as pessoas sentem-se mais emocionais. Mais de metade dos pedidos acontecem entre as 16:00 e a meia-noite", notou Lok.
"Alguns deles só querem falar em inglês, sentindo que se podem expressar melhor," explicou.
Dados oficiais indicam que existem 57.688 habitantes cuja nacionalidade não é nem chinesa nem portuguesa, representando 8,5% da população.
Os censos de 2021 indicam mais de 2.200 pessoas nascidas em Portugal a viver em Macau. A última estimativa dada à Lusa pelo Consulado-geral de Portugal apontava para cerca de 155 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong.
O diretor da Caritas Macau, Paul Pun, explicou que a população que nasceu fora da China geralmente prefere consultas presenciais.
"Até agora, os nossos voluntários que sabem línguas estrangeiras também sabem chinês, o que é suficiente para ajudar a maioria deles. Mas, claro, quanto mais [voluntários], melhor", disse à Lusa.
Os Serviços de Prevenção do Suicídio da instituição são apoiados por mais de 90 voluntários e dez funcionários a tempo inteiro. Dentro deste grupo, 20 voluntários e três trabalhadores a tempo inteiro são proficientes em línguas estrangeiras. Pun expressou o desejo de expandir a equipa.
Na primeira metade de 2025 houve pelo menos 101 tentativas de suicídio, incluindo 14 crianças dos 5 aos 14 anos, o dobro do registado no mesmo período de 2024, avançou em outubro a emissora pública do território.
Ainda de acordo com o canal de língua portuguesa da TDM - Teledifusão de Macau, desde que saíram, no final de maio, os dados sobre suicídios entre janeiro e março, os Serviços de Saúde não voltaram a divulgar esta estatística, habitualmente publicada de forma trimestral.
No mais recente balanço, Macau registou 18 mortes por suicídio, menos quatro do que nos primeiros três meses de 2024.