Cem cidades protestam contra execução por apedrejamento no Irão
Foram realizados protestos em 100 cidades por todo o mundo, entre as quais Lisboa, contra a execução por apedrejamento no Irão. Em causa está uma iraniana condenada à morte por adultério, conforme prevê a lei islâmica. O Governo iraniano nota que ainda não foi tomada uma decisão final sobre a lapidação de Sakineh Mohammadi-Ashtiani e disse que não será pressionado pelos países ocidentais.
Ramin Mehmanparast aludia à pressão que a comunidade internacional já exerce sobre Teerão para exigir a interrupção e mais condições de controlo do seu programa de energia nuclear. "A justiça está a examinar este caso e não se submeterá a pressões", acrescentou.
"Aconselhamos o países ocidentais (...) a assumir também os direitos das vítimas, os direitos daqueles que foram mortos ou traídos, em vez de defenderem os criminosos", disse o porta-voz do MNE iraniano.
Pena por adultério
A justiça iraniana suspendeu, a 9 de Julho, a execução do veredicto de lapidação de Sakineh Mohammadi-Ashtiani, de 43 anos, mãe de duas crianças. Foi apenas revelado que o caso estará a ser reexaminado e, desde então, nada mais foi dado a conhecer.
Além da condenação por adultério em 2006, Sakineh foi também condenada a uma pena de 10 anos de prisão por participação na morte do marido. A mulher não cumpriu a pena por ter sido perdoada pela família do marido.
Os advogados de Sakineh sustentam que esta não foi condenada à lapidação por participação na morte do marido, mas unicamente por adultério.
Forte mobilização dos países ocidentais
A condenação de Sakineh suscitou uma onda de mobilização em 100 países ocidentais, através de petições civis e acções diplomáticas entre países.
A França apelou à União Europeia que adopte uma posição comum de pressão sobre o governo iraniano, para levá-lo a perdoar a condenada. O presidente Sarkozy chegou mesmo a dizer que Paris tinha "responsabilidade" sobre a mulher.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, afirmou ontem estar "para breve" o momento em que a União Europeia vai "exprimir colectivamente a sua reprovação em relação a práticas de outros tempos".
A estratégia da pressão internacional é saudada por um dos advogados de Sakineh, em entrevista publicada este sábado no diário "Times".