"Causa justa do povo palestiniano". China volta a defender reconhecimento da Palestina

O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros reiterou esta quinta-feira que a China apoia o "pleno reconhecimento" de um Estado palestiniano no seio das Nações Unidas. Apontando o que Pequim considera ser uma "causa justa do povo palestiniano", Wang Yi reafirmou ainda que a assistência humanitária à Faixa de Gaza "deve ser garantida".

Carlos Santos Neves - RTP /
A assistência humanitária "deve ser garantida" na Faixa de Gaza, insistiu Wang Yi Kosay Al Nemer - Reuters

A China, frisou Wang em conferência de imprensa, "vai insistir" na fórmula de dois Estados - Israel e Palestina - como garantia de uma "coexistência pacífica".

"O atual conflito israelo-palestiniano já causou mais de 100 mil vítimas civis. Esta catástrofe humanitária é uma tragédia para a humanidade e uma vergonha para a civilização. Nada justifica as mortes de civis e a comunidade internacional deve atuar no sentido de um cessar-fogo imediato", vincou o ministro chinês, que se pronunciou à margem da sessão anual da Assembleia Popular Nacional, em Pequim.

"A aspiração dos palestinianos a um Estado independente não pode continuar a ser ignorada. Não se pode permitir que a injustiça histórica com os palestinianos fique por corrigir. Restaurar a justiça para o povo palestiniano e implementar em pleno a solução de dois Estados é a única forma de quebrar o círculo vicioso dos conflitos israelo-palestinianos", prosseguiu.

"Apelamos a alguns membros do Conselho de Segurança para que não se posicionem no caminho para alcançar este objetivo. Acreditamos que Palestina e Israel devem retomar as conversações de paz o mais rapidamente possível, para atingir o objetivo de uma coexistência pacífica como dois Estados e para que os povos árabe e judeu vivam em harmonia como dois grupos étnicos", propugnou o chefe da diplomacia chinesa. Wang Yi asseverou que Pequim contiunará a "apoiar firmemente" a "causa justa do povo palestiniano".

A China, ainda segundo Wang, está comprometida com uma "solução política para resolver desacordos e disputas", evitando "o uso da força ou de pressões e sanções".

"O que é necessário é o diálogo com a máxima paciência, procurando um terreno comum que satisfaça as necessidades de todas as partes em todas as questões polémicas. A China promove sempre as conversações para a paz, nunca atira achas para a fogueira", rematou.

Com o aproximar do Ramadão no calendário, Estados Unidos, Egito e Catar procuram fazer vingar a via de uma curta trégua na guerra. Trata-se de uma derradeira tentativa para ganhar tempo.

Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde avisa que a falta de alimentos está a agravar-se e que continuam a morrer pessoas à fome em Gaza.

c/ agências

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