Casa Branca continua a negar acesso a CNN e Politico apesar de ordem judicial

Casa Branca continua a negar acesso a CNN e Politico apesar de ordem judicial

A estação CNN e o jornal online Politico denunciaram hoje que a Casa Branca continua a negar-lhes acesso, apesar da decisão judicial que ordenou a restituição imediata das credenciais de imprensa, retiradas por ordem do Presidente Donald Trump.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Kevin Lamarque - Reuters

Horas depois de um juiz de Washington ter ordenado o restabelecimento do acesso das emissoras CNN e MS NOW (antiga MSNBC) e do Politico à Casa Branca, o jornal revelou que os serviços secretos da residência oficial do Presidente norte-americano confiscaram hoje as credenciais de imprensa de um dos seus jornalistas e voltou a impedir-lhe o acesso às instalações.

Também a CNN denunciou que proibiram a entrada a parte do seu pessoal hoje de manhã, lendo-se no seu site que "foi negado o acesso ao recinto da Casa Branca à repórter Betsy Klein e a um fotojornalista", sem que tenham sido fornecidas explicações.

Face a esta situação, CNN, MS NOW e Politico apresentaram um pedido de urgência para a realização de uma nova audiência hoje mesmo, com o juiz federal que na última madrugada ordenou à Casa Branca que voltasse a permitir o acesso aos profissionais destes órgãos de comunicação social.

Trump anunciou na passada sexta-feira um veto ao jornal Político e às cadeias de televisão CNN e MS NOW por alegadamente divulgarem "notícias falsas" e, mais tarde, acusou-os de porem em risco a segurança nacional com as suas reportagens.

No início da semana, os três órgãos de comunicação social apresentaram, em conjunto, uma queixa por violação da Primeira Emenda da Constituição, tendo um juiz federal, Timothy Kelly, ordenado que lhes fosse restabelecido o acesso, ao considerar que a proibição ocorreu "sem o devido processo legal".

A ordem de emergência tem efeito temporário, vigorando até 8 de outubro, e determina o acesso desses meios de comunicação à Casa Branca, pelo menos "até que o tribunal emita outra ordem ou até que a medida anunciada hoje caduque".

O juiz do Tribunal Distrital de Washington DC deferiu, com a decisão, o pedido dos meios de comunicação afetados, que solicitaram essa ordem de emergência temporária enquanto se analisa o mérito do caso.

Os advogados questionaram a invocação de questões de segurança nacional como fundamento da decisão, quando, argumentaram, as primeiras afirmações públicas de Trump centraram-se em informações que considerava falsas ou negativas.

O processo colocado por CNN, MS NOW e Politico sustenta que a retirada das credenciais é uma represália pelo conteúdo das suas notícias e uma violação da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, além de questionar a retirada das autorizações aos jornalistas sem notificação prévia, nem uma oportunidade para impugnar a decisão.

Na sequência da decisão de Trump de vedar o acesso a CNN, Politico e MS NOW, as outras quatros estações membros do 'pool' televisivo da Casa Branca - CBS, ABC, NBC e Fox News - decidiram cessar a sua participação, num gesto de solidariedade sem precedentes.

No terceiro dia de boicote do fluxo de vídeo distribuído às emissoras de televisão, nem a Fox News, nem a CNN, nem a MS NOW transmitiram em direto as imagens da receção de Donald Trump ao Presidente chinês Xi Jinping, nos arredores de Washington.
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