Centenas de drones da Ucrânia abatem-se sobre a Rússia no último dia de legislativas

Centenas de drones da Ucrânia abatem-se sobre a Rússia no último dia de legislativas

O presidente ucraniano reivindicou, no X, um ataque a “um dos complexos petrolíferos chave da Rússia e instalações logísticas do agressor”. Em causa está, segundo Volodymyr Zelensky, um montante equivalente a “biliões de dólares” que “suporta a máquina de guerra”.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Reuters

A Rússia encaixou, este domingo, um bombardeamento ucraniano com recurso a mais de um milhar de drones. Moscovo descreveu já esta ação como uma tentativa de “perturbar” as eleições legislativas, que cumprem o último dia e deverão ter como resultado uma vitória do partido do presidente russo, Vladimir Putin, ao cabo de quatro anos e meio de guerra.

Pelo menos duas pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas na vaga de drones da Ucrânia, segundo as autoridades russas.

Um outro drone ucraniano atingiu também um autocarro de passageiros em Kherson, região do sul da Ucrânia ocupada pelas forças russas, causando a morte a duas pessoas, incluindo uma funcionária da Comissão Eleitoral Central.

Em Moscovo, foi atingida uma das mais importantes refinarias russas, confirmou o presidente da câmara da capital. Sergey Sobyanin descreveu mesmo um ataque “sem precedentes” e “claramente planeado com o objetivo de perturbar as eleições”.

“O inimigo não conseguiu seu intento”, contrapôs o autarca moscovita, referindo que as defesas antiaéreas do país terão abatido mais de 1.600 drones, dos quais “450 seguiam em direção a Moscovo”.

Por seu turno, o presidente ucraniano afirmou que os ataques “tiveram um impacto muito grande na região de Moscovo”.

De acordo com Volodymyr Zelensky, foi utilizada uma dezena de diferentes armas.
Oposição de mãos atadas
Em curso desde sexta-feira, as eleições legislativas russas são as primeiras desde o início da invasão da Ucrânia, em 2022. Em jogo está a renovação de 450 assentos da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo. A votação tem também lugar em territórios ucranianos ocupados e anexados pela Rússia de Putin.

Num país onde a dissidência é objeto de intensa repressão e onde o único partido abertamente contra a guerra, o Iabloko, foi excluído, o resultado do escrutínio suscita escassas ou nenhumas dúvidas.

Contra o partido Rússia Unida, de Putin, foram autorizados a concorrer os comunistas do KPRF, os nacionalistas do LDPR, os conservadores do Rússia Justa e os liberais do partido Novas Pessoas. Todos, em diferentes graus, secundam a guerra na Ucrânia, principal pilar sobre o qual assenta, atualmente, o regime do presidente.
“Poderoso” ciberataque

A votação decorre também por via eletrónica em quase 30 regiões. No sábado, a Comissão Eleitoral veio denunciar um “ciberataque muito poderoso”, numa alegada tentativa de perturbar as eleições.A Comissão Eleitoral Central da Rússia apressou-se a afiançar que “a situação está sob controlo e a segurança do sistema” acautelada.

Descartada do sistema, a oposição a Putin no exílio apelou a todos os “russos contrários à guerra” para que votassem contra o partido do presidente nos mesmos dia e horário – este domingo às 12h00 —, mostrando assim a sua força.

A União Europeia reprovou, à partida, estas eleições realizadas em clima de “repressão sistemática e institucionalizada”.

c/ agências
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