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Casos de bebés com microcefalia aumentam no Brasil

Casos de bebés com microcefalia aumentam no Brasil

O ministério da Saúde brasileiro informou esta terça-feira que o número de possíveis casos de bebés com microcefalia associados ao vírus Zika subiu de 4.443 na semana passada para 4.690 este semana.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Miriam Araújo, em sua casa em São José dos Cordeiros, Brasil, pega em Lucas, de quatro meses, nascido com microcefalia. Ricardo Moraes - Reuters

Os casos confirmados de microcefalia no Brasil subiram para 583, entre os 5.640 casos notificados desde o início das investigações, em 22 de outubro de 2015.

Destes 583 casos, 67 foram clinicamente relacionados com o Zika pelo ministério da Saúde brasileiro.

Outros 4.107 casos continuam em análise, de acordo com boletim epidemiológico divulgado esta terça-feira.
Os casos de microcefalia foram confirmados em bebés nascidos em 235 municípios, de todo o Brasil, excepto Amapá e Amazonas. O estado com maior número de casos de microcefalia continua a ser Pernambuco, com 209 confirmados e 204 descartados. Segue-se a Bahia, com 582 confirmações, e Paraíba, com 440.


Foram também confirmadas 30 mortes causadas por microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, em 120 óbitos, contra 24 confirmados e 91 notificados há uma semana.

De acordo com o relatório, 950 casos suspeitos de microcefalia foram descartados, por exames revelarem normalidade ou por as causas da microcefalia não se deverem a infeção.

O Governo brasileiro tem relacionado o vírus Zika com a explosão de casos de microcefalia e outros problemas neurológicos em bebés, apesar da falta de provas científicas até agora que apoiem a teoria.

Diversas outras infecções congénitas podem provocar a microcefalia, como a sífilis, a toxoplasmose, a rubéola, o citomegalovírus e o herpes viral.
Só Brasil regista casos de microcefalia por Zika
A presença do vírus Zika tem sido detetada em grávidas e nas mães dos bebés afetados com a microcefalia, o que parece apontar uma correlação entre a infeção e o desenvolvimento anormal dos fetos.

Em janeiro de 2016, surgiu o caso de um bebé nascido no Hawai com microcefalia e com Zika, mas a mãe tinha estado no Brasil no verão de 2015, durante a gestação, tendo sido possivelmente infetada nessa altura.

Por outro lado, estudos dos registos de bebés com microcefalia sobretudo em Paraíba, revelam um aumento anormal de casos pelo menos desde 2012. A análise dos dados realizada pela equipa da dra Sandra Mattos, aponta para um aumento dos casos já a partir de outubro e novembro de 2014.

Curiosamente, 80 por cento dos recentes casos de microcefalia no Brasil foram registados na região norte do país.

Em Berlim, o epidemiologista Christoph Zink acredita que a grande maioria de casos de microcefalia não foi registada no Brasil nos últimos cinco anos e sugere às autoridades brasileiras que procurem outras causas para o fenómeno, além do Zika. Por exemplo, a aplicação de químicos agrícolas.

Os governos da Colômbia (com 2.100 mulheres grávidas infetadas por Zika) e de El Salvador, não registaram até agora casos de microcefalia nos fetos das grávidas contaminadas com o vírus.

Cabo Verde, em África, confirmou por seu lado que, dos 7,164 casos de Zika registados no país, entre outubro de 2015 e janeiro de 2016, se encontram 130 grávidas, sem que se registem até agora quaisquer casos de microcefalia dos fetos.

Na capital, Cidade da Praia, o local mais atingido pela epidemia, o número de novos casos de infeção caiu entretanto de 500 para 65 por semana após campanhas de prevenção e consciencialização sobre o mosquito.
"Longo caminho"

O vírus Zika é transportado pelas fêmeas do mosquito Aedes aegypti e transmitido aos humanos através de picadas. É também transmitido entre humanos, por via sanguínea e sexual.

Após uma reunião com a Presidente brasileira, Dilma Roussef, a responsável pela Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, afirmou que a luta contra a epidemia do Zika será "um longo caminho".

"O vírus Zika é muito complicado, muito tenaz, muito difícil, tal como o mosquito Aedes aegypti. Nós aprendemos com o dengue e o chikungunya no passado e devemos esperar mais casos, devemos esperar um longo caminho", para erradicar a epidemia que afeta a América Latina, declarou a responsável da ONU.
EUA estudam transmissão sexual
As autoridades sanitárias dos Estados Unidos indicaram esta terça-feira que estão a investigar 14 casos de Zika em mulheres, algumas das quais grávidas, que poderão ter contraído o vírus por via sexual.

Dois dos casos são de mulheres cuja infeção está confirmada e que não viajaram para nenhum dos países em que grassa a epidemia, fossem da América do Sul fossem das Caraíbas, referiu o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) em comunicado.

O único factor comum aos dois casos é o masculino: os companheiros destas mulheres foram ambos às zonas de risco e estão a fazer testes para se perceber se foram infetados.

Para outras quatro mulheres os resultados preliminares dos testes têm de ser confirmados e para outras oito ainda estão em curso. Em todos os casos suspeitos, terão sido os homens os vetores da contaminação. Todos eles apresentaram sintomas de Zika duas semanas antes das suas mulheres.Os Estados unidos foram o primeiro país a anunciar um caso de contaminação de Zika por via sexual, no final de janeiro, referindo um casal do Texas cujo elemento masculino tinha viajado para a Venezuela. 

O vírus Zika pode aparentemente manter-se muito tempo no aparelho genital masculino após o desaparecimento dos sintomas.

Até agora não se conhece nenhum caso de uma mulher que tenha transmitido o vírus ao seu companheiro por via sexual.

As autoridades norte-americanas recomendam aos casais o uso de preservativo ou a abstinência de relações sexuais, sobretudo se a mulher estiver grávida ou em idade de procriar.

O Zika pertence à mesma família do vírus da dengue, do chikungunya e do Nilo ocidental e não tem ainda vacina ou anti-viral específico.
Novo teste de diagnóstico
Dois grandes hospitais do Texas anunciaram esta terça-feira terem desenvolvido um teste rápido que pode confirmar a infeção com Zika em poucas horas.

Os analistas do Hospital de Crianças do Texas e do Hospital Metodista de Houston afirmam ter desenvolvido um teste que deteta o material genético do vírus, o que pode acelerar o diagnóstico e o tratamento, afirmaram os hospitais num comunicado.

O teste deverá ser usado por centros de saúde ou autoridades federais como os centros do CDC, embra esteja a ser usado para já apenas nas duas unidades hospitalares que o desenvolveram.

O vírus Zika está já presente em 30 países e territórios, a maioria nas Américas. Este mês a OMS declarou um combate de emergência contra o vírus, cujos efeitos num adulto são ligeiros mas que em fetos permanecem em grande parte um mistério.
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